Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que mais de 75 mil lojas em todo País fecharam as portas. E o motivo é a pandemia da covid-19. É a maior retração no setor de lojas com vínculos empregatícios desde 2016, quando a recessão fechou 105,3 mil lojas.
Já em março de 2020, houve recuo de 14,4% no volume de vendas em relação ao mês anterior. Abril não foi diferente. Há um ano, o tombo foi de -17,7% na comparação entre os meses de abril e março do ano passado. Por outro lado, o setor voltou a registrar avanços em maio. Logo depois, o nível de faturamento mensal se recuperou em agosto.
Entretanto, essa rápida reação do setor só foi possível graças a uma combinação de fatores que permitiram restabelecer as condições de consumo. Entre eles estão o fortalecimento do comércio eletrônico, a flexibilização das medidas restritivas na virada do primeiro para o segundo semestre e a disponibilização do auxílio emergencial.
Vendas nas lojas
Para o especialista em economia da CNC, Fábio Bentes, a segunda onda da doença freou a recuperação do setor:
“Veio perdendo força ao longo do ano, mais especificamente em dezembro. O setor apresentou uma queda bastante expressiva de 6% nas vendas, em comparação ao mês de novembro”.
De acordo com Bentes, a tendência para o primeiro trimestre de 2021 é de crescimento mínimo e possível queda nas vendas, especialmente no mês março.
Para os consumidores, a compra em lojas físicas é fundamental. Dessa forma, na primeira metade do ano, as vendas recuaram 6,1%. O índice de isolamento social chegou a atingir 47% da população no período. As vendas só melhoraram na segunda metade do ano. Com a nova abertura da economia e menos isolamento social, as vendas subiram 17,4%.
Assim sendo, o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) do Distrito Federal, William Baghdassarian, aponta motivos para a queda no consumo. Para ele, os consumidores optam pela compra presencial para ter acesso a mais opções, verificar de perto o produto desejado.
“Na loja você tem o diferencial do atendimento, então, o vendedor pode te trazer algum tipo de informação nova, ele pode contribuir de forma indireta para sua compra.”
Ainda de acordo com o economista, alguns setores, como o alimentício, não estavam preparados para a adaptação do serviço, como delivery.
“Restaurantes conseguem agregar valor exatamente pela experiência do consumidor estar ali, presente. Mas você não consegue agregar valor só pelo nome numa entrega delivery, por exemplo. Esse modelo, em tese, gera menos renda para o comércio varejista em geral”, pontuou.






























