Uma pesquisa publicada na revista “Acta Amazonica” nesta sexta (15) alerta para uma possível relação entre a ampliação da distribuição na Amazônia da espécie Zenaida auriculata, ave conhecida como avoante, pomba-campestre ou pomba-orelhuda, e o avanço do desmatamento. Dos 804 registros de presença da ave no bioma entre 1982 e 2020. Desses 32,2% ocorreram em pontos onde a espécie não era encontrada anteriormente.
Os pesquisadores da (UFRRJ), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e da empresa CMData basearam-se em dados de ciência cidadã. Em síntese, eles verificaram a ocorrência dessa ave na região da Amazônia brasileira.
A espécie coloniza sobretudo áreas onde há boa quantidade de grãos. São as lavouras e campos de agricultura, que crescem na Amazônia com o avanço do desmatamento.
A pomba-campestre pode provocar impacto nas coops agrícolas. Elas se alimentam de grãos e estão migrando das fflorestas para as áreas desmatadas, de acordo com o pesquisador Alexandre Gabriel Franchin:
Atividade da pomba-campestre
“A avoante pode se beneficiar de culturas agrícolas, como soja, milho e trigo, uma vez que sua dieta inclui esses tipos de grãos. Esta pode ser uma das razões pela qual as populações dessa ave estão se dispersando para áreas desmatadas, em grande parte sendo ocupadas por tais culturas. O desmatamento no bioma Amazônico modifica áreas florestais, transformando-as em campos abertos, semelhantes ao hábitat preferencial de Zenaida auriculata, o que contribui para o sucesso da espécie em colonizar essas novas áreas”.
De acordo com o pesquisador Gabriel Magalhães Tavares, que também assina o estudo, as mudanças na mata causam o problema:
“A Zenaida auriculata é uma espécie bem-sucedida no ambiente urbano e em paisagens agrícolas, dois cenários relacionados com o desmatamento. Isso pode explicar como ela vem expandindo sua distribuição e colonizando diferentes áreas da Amazônia, dadas as drásticas mudanças que ocorreram neste bioma. Chamamos a atenção para o fato que esses registros continuem sendo monitorados para saber se essa ave vai se estabelecer definitivamente ou não nessas áreas que têm sido desmatadas na região Norte do nosso país.
Fonte: Agência Bori



























