O cooperativismo brasileiro vive um momento decisivo. O setor cresceu, ganhou escala e passou a ocupar um papel cada vez mais relevante na inclusão financeira, no desenvolvimento regional e na oferta de serviços essenciais à população. Ao mesmo tempo, esse avanço trouxe um novo desafio: como continuar crescendo com eficiência, inteligência e governança sem perder a proximidade que sustenta o modelo cooperativista?
Segundo o Sistema OCB, o Brasil chegou a 25,8 milhões de cooperados em 2024, reunidos em 4.384 cooperativas, com mais de 578 mil empregos diretos e R$ 757,9 bilhões em ingressos. Os números mostram a força de um modelo baseado em confiança, participação e geração de valor compartilhado.
No cooperativismo de crédito, esse movimento é ainda mais evidente. De acordo com o Banco Central, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo encerrou 2024 com 19,2 milhões de cooperados, presença em 58% dos municípios brasileiros e mais de 10 mil unidades de atendimento. O segmento alcançou R$ 885,3 bilhões em ativos totais, com crescimento de 21,1% no ano.
Esses dados confirmam que as cooperativas deixaram de ser uma alternativa de nicho. Elas se tornaram protagonistas do sistema financeiro nacional. Mas, quanto maior a escala, maior também a complexidade da operação. O volume de cooperados, produtos, canais, exigências regulatórias e transações cresce em ritmo acelerado. Por isso, o desafio atual não é apenas digitalizar processos, mas reorganizar a operação para sustentar o crescimento com mais controle, rastreabilidade e eficiência.
Durante muito tempo, a transformação digital foi tratada como um projeto de modernização. A pergunta era quando a cooperativa iria digitalizar suas rotinas. Hoje, essa fase ficou para trás. A questão central passou a ser como usar tecnologia para gerar resultado concreto: reduzir gargalos, integrar dados, melhorar a tomada de decisão, aumentar produtividade e oferecer uma experiência mais simples ao cooperado.
As cooperativas precisam escalar como instituições financeiras digitais, mas sem abrir mão daquilo que as diferencia: relacionamento, confiança, presença local e conhecimento da realidade dos seus associados. O cooperado já compara sua experiência com bancos digitais, fintechs e grandes instituições financeiras. Ele espera agilidade, canais eficientes e respostas rápidas. Mas também espera ser reconhecido, orientado e atendido de forma próxima. O diferencial competitivo está justamente em unir conveniência digital com pertencimento.
Um dos exemplos mais claros está no crédito. O Banco Central aponta que os ativos totais do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo cresceram 21,1% em 2024, chegando a R$ 885,3 bilhões, acima do avanço registrado pelo restante do Sistema Financeiro Nacional.
O desafio não é simplesmente aprovar crédito mais rápido. É aprovar melhor, com mais dados, menor risco, maior rastreabilidade e uma jornada mais fluida para o cooperado. Para isso, tecnologias como motores de decisão, automação de esteiras, integração de sistemas, análise preditiva e visão 360º do cooperado passam a ter papel central.
O mesmo vale para a inteligência artificial. A IA já começa a apoiar atendimento, análise de crédito, prevenção a fraudes, produtividade interna, personalização de ofertas e tomada de decisão. Mas, no cooperativismo, existe um ponto essencial: a tecnologia não pode desumanizar a relação com o cooperado. Ela deve ampliar a capacidade da cooperativa de entender, antecipar e atender melhor o associado, sem substituir a confiança construída no relacionamento.
Outro ponto estratégico é a busca pela principalidade. As cooperativas não querem ser lembradas apenas no momento do crédito. Elas querem ampliar o relacionamento financeiro com o cooperado, oferecendo seguros, investimentos, consórcios, adquirência, serviços integrados e experiências digitais mais completas. Para isso, dados dispersos, sistemas pouco integrados e processos fragmentados são barreiras que precisam ser superadas.
É aqui que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser uma alavanca de gestão. O mercado não procura mais apenas fornecedores de software. As cooperativas precisam de parceiros capazes de compreender sua realidade, traduzir desafios operacionais em processos mais eficientes e entregar resultados concretos.
Na Nexum, atuamos justamente nessa intersecção entre conhecimento do segmento cooperativista e inovação aplicada ao negócio. Sendo parceira da Lecom e atendendo juntas mais de 50 cooperativas, conectamos a especialização da Nexum no cooperativismo com uma plataforma robusta de hiperautomação e gestão inteligente de processos. Entre os clientes atendidos, destacamos Sicoob Credicitrus, Sicoob Credimogiana, Sicoob Credifor e Sicoob Nova Central.
Essa combinação permite apoiar frentes como crédito, cadastro, abertura de contas, backoffice, compliance, seguros, consórcios e atendimento, sempre com foco em eficiência, governança, rastreabilidade e experiência do cooperado.
O cooperativismo brasileiro chegou a uma fase madura. O crescimento dos últimos anos mostra a força do modelo, mas o próximo ciclo exigirá ainda mais capacidade de execução. As cooperativas que conseguirem unir automação, dados, inteligência artificial, governança e proximidade estarão mais preparadas para competir em um mercado financeiro cada vez mais digital.
O futuro do cooperativismo não será definido apenas pela adoção de tecnologia. Será definido pela capacidade de usar a tecnologia para fortalecer aquilo que o cooperativismo tem de mais valioso: sua essência humana, comunitária e colaborativa.
A cooperativa do futuro precisa ser digital, eficiente e inteligente. Mas, acima de tudo, precisa continuar sendo cooperativa.
*Rodrigo Junqueira é CEO da Nexum, especialista em inovação e performance para o segmento cooperativista. Economista, tecnólogo em sistemas e com MBA em Finanças, soma mais de 30 anos de experiência em tecnologia e negócios. À frente da Nexum, parceira da Lecom, atende diversas cooperativas em projetos que conectam estratégia, automação, eficiência operacional e tecnologia.

























