Nas primeiras décadas dos anos 2000, o Brasil viveu um ciclo de esperança e transformação. Políticas públicas inclusivas, amparadas pelo fortalecimento da democracia, abriram caminho para conquistas sociais inéditas. Programas de transferência de renda, a valorização do salário mínimo e a expansão do acesso à educação e saúde não apenas reduziram desigualdades históricas, como também elevaram a renda média da população, dando voz e dignidade a milhões de brasileiros.
Os governos de Lula e Dilma foram marcados por esse compromisso com a justiça social e a diversidade, consolidando um projeto que colocou o povo no centro das decisões. Mesmo após o retrocesso institucional e o desmonte de políticas sociais durante o governo Bolsonaro, os avanços resistiram como testemunho da força de um modelo voltado à inclusão e ao desenvolvimento.
O caminho para se tornar uma potência mundial exige mais. A reforma tributária progressista, em implementação, é um passo crucial, aliviando o peso da carga tributária para os mais pobres e exigindo dos ricos e super-ricos suas justas contribuições para o equilíbrio das contas públicas e pavimentando o futuro do desenvolvimento.
Mas ainda há batalhas urgentes e necessárias. É preciso enfrentar a violência e o crime organizado, que invadiram os centros de poder de muitas instituições – principalmente na Faria Lima, onde chegaram camuflados de fintechs -, que corroem a confiança da sociedade e ameaçam “derrubar” o sistema financeiro, a partir de investigações da competente Polícia Federal. Os primeiros indícios apontam para revelações bombásticas que colocariam em cheque a credibilidade de empresários emergentes e de raposas da política, que patrocinam a corrupção, com sede de lucro e a malversação de verbas públicas, agravando a concentração de renda e perpetuando as desigualdades.
Convivemos com um país dividido em todos os campos: da política à religião; dos hábitos aos costumes; da racionalidade à irracionalidade. Ninguém mais se dispõe a ouvir o outro, tampouco a compreender os reais motivos das divergências. A ausência de diálogo e a adoção de verdades originadas por fake news inviabilizam o entendimento e a busca pelo consenso. Sem consenso, prevalecem os antolhos, resultando em maior distensão e afastamento dos objetivos comuns de interesse da sociedade.
O Brasil, com seu clima tropical, litoral privilegiado e ausência de desastres naturais graves, é um dos lugares mais alegres do mundo para viver, mesmo ofuscado pelas desigualdades e problemas estruturais complexos existentes. Falta transformar essa riqueza natural e toda nossa alegria em ações efetivas a serem contabilizadas na apuração de nosso índice de felicidade – que, na escala mundial, o do Brasil está longe do desejado -, sustentado por segurança, justiça social e equilíbrio econômico.
Porque felicidade não se constrói apenas com renda e políticas públicas. Experiências internacionais mostram que países como a Finlândia e a Dinamarca alcançam altos índices de bem-estar graças à confiança social, à baixa corrupção e ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. O Butão, por sua vez, inovou ao adotar a Felicidade Interna Bruta como indicador oficial, valorizando espiritualidade, cultura e meio ambiente. Já a Costa Rica demonstra que saúde, educação e preservação ambiental podem compensar a ausência de grande poder econômico, colocando o país entre os mais felizes do mundo.
O horizonte está traçado. Fortalecer políticas inclusivas, consolidar uma base tributária justa e enfrentar os inimigos da democracia são passos indispensáveis. Mas para que o Brasil avance além do campo econômico, se faz necessário investir também no campo político e social, enfrentando fatores subjetivos e cotidianos que moldam o bem-estar dos cidadãos:
• Participação cidadã, ampliando a confiança nas instituições, com renovação dos quadros políticos em todos os níveis da federação.
• Saúde mental e emocional, com acesso amplo a cuidados psicológicos.
• Segurança pública, garantindo o direito de viver sem medo.
• Saneamento básico, com a universalização do acesso à água e esgoto tratados.
• Tempo livre e lazer, equilibrando trabalho e vida pessoal.
• Valorização da cultura e identidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento.
• Sustentabilidade ambiental, transformando a biodiversidade em qualidade de vida.
Vamos nos dar as mãos e somar esforços para alcançarmos os objetivos que reflitam o bem-estar de nossa sociedade, construídos a partir de debates democráticos e respeitosos em todos os níveis da sociedade. Só assim o país poderá evoluir rumo à plenitude de um Brasil desenvolvido, justo e feliz, apoiados em seus ricos recursos naturais e em experiências humanas que dão sentido à vida.



























