O cooperativismo financeiro brasileiro vive um novo momento na relação entre tecnologia, negócios e essência cooperativista. Essa foi uma das principais impressões deixadas pelo Cooptech Crédito 2026, realizado nos dias 20 e 21 de maio, no Amcham Business Center, em São Paulo. Organizado pela Coonecta, o encontro chegou à sua quarta edição com o tema “A gestão do equilíbrio: essência e resultados na era digital”.
A programação foi estruturada para discutir um desafio cada vez mais presente nas cooperativas de crédito: como ganhar competitividade, adotar tecnologia, ampliar resultados e, ao mesmo tempo, preservar a proximidade humana que diferencia o modelo cooperativista. De acordo com a organização, o evento contou com três palcos paralelos e mais de 35 sessões de conteúdo.

Quem acompanhou de perto o segundo dia do encontro foi Alexandre Bürgel, colunista do programa CoopCafé, dos canais BR Cooperativo. Em depoimento gravado diretamente da Amcham, ele destacou o movimento intenso, mesmo em uma quinta-feira fria e chuvosa em São Paulo.
“Dia chuvoso em São Paulo, dia frio, mas a feira bem movimentada, muita gente, ótimos painéis, bastante espaço expositivo”, afirmou Bürgel.
Para o colunista, a organização do Cooptech Crédito 2026 demonstrou maturidade tanto na estrutura quanto na curadoria. Ele elogiou a montagem do evento e ressaltou a presença de cooperativas, entidades institucionais e fornecedores voltados a soluções para o setor financeiro cooperativo.
Inteligência artificial sai do discurso amplo e ganha aplicação prática
Entre os temas observados por Bürgel, a inteligência artificial ocupou lugar central. No entanto, a percepção dele foi de que o debate evoluiu. Se antes a IA aparecia de forma ampla, quase conceitual, agora o assunto chega às cooperativas com aplicações mais específicas, sobretudo por meio de agentes inteligentes, automação, análise de dados e soluções customizadas.
Segundo ele, “não é assunto novo”, mas já se percebe um amadurecimento no conteúdo das palestras e nas soluções apresentadas. A inteligência artificial, nesse contexto, deixa de ser apenas uma promessa e passa a ser tratada como ferramenta de gestão, eficiência e relacionamento.
Essa avaliação dialoga com os próprios eixos temáticos do Cooptech Crédito 2026, que incluíram usos de IA no ciclo de crédito, adoção tecnológica para ganho de eficiência, crescimento e diversificação de receitas, além de temas ligados à cultura cooperativista, ESG e relacionamento humanizado.
Tecnologia, crédito e Bank as a Service no centro das conversas
A área expositiva também chamou a atenção. Por exemplo, Bürgel citou a presença de empresas ligadas a crédito, sistemas de gestão, Bank as a Service, automação, atendimento e soluções digitais. Ele também destacou conversas com representantes do Sicredi, do Sicoob e de empresas como Lecom, Nexum e Ubots, além da presença institucional do Sistema OCB.

Esse ambiente reforça uma tendência do cooperativismo financeiro: a necessidade de combinar inovação tecnológica com governança, segurança, eficiência operacional e proximidade com o cooperado. Afinal, tecnologia sem propósito pode afastar; tecnologia bem aplicada pode aproximar.
Cooptech Crédito consolida espaço de negócios e intercooperação
O evento também se firmou como um ponto de encontro para lideranças, gestores, fornecedores e especialistas do setor. A própria apresentação institucional do Cooptech Crédito 2026 apontava a expectativa de reunir mais de 450 participantes, mais de 50 palestrantes, mais de 100 cooperativas diferentes e mais de 15 fornecedores de soluções.
Para Bürgel, esse ambiente de troca é um dos pontos fortes do encontro. Além dos painéis, a circulação pela feira permitiu conhecer soluções novas, conversar com representantes do mercado e identificar caminhos para cooperativas que buscam modernização sem perder identidade.
O equilíbrio como palavra-chave do cooperativismo financeiro
O tema escolhido para a edição de 2026 resume bem o momento vivido pelas cooperativas de crédito. De um lado, há pressão por eficiência, digitalização, novos produtos, diversificação de receitas e competitividade diante de bancos, fintechs e plataformas financeiras. De outro, existe a responsabilidade de preservar a cultura cooperativista, o atendimento próximo, a participação dos associados e o compromisso com as comunidades.
É nesse ponto que o Cooptech Crédito ganha relevância. O evento não tratou apenas de tecnologia pela tecnologia. Ao contrário, colocou a inovação dentro de uma pergunta estratégica: como crescer sem deixar de ser cooperativa?
Convite para 2027
Ao final do depoimento, Alexandre Bürgel deixou um convite aos profissionais do setor: acompanhar a próxima edição. Para ele, o Cooptech Crédito já entrou no calendário de eventos relevantes para quem atua no cooperativismo financeiro.
“Fica aqui o convite para que, em 2027, se puder, agenda no seu calendário. Vale a pena estar presente. Com certeza estaremos cobrindo no ano que vem”, afirmou.
A frase resume o sentimento de quem viu no evento mais do que uma feira. Dessa forma, o Cooptech Crédito 2026 funcionou como uma vitrine do presente e, ao mesmo tempo, como um laboratório do futuro das cooperativas de crédito.


























