A citricultura brasileira chega a 2026 diante de uma pergunta decisiva: como produzir mais, com qualidade, sustentabilidade e resistência às doenças que pressionam os pomares? Essa será a tônica da 51ª Expocitros e da 47ª Semana da Citricultura, que serão realizadas de 26 a 29 de maio, em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, reunindo pesquisadores, produtores, empresas, técnicos e lideranças do setor.
Considerada a maior feira citrícola da América Latina, a Expocitros 2026 terá como eixo a conexão entre ciência, campo e mercado. No centro dos debates estarão temas como inteligência artificial, automação, sensoriamento, rastreabilidade, bioinsumos, sustentabilidade e fitossanidade, em um momento em que a cadeia de citros precisa tomar decisões cada vez mais estratégicas. A página oficial do evento apresenta a edição de 2026 com o conceito de “360° de inovação, colaboração e futuro para a citricultura”.
A programação técnica será marcada por painéis sobre sustentabilidade, inovação, implantação de pomares, proteção de plantas, manejo de pragas, mercado de fertilizantes, mudanças climáticas, irrigação, qualidade do solo, HLB/greening, comércio internacional e impactos do Acordo Mercosul–União Europeia. Ou seja, a feira não será apenas uma vitrine de produtos: será uma espécie de bússola para o setor, indicando caminhos para a próxima década.
Brasil segue protagonista, mas enfrenta pressão do greening e do clima
O Brasil permanece como potência mundial da citricultura, especialmente na produção de laranja e suco de laranja. No entanto, o setor vive uma fase de alta complexidade. Segundo o Fundecitrus, a safra de laranja 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, alta de 26,9% sobre a safra anterior, mas 6,9% abaixo da projeção inicial. O resultado foi afetado por déficit hídrico, menor peso dos frutos e alta incidência de greening.
Para a safra 2026/27, o sinal amarelo está aceso. A primeira estimativa do Fundecitrus aponta 255,20 milhões de caixas, queda de 12,9% em relação à safra 2025/26 e retração de 14,7% frente à média da última década. A redução esperada está associada à bienalidade dos pomares, à diminuição do número de frutos por árvore, à queda prematura e à pressão fitossanitária.
O maior desafio continua sendo o greening, doença transmitida pelo psilídeo e considerada uma das principais ameaças à citricultura mundial. Levantamento do Fundecitrus divulgado pela CitrusBR apontou que, em 2025, o greening atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Apesar disso, o ritmo de crescimento da doença desacelerou pelo segundo ano consecutivo, indicando algum avanço no manejo e na conscientização dos produtores.
A tecnologia entra no pomar
A Expocitros 2026 ganha relevância justamente porque a citricultura brasileira já não pode depender apenas da experiência acumulada no campo. Hoje, dados, sensores, monitoramento, rastreabilidade, novas variedades, proteção individual de plantas e biotecnologia passam a fazer parte da tomada de decisão.
Entre os destaques da programação está a apresentação de estudos do Instituto Agronômico sobre o microbioma rizosférico de citros, com foco na identificação de bactérias presentes no sistema radicular e na prospecção de potenciais bioinsumos. A pesquisa abre uma janela promissora: se microrganismos já ajudam culturas como soja e milho, por que não poderiam contribuir também para a sanidade e a produtividade de culturas perenes como os citros?
Outro tema estratégico será a proteção individual de plantas para exclusão do psilídeo na formação inicial dos pomares. O assunto é especialmente sensível porque a fase jovem das plantas é decisiva para o futuro produtivo do pomar. Proteger a muda hoje pode significar preservar a rentabilidade de amanhã.
Também estará em pauta o uso de citros geneticamente modificados no controle do HLB, dentro de uma discussão global sobre estratégias biotecnológicas. Ao mesmo tempo, temas tradicionais — como manejo de herbicidas, leprose, pinta preta, podridão peduncular, resistência a fungicidas e manejo de pragas — continuam no centro da agenda.
Mercado externo exige eficiência e competitividade
A citricultura brasileira também olha para fora. O país é referência global no suco de laranja, mas o mercado internacional passa por mudanças importantes. No primeiro semestre da safra 2025/26, entre julho e dezembro de 2025, as exportações brasileiras de suco de laranja somaram 394.764 toneladas, queda de 8,1% em volume, enquanto a receita caiu 23,2%, para US$ 1,44 bilhão, segundo dados da CitrusBR reportados pelo Canal Rural.
Os Estados Unidos ampliaram sua participação como destino do suco brasileiro, enquanto a Europa reduziu as compras, em parte pelo efeito dos preços elevados da safra anterior sobre o consumo. Esse cenário mostra que o setor precisa equilibrar produtividade, custo, qualidade, sustentabilidade e acesso a mercados. Em outras palavras, a citricultura brasileira segue forte, mas precisa afiar suas ferramentas para competir em um tabuleiro mais exigente.
Expocitros também terá homenagens
Durante a abertura, a programação prevê a entrega da medalha Mérito Científico D. Pedro II, do Instituto Agronômico, ao ex-ministro da Agricultura e Pecuária Roberto Rodrigues. A homenagem reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento científico, o IAC, o Estado de São Paulo e a sociedade.
Também serão concedidos o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura ao pesquisador do IAC Hamilton Humberto Ramos, o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira a Walter dos Santos Soares Filho e o Prêmio Centro de Citricultura a José de Alencar Matta.
Serviço
Evento: 51ª Expocitros e 47ª Semana da Citricultura
Data: 26 a 29 de maio de 2026
Horário: 8h30 às 17h20
Local: Rodovia Anhanguera, km 158, Cascalho – Cordeirópolis/SP
Tema central: inovação, sustentabilidade, sanidade, tecnologia e mercado na citricultura.


























