O bolo de mandioca é um item essencial das festas juninas e não pode faltar na mesa de muitos brasileiros. Mas pesquisadores querem melhorar a genética da raiz. Conhecida como aipim, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-brava, o produto enfrenta a queda da safra de 2022 em decorrência de vários fatores.
Contudo, a redução da produção brasileira elevou os preços da raiz. Porém, é aí que entram a Embrapa Mandioca e Fruticultura e a Cooperativa de Produtores Rurais, Agricultores e Extrativistas do Juruá (AC) (Cooprafej).
Pesquisadores buscam em espécies silvestres de mandioca novos genes capazes de tornar a raiz mais resistente às pragas. E, sobretudo, capaz de integrar as receitas de bolo de mandioca das boleiras nordestinas.
A Cooprafej está integrada ao tema “Desenvolvimento da farofa de Cruzeiro do Sul, Acre” e participa da pesquisa de melhoramento da mandioca. O estudo tem 20 anos e já chegou a algumas conclusões.
Primeiros resultados
De acordo com a Embrapa, a pesquisa concluiu que as espécies silvestres de mandioca apresentam grande diversidade de genes comparadas à mandioca tradicional.
Entretanto, o uso de espécies silvestres em programas de melhoramento pode ampliar a variabilidade genética, transferir características de interesse econômico e amenizar limitações da cultura como pragas e doenças.
A espécie silvestre Manihot flabellifolia possui genes promissores relacionados à resistência à mosca-branca.
Ingredientes novos para o bolo de mandioca
O programa usa a metodologia participativa para aumentar a adoção de variedades. Assim sendo, além de realizar pesquisa, a Embrapa apoia famílias que usam a mandioca como principal ingrediente em receitas tradicionais e produtos artesanais, como os bolos famosos das festas juninas.
Mas não fica só por aí. O uso da mandioca por indústrias de alimentos cresceu a partir de 1990. Principalmente no centro-sul do Brasil. Próximo à unidade da Embrapa Mandioca e Fruticultura, na Bahia, existem duas destacadas agroindústrias de beneficiamento: a unidade de produção de beijus Dois Irmãos, na zona rural de Cruz das Almas, e a Associação Comunitária do Brinco (Abrinco), no município de Maragogipe.
Além disso, outra proposta de trabalho é a “Agricultura orgânica, tradições culturais e alimentos sustentáveis entre as famílias quilombolas”. A Associação Comunidade Bete II Revivência Quilombola, São Gonçalo dos Campos, BA participa do estudo.
Boleiras de Alagoas
Já na Embrapa Alimentos e Territórios (AL), a pesquisadora Patrícia Bustamante, membro do grupo de pesquisadores da FAO, coordena o projeto “Boleiras das Alagoas”, que oferece capacitação técnico-profissional para fortalecer o trabalho de boleiras e boleiros.
“Pretendemos agregar valor a esse ofício e dizer que ele é um produto fundamental culturalmente. Estamos promovendo a valorização desse bolo que já é considerado um patrimônio. Não só na região de Maceió, como em todo o Nordeste.
A ideia é trabalhar a autoestima das boleiras, promover capacitações, divulgar equipamentos mais adequados e ergonômicos, abordar organização social, discutir o melhor modelo para elas e, por último, inseri-las em uma rede de turismo comunitário europeia denominada Foodzcapes”, declara Bustamente,
O projeto recebeu recursos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e conta com o apoio do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e Consórcio Intermunicipal do Sul de Alagoas (Conisul).
Em síntese, macaxeira, aipim, castelinha… a mandioca tem vários nomes. É um alimento típico da América do Sul e ainda pouco explorado, a não ser por coops espalhadas pelo Brasil e que mantém a cultura da terra. Afinal, a própria ONU declarou a mandioca como o alimento do século XXI.
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