Em um momento histórico para o cooperativismo brasileiro, as cooperativas começam 2025 com expressiva distribuição de sobras e uma nova regulamentação que promete transformar o mercado de seguros no país.
Mas foi com muita luta. O ano anterior foi marcado por congressos e eventos que buscaram o reconhecimento do sistema cooperativo como fator de mudança econômica no Brasil. E o resultado veio com uma nova lei. S que regulamenta as cooperativas de seguros.
“Com a entrada das cooperativas no mercado de seguros, vamos ter um aumento saudável da concorrência neste setor da economia, o que é sempre benéfico para o consumidor final”, afirma Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, entidade que representa as cooperativas de Minas Gerais. A declaração refere-se à Lei Complementar nº 213/2025, que permite às cooperativas atuarem em qualquer ramo de seguros privados.
Sobras: o DNA do cooperativismo
Scucato destaca um diferencial fundamental do sistema: “No cooperativismo, cada cooperado é, ao mesmo tempo, cliente e dono do negócio. E como dono, tem a possibilidade de receber o rateio dos resultados da cooperativa no final de cada exercício, as chamadas sobras.”
De acordo com os especialistas, a nova lei vai impactar o mercado de seguros. Por exemplo, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) projeta um crescimento de 15% ao ano para o setor com a entrada das cooperativas. O impacto será especialmente significativo no seguro automotivo, considerando que 70% da frota brasileira ainda não possui cobertura.
Benefícios e distribuição de sobras
O que mais atraem cooperados são as sobras. E os números são bastante expressivos. Ao iniciar 2025, a Únilos distribuiu R$ 1,8 milhão em juros sobre capital para cooperados da Grande Florianópolis, com rendimento de 4,87%. Simultaneamente, a Credicoamo antecipou R$ 45 milhões em sobras para seus mais de 28,6 mil associados, demonstrando a força do modelo cooperativo.
“Em todos 35 anos da sua existência a Credicoamo sempre distribuiu resultados aos associados. Quanto mais o associado movimenta com a sua cooperativa, mais benefícios ele gera para si mesmo”, explica Alcir José Goldoni, presidente executivo da Credicoamo, exemplificando como o modelo cooperativo se diferencia do sistema financeiro tradicional.
O início de 2025 marca, assim, um novo capítulo para o cooperativismo brasileiro, combinando a tradicional distribuição de sobras com novas oportunidades de mercado, demonstrando que é possível aliar desenvolvimento econômico com distribuição justa de resultados.
Perspectivas internacionais
“Essa conquista representa um passo fundamental para um mercado segurador mais acessível, inovador e alinhado às necessidades dos brasileiros”, acrescenta Scucato, referindo-se ao potencial do setor. O modelo já é consolidado internacionalmente, com cerca de 5 mil cooperativas de seguros em 77 países, atendendo 330 milhões de pessoas e administrando ativos de aproximadamente R$10 trilhões.






























