A cerveja não poderia ficar de fora do sistema. Por outro lado, o número de coops no setor aumentou, principalmente a partir de 2020, com a covid-19 a procura por outros caminhos.
Entretanto, o desafio desses empreendedores é a comunicação. Poucas coops de cerveja artesanal são conhecidas do público.
Em Minas Gerais, produtores criaram a CoopCerva. Trata-se de uma associação de produtores e vendedores da bebida. Outra experiência do setor aconteceu em São Paulo. A Cooperbreja nasceu em 2019 e chegou a anunciar seus produtos até o ano passado, quando não conseguiu continuar as atividades. Entretanto, outras organizações de cervejeiros prosseguiram com a ideia, como a Coocersul, de Brusque (SC).
Enquanto isso, Santa Catarina já produz cerveja com ingredientes 100% locais. O governador Carlos Moisés conheceu a Toda Nossa em apresentação no dia 18 de agosto. O líquido contém malte de cevada, leveduras e lúpulo, ambos produzidos em Santa Catarina.
Cerveja catarinense
De acordo com agentes do setor, a produção de lúpulo que ainda se encontra em estágio inicial no Brasil. Santa Catarina conta com uma Fazenda Modelo de produção de lúpulo. Instalada em Lages, na Serra Catarinense, seus criadores querem estimular o plantio.
Entretanto, o governador Carlos Moisés enalteceu o projeto. Segundo ele, Santa Catarina já possui uma cultura enraizada de produção cervejeira, e a primeira cerveja 100% catarinense ajudará a alavancar toda uma cadeia econômica.
“É um projeto que contou com o apoio do Governo do Estado desde o princípio. A produção do lúpulo pode trazer uma cultura mais humanizada para o campo e uma boa fonte de renda para os produtores”, ressaltou o governador.
O secretário de Estado da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, Altair Silva, falou sobre a produção. Ele destacou que a Fazenda Modelo de Lages ajudará a expandir o plantio do lúpulo na Serra. Assim sendo, a região possui clima favorável para esta cultura. Atualmente, 100% do lúpulo usado na fabricação de cervejas no Brasil é importado.
Plantio
“O projeto está totalmente alinhado com nossas ações para incentivar as culturas de inverno em Santa Catarina, melhorar a renda e dar mais valor à produção. Nossos técnicos da Epagri estão colaborando nas pesquisas e incentivando os agricultores a aderirem ao projeto, que pode mudar a realidade da região serrana. Esse pode ser mais um destaque da Serra Catarinense”, assinalou o secretário.
Paralelamente, a Ambev doa aos agricultores familiares catarinenses 60 mil mudas de lúpulo por ano. O viveiro fica em Lages. Além disso, outro projeto, o da Fazenda de Lúpulo Santa Catarina conta ainda com uma lavoura experimental de 1 hectare, destinada a testes de manejo. A empresa planeja uma unidade de beneficiamento da planta e uma planta piloto para o processamento de lúpulo, onde as plantas fornecidas pelos produtores serão beneficiadas e transformadas em pellets prontos para uso.
Produção de cevada
Consultor de projetos especiais da Ambev, Felipe Sommer explicou que a produção ainda é tímida em Santa Catarina,. Está concentrada em pequenos agricultores da região serrana, mas o estado tem um grande potencial para produção, tanto de lúpulo quanto de cevada, que poderiam ser utilizadas nas cervejarias nacionais. Por isso, o interesse em incentivar o plantio na região serrana. “Esse não é um projeto só da Ambev. Nós não queremos produzir lúpulo, nós queremos incentivar os produtores da região e os agricultores familiares. É um projeto institucional que pode levar ao desenvolvimento de uma nova cultura no Brasil”, destacou.
A Ambev incentiva o cultivo de cevada em Santa Catarina. Hoje, a empresa fornece a semente e possui contratos de venda garantida para o produtor. A área plantada, no entanto, ainda é menor do que o necessário para abastecer a fábrica. A intenção é criar um campo experimental para a produção do cereal, da mesma forma que foi feita com o lúpulo.
Ações da Ambev
O consultor Felipe Sommer, diz que a Ambev absorve a produção de 20 mil hectares de cevada de Santa Catarina. Atualmente, a área cultivada no estado é de 492 hectares, concentrados na região de Campos Novos e Joaçaba.
Por outro lado, além de abastecer a indústria, a cevada serve de alimentação animal. Do mesmo modo, a Ambev revende o resto da produção. Além disso, quem compra são as fábricas de Santa Catarina.
“A produção de cevada casa com nosso projeto de incentivo ao plantio de cereais de inverno. Queremos que os produtores ocupem suas lavouras também no inverno, produzindo trigo, triticale, centeio, aveia ou cevada. Temos boas expectativas nesse projeto e ficamos felizes em encontrar apoio também na indústria”, afirmou o secretário Altair Silva.
Em suma, a Secretaria da Agricultura está investindo R$ 5 milhões no Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos. Em síntese, produtores receberão uma subvenção de R$ 250,00 por hectare efetivamente plantado com cereais de inverno, em um limite de 10 hectares por agricultor.






























