Novo artigo do jornalista Cláudio Montenegro.
“Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário.” (Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro)
Parece um contra-senso viver num país que abraça o universo da inovação e tecnologia avançada, enquanto demonstra estar vivendo uma realidade paralela, com uma crise energética sem precedentes, aliada a uma crise hídrica, elevados custos de combustíveis, gás de cozinha, alimentos, enfim, uma balbúrdia de preços em alta desenfreada.
Ao mesmo tempo em que soluções tecnológicas como o open banking, a digitalização do agronegócio, o desenvolvimento de plataformas de market place que objetivam alavancar negócios em todos os setores, deparamo-nos com um Brasil em retrocesso.
Após mais de um ano e meio de pandemia, a vacinação no país continua a passos lentos, com muito menos da metade da população ainda não vacinada com as duas doses necessárias do imunizante.
Continuamos num processo de queda de braço entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que buscam, cada qual com suas justificativas, mostrar quem manda mais, quem pode mais, quem decide mais o futuro do eterno país do futuro.
Escândalos de corrupção na saúde, em plena pandemia, continuam a pleno vapor, sem demonstrar o menor sinal de retração ou fim. A CPI da Covid-19 segue a passos de cágado ouvindo os mais estapafúrdios relatos de integrantes de todas as frentes envolvidas na contratação das vacinas – membro dos governos federal e estaduais, representantes de empresas direta ou indiretamente ligadas à fabricação, venda e distribuição de vacinas de todos os cantos do mundo, assessores, influenciadores ou meros simpatizantes de todas as linhas partidárias. Todos falam e ninguém se entende.
Obras inacabadas em todo o território nacional, legados da Copa do Mundo de 2014, legados das Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016, bilhões de reais aplicados em obras empacadas pelo Brasil afora ou enfiados bolsos adentro.
Simultaneamente, acompanhamos o excepcional desempenho de atletas olímpicos e paralímpicos nas Olimpíadas de Tóquio, dando-nos confiança para superar os obstáculos que a intolerância e a desigualdade nos impõem diariamente.
É vergonhoso ver que nossos atletas superam todas as dificuldades perante um país que não investe em esporte, em educação, na cultura e na saúde, mas destina R$ 4 bilhões para fundos partidários, como patrocinador master dos parlamentares e postulantes a cargos públicos.
Resta-nos o vento da esperança que sopra do cooperativismo, com exemplos que dignificam a união de esforços, a colaboração de pessoas buscando o bem-estar socioeconômico não apenas para alguns poucos, mas para toda uma comunidade ao seu redor, expandindo os ideais e princípios que a doutrina cooperativista nos ensina desde 1844, quando aqueles pioneiros 28 tecelões deram o primeiro passo na construção do cooperativismo moderno.
Que façamos do modelo cooperativista o verdadeiro espelho a nos mirarmos para alavancar esta nação, unir os diferentes povos de nosso país e trabalhar juntos para reverter o quadro desesperançoso que nos foi impingido nos últimos anos.
Façamos nossas as palavras do presidente da Aliança Cooperativa Internacional, Ariel Guarco: “O mundo precisa adotar a forma cooperativa de fazer negócios e, juntos, podemos ajudar a fazer a mudança necessária. Para sair melhor desta pandemia, acredito veementemente que o mundo deve aprender a cooperar melhor uns com os outros.”






























