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Com Kaizen e Lean, Castrolanda transforma eficiência operacional em ganho para cooperados

Cooperativa agroindustrial soma mais de R$ 35 milhões em ganhos desde 2021 com melhoria contínua, enquanto o cooperativismo brasileiro amplia capacitações em gestão, processos, IA e intercâmbio internacional.

Claudio Rangel De Claudio Rangel
02/05/2026
Reading Time: 10 mins read
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Castrolanda Kaizen Lean

A melhoria contínua deixou de ser apenas uma prática de fábrica para se tornar uma estratégia de competitividade no cooperativismo. Na Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, fundada em Castro, no Paraná, esse movimento ganhou escala. Desde 2021, a cooperativa já acumula mais de R$ 35 milhões em ganhos financeiros por meio de mais de 100 iniciativas estruturadas de eficiência operacional.

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Somente em 2025, os projetos geraram cerca de R$ 8,7 milhões em ganhos, com foco na redução de desperdícios, otimização de processos e aumento da capacidade produtiva em áreas como agrícola, carnes, leite e batata. Ao mesmo tempo, o programa Kaizen, metodologia japonesa voltada à melhoria contínua no dia a dia, alcançou 1.422 ações implementadas no ano, superando a meta prevista e resultando em mais de 58 mil horas otimizadas.

Mais do que números, os resultados mostram uma mudança de cultura. Afinal, o que acontece quando uma cooperativa passa a tratar cada gargalo como oportunidade de evolução? No caso da Castrolanda, a resposta aparece em produtividade, agilidade, segurança operacional e melhor atendimento ao cooperado.

Eficiência que chega ao cooperado

A Castrolanda atua em quatro cadeias de negócios: agrícola, carnes, leite e batata, e tem como missão gerar valor aos seus mais de 1.200 cooperados, oferecendo segurança e conveniência para que eles possam focar na produção.

Entre os exemplos de impacto está a redução de travas em processos de faturamento, que afetavam o atendimento ao cooperado. Após a implementação de melhorias, o índice caiu de aproximadamente 6% para menos de 1%, aumentando a agilidade e a eficiência do processo. Outro caso foi a redução de paradas na unidade de batata frita, com ganho financeiro superior a R$ 300 mil.

A lógica é simples, mas poderosa: quando o processo melhora, o cooperado sente. Menos atraso, menos retrabalho e mais previsibilidade significam uma cooperativa mais preparada para responder às pressões de mercado.

Lean, Kaizen e DMAIC entram na rotina cooperativista

A condução dos projetos de eficiência operacional na Castrolanda segue metodologias estruturadas, como o ciclo DMAIC — Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar — além de conceitos de Lean e Kaizen. As ações envolvem equipes multidisciplinares e acompanhamento técnico em todas as etapas, para garantir consistência e sustentabilidade dos resultados.

Na prática, o Lean ajuda a eliminar desperdícios. Já o Kaizen estimula pequenas melhorias contínuas; e o DMAIC organiza a solução de problemas com base em dados. Juntas, essas ferramentas funcionam como uma engrenagem: cada ajuste parece pequeno isoladamente, mas o conjunto movimenta a cooperativa em direção a mais produtividade.

De acordo com Everton Cruz, supervisor de BPMO da Castrolanda, a evolução do programa está ligada ao aumento da maturidade das áreas e ao direcionamento estratégico dos projetos. Para ele, a cooperativa hoje consegue atuar de forma mais estratégica. Isto porque adota projetos que impactam diretamente o cooperado e, ao mesmo tempo, capacitam as equipes para desenvolver melhorias no dia a dia.

Cultura de melhoria contínua ganha força

Outro dado relevante é o engajamento interno: cerca de 41% dos colaboradores da Castrolanda já participaram de iniciativas de melhoria contínua. Esse índice mostra que a eficiência deixou de ser uma pauta restrita à direção e passou a fazer parte da rotina das equipes.

Para Isabela Neves Micheletti, analista de processos BPMO da Castrolanda, o principal ganho é a consolidação de uma cultura de melhoria contínua. Segundo ela, em um cenário cada vez mais dinâmico e inovador, adaptar-se rapidamente às mudanças de mercado deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade estratégica.

Esse ponto é central. Cooperativas são organizações econômicas, mas também sociais. Portanto, quando uma cultura de melhoria contínua se espalha, ela fortalece não apenas a produtividade, mas também o protagonismo das pessoas que constroem o negócio diariamente.

Movimento acompanha tendência nacional de capacitação no cooperativismo

O caso da Castrolanda dialoga com um movimento mais amplo no cooperativismo brasileiro. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Sistema OCB/RJ mantém uma agenda de formação voltada para gestão, estratégia, liderança, inteligência artificial e processos. Entre as iniciativas previstas em 2026 estão a Capacitação Vivenciada em Planejamento Estratégico e Executivo, com 128 horas, o Programa de Inteligência Artificial aplicada a Estratégias de Marketing e Vendas para Cooperativas, além de formações voltadas à gestão financeira, contábil e ao uso de IA em processos cooperativos.

Um dos cursos do Sistema OCB/RJ, o Programa de Inteligência Artificial aplicada na Gestão dos Processos de Cooperativas, tem como objetivo capacitar profissionais para compreender, avaliar e implementar soluções de IA de forma estratégica na gestão de processos, promovendo eficiência operacional, inovação, melhoria da comunicação entre áreas e geração de valor. O conteúdo inclui BPM, automação inteligente, Process Mining, Task Mining, IA generativa, KPIs, melhoria contínua, governança, ética e compliance.

Ou seja, o setor cooperativista está conectando gestão de processos com tecnologia. Não se trata apenas de ensinar ferramentas, mas de preparar dirigentes, gestores, conselheiros e técnicos para tomar decisões melhores.

CapacitaCoop e formação em escala nacional

Em âmbito nacional, a plataforma CapacitaCoop se apresenta como a plataforma de ensino a distância do cooperativismo brasileiro e oferece 275 cursos gratuitos para início imediato. Entre os conteúdos disponíveis estão temas como gestão orientada por dados, fundamentos do cooperativismo, funcionamento das cooperativas, mercado digital, descarbonização, comunicação e marketing no cooperativismo.

Além disso, o Sistema OCB divulgou, durante o lançamento do Eleva 2026, a integração entre CapacitaCoop e MarketCoop. A novidade conecta a jornada de formação dos cooperativistas a um programa de recompensas, permitindo que horas de estudo sejam convertidas em créditos para aquisição de produtos e serviços ofertados por cooperativas.

Esse movimento reforça uma ideia importante: conhecimento virou ativo estratégico. Assim como uma cooperativa investe em máquinas, unidades industriais ou tecnologia, também precisa investir em pessoas, processos e cultura de gestão.

Brasília, metas e excelência cooperativista

Em relação ao Eleva 2026, uma iniciativa de alinhamento estratégico com as 27 Organizações Estaduais, o encontro marcou o início de um novo ciclo de metas. Teve como tema “Times de excelência que impulsionam o coop”, reforçando que excelência é resultado de método, disciplina, análise de desempenho e trabalho coordenado.

O evento também apresentou prioridades para 2026, como cultura cooperativista, expansão de negócios, MarketCoop, recompensas da CapacitaCoop e o Selo ContadorCoop. Além disso, as OCEs de destaque conquistaram uma viagem técnica imersiva em Singapura, com foco em inovação, gestão estratégica e intercâmbio de boas práticas.

Esse ponto ajuda a contextualizar a experiência da Castrolanda: eficiência operacional não é um caso isolado. Ela faz parte de um ambiente em que o cooperativismo brasileiro busca profissionalizar a gestão, ampliar indicadores, fortalecer lideranças e aprender com experiências nacionais e internacionais.

Intercâmbio internacional amplia visão de gestão

A atuação internacional também se tornou parte da estratégia do Sistema OCB. A entidade informa que trabalha globalmente para defender os interesses das cooperativas brasileiras e promover o cooperativismo em quatro linhas: assessoria, cooperação, parcerias e representação internacionais. Também participa de fóruns como a Aliança Cooperativa Internacional, organizações setoriais e o grupo de cooperativas do BRICS, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

As missões internacionais, segundo o Sistema OCB, incluem visitas técnicas, benchmarking, reuniões com instituições locais e divulgação do cooperativismo brasileiro. Elas são abertas a dirigentes e técnicos de cooperativas associadas e das organizações estaduais do Sistema OCB.

No Rio, a agenda do Sistema OCB/RJ também registra formações com foco internacional, como o curso on-line Gestão Executiva de Cooperativas Chinesas e a Formação Internacional China – Programa de Gestão Executiva, desenvolvida com base em gestão de alianças estratégicas no mercado cooperativista chinês.

Cooperativismo precisa transformar aprendizado em resultado

A experiência da Castrolanda oferece uma lição objetiva para cooperativas de todos os ramos: capacitação só gera impacto quando vira método, indicador, prática e cultura. Cursos, missões internacionais e programas de formação são fundamentais, mas o resultado aparece quando o conhecimento desembarca no chão da cooperativa.

É como plantar uma semente. O curso prepara o terreno, o método organiza o cultivo, os dados irrigam a decisão e a cultura garante a colheita. Na Castrolanda, essa colheita já aparece em milhões de reais economizados, milhares de horas otimizadas e processos mais ágeis para cooperados.

Um modelo para o futuro da gestão cooperativa

Para os próximos anos, a Castrolanda pretende ampliar ainda mais a cultura de melhoria contínua. O foco será no desenvolvimento de lideranças, uso de dados na tomada de decisão, maior autonomia das áreas na condução de projetos e engajamento de colaboradores.

O desafio, agora, é transformar esse exemplo em referência. Afinal, se uma cooperativa agroindustrial consegue usar Lean, Kaizen, DMAIC e engajamento interno para gerar ganhos financeiros e melhorar a experiência do cooperado, por que outros ramos não poderiam adaptar o mesmo caminho?

No cooperativismo moderno, competir não significa abandonar princípios. Significa usar gestão, inovação e conhecimento para entregar mais valor aos cooperados. A Castrolanda mostra que melhoria contínua, quando bem aplicada, não é apenas uma ferramenta de eficiência. É uma forma de praticar o cooperativismo com mais inteligência, disciplina e futuro.

FAQ

O que a Castrolanda conquistou com melhoria contínua?

A Castrolanda acumulou mais de R$ 35 milhões em ganhos financeiros desde 2021, com mais de 100 projetos estruturados de eficiência operacional e melhoria contínua.

O que é Kaizen?

Kaizen é uma metodologia japonesa voltada à melhoria contínua. Ela estimula pequenas mudanças constantes nos processos, com participação das equipes e foco em eficiência.

Como o Lean ajuda uma cooperativa?

O Lean ajuda a reduzir desperdícios, melhorar fluxos, aumentar produtividade e tornar processos mais eficientes, beneficiando cooperados, colaboradores e a própria sustentabilidade do negócio.

Quantos cooperados tem a Castrolanda?

A Castrolanda tem mais de 1.200 cooperados e atua nas cadeias agrícola, carnes, leite e batata.

O Sistema OCB oferece cursos para cooperativas?

Sim. O Sistema OCB, por meio de iniciativas como a CapacitaCoop e ações das organizações estaduais, oferece cursos em gestão, governança, liderança, inovação, inteligência artificial, processos e outros temas estratégicos para cooperativas.

Tags: CapacitaCoopCastrolandacooperadoscooperativismo agroindustrialeficiência operacionalgestão cooperativa.gestão de processosInovaçãoKaizenLeanmelhoria contínuaOCB/RJSistema OCB
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Claudio Rangel

Claudio Rangel

Formado em Comunicação Social, Habilitação Básica em Jornalismo, pela Universidade Gama Filho, em 1983, com pós-graduação em Assessoria de Imprensa pela Universidade Estácio de Sá (2000), pós-graduação em Gestão Executiva de Cooperativas pelo Sescoop-RJ, pós-graduação em Gestão de Processos pela Execoop, em 2025. Participou da Dominiumcoop em 2000 e da OCB-RJ no mesmo ano, atualmente é diretor da Cooperativa de Profissionais de Comunicação e Marketing - Comunicoop e editor da Revista BR Cooperativo. Edita a Folha do Motorista do Rio de Janeiro, que trata também do cooperativismo de transporte.

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