A 7ª Conferência do Cooperativismo de Plataforma realizada nos dias 4, 5 e 6 de novembro no Museu do Amanhã, no Centro (RJ) promoveu um debate sobre o uso da tecnologia. Porém, os resultados dessa modalidade para os trabalhadores ainda precisam ser analisados.
O presidente das coops Comunicoop e Onde Tem Coop, Claudio Montenegro, participou de um dos painéis. Ele apresentou a plataforma OTC (Onde Tem Coop) como uma solução para a divulgação das cooperativas brasileiras. Montenegro exibiu o vídeo de apresentação da cooperativa.
Ainda no domingo, no painel Depoimento dos Trabalhadores, o coletivo de mulheres e pessoas LGBTQIAP+ Señoritas Courier mostrou como as integrantes realizam entregas por meio de bicicletas em São Paulo. Aline OS deu detalhes sobre as dificuldades das integrantes.

Também foi apresentada a plataforma Cataki, que conecta catadores de lixo a pessoas e organizações que precisam reciclar seus lixos. O AppJusto, aplicativo de entregas com abordagem mais justa para os entregadores e o assistente virtual criado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o Contrate Quem Luta.
No sábado, outro tópico que não poderia ficar de fora inclui os apps de corrida e entrega, como Uber e Happy, que usam trabalhadores e insistem em não manter vínculos trabalhistas. Esse foi o tema de Erick Forman, co-fundador da The Drive Cooperative, organização que conta com 7.500 motoristas em Nova York.
Plataformização de motoristas
Forman disse que, enquanto trabalhadores procuravam se organizar, em 2012, surgiu a Uber preparando uma plataforma que iria precarizar ainda mais as condições de trabalho em Nova York.
No domingo, o destaque foi a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, que desenvolve tese que liga a Extrema direita à precarização do trabalho por meio das plataformas Ela estuda o setor de Transportes e a pesquisa utiliza dados de três países: Brasil e Índia e Filipinas.
Considerados emergentes, esses países sofrem o fenômeno da radicalização política. E o Brasil é considerado o caso mais relevante por conta do Bolsonarismo. Envolve ainda a questão de radicalismo político como visto durante o bolsonarismo. Uma das questões é de que a visão da extrema direita é a de um trabalho flexível e uma disciplina rígida.
Para Rosana, o uso de plataformas como Instagram provoca isolamento social, raiva e individualismo. Isso é visto quando camelôs deixam as ruas durante a pandemia e descobrem a venda por meio do Instagram, segundo a pesquisadora.
A pergunta central de sua pesquisa é qual o papel da tecnologia e qual o efeito que isso traz aos Trabalhadores?
Ela adianta que um desses efeitos é a desmobilização, pois o individualismo influenciado pela política autoritária e contrária às regras faz com que até mesmo um camelô acredite que pode ficar rico por meio de vendas em plataformas como o Instagram.
A conferência terminou com um amplo debate. A ideia Geral do evento foi justamente estudar caminhos para a regulamentação do trabalho em plataformas de cooperativas. Mas o consenso dos participantes aponta para a inconclusão quanto aos reais efeitos que a plataformização provocará na sociedade, principalmente nas emergentes, como a brasileira.































