O 13º salário começa a chegar ao bolso dos trabalhadores nesta semana e, junto com ele, surgem os planos para o dinheiro extra. Para muitos, é a chance de colocar as contas em dia; para outros, a oportunidade de investir ou de realizar um pequeno desejo adiado. Em um cenário de Selic a 15% ao ano, o mais alto dos últimos 20 anos, a economista e especialista em investimentos na cooperativa de crédito CredCrea Flávia Michels destaca que o segredo está em equilibrar as prioridades: quitar o que pesa, planejar o que vem e aproveitar o que motiva.
Segundo ela, o 13º pode ser o melhor ponto de partida para reorganizar as finanças. “Quando usado com estratégia, ele ajuda a sair do aperto e ainda a aproveitar o momento favorável para investimentos em renda fixa”, explica.
A primeira parcela do benefício deve ser paga até 30 de novembro, e a segunda, até 20 de dezembro. Flávia recomenda que o cooperado divida o valor em três partes: 50% para quitar dívidas, 30% para despesas e lazer, e 20% para investir ou montar a reserva de emergência. “Essa divisão é prática e realista. Permite resolver o que preocupa e, ao mesmo tempo, desfrutar com responsabilidade do esforço de um ano inteiro de trabalho”, afirma.
Antes de pensar em investir, o ideal é eliminar dívidas com juros altos. Segundo o Banco Central, os cartões de crédito rotativo podem ultrapassar 400% ao ano, e o cheque especial, 130%. Nenhum investimento conservador compensa esse custo. “Ao se livrar dessas contas, o orçamento respira e abre espaço para novos planos”, explica Flávia.
Cenário favorável para investir o 13º salário
Com os juros elevados, aplicações atreladas ao CDI têm se tornado mais vantajosas. Flávia cita como exemplo o RDC com 100% do CDI da CredCrea como uma opção de baixo risco, acessível e ideal para quem está começando a investir. “É uma forma simples de fazer o dinheiro render acima da poupança e ainda manter a liquidez para emergências. A Selic alta não precisa ser um problema, pode ser uma aliada para quem investe com consciência”, explica.
Planejamento é liberdade
Outra recomendação é usar parte do 13º para antecipar despesas previsíveis do início do ano, como IPVA, IPTU e material escolar. Quem paga à vista costuma ter desconto e evita começar o novo ciclo endividado.
Flávia também lembra que é possível reservar uma parte para lazer e descanso, sem culpa. “Educação financeira não é abrir mão do prazer, e sim escolher com clareza onde o dinheiro gera mais bem-estar”, diz.
Com planejamento e escolhas conscientes, o 13º salário deixa de ser um dinheiro passageiro e se transforma em um passo importante para começar 2026 com equilíbrio e segurança.































