- Cooperativismo Brasil-Portugal: CoopCafé participou da 3ª Cimeira Internacional em Brasília.
- Evento reuniu líderes do cooperativismo de países de língua portuguesa.
- Destaque para parcerias Brasil-Portugal e fortalecimento da intercooperação.
- CoopCafé fez cobertura exclusiva, entrevistando personalidades do setor.
A 3ª Cimeira Internacional das Cooperativas de Língua Portuguesa, realizada no Centro de Convenções Brasil 21, foi palco de um importante encontro que fortalece ainda mais os laços entre o cooperativismo brasileiro e o português. O programa CoopCafé, com transmissão especial, entrevistou o presidente da OCB/DF, Remi Gorga Neto, e o presidente da Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense (CPP), Paulo Jorge Teixeira. A conversa foi conduzida pelos jornalistas Cláudio Rangel e Cláudio Montenegro.
Um evento de cooperação internacional que inspira
“A efervescência está no ar”, declarou, logo no início, Remi Gorga Neto. Ele ressaltou a satisfação em participar de um evento que não apenas aproxima as cooperativas do Distrito Federal e do Brasil, mas também fortalece as relações com as cooperativas portuguesas e, simultaneamente, com os países de língua portuguesa na África e na Ásia.
Segundo Remi, o projeto, construído em parceria com a CPP, é fruto de um esforço contínuo que visa ampliar a intercoperação lusófona. “Estamos aqui desenhando e construindo há algum tempo essa aproximação, que é estratégica para o futuro do cooperativismo”, enfatizou.

Infraestrutura e intercooperação em destaque
Por sua vez, Cláudio Montenegro destacou a importância do espaço, preparado especialmente pela Cooper System, cooperativa de tecnologia que ofereceu toda a infraestrutura para as gravações do CoopCafé. “É uma alegria muito grande receber o programa aqui e proporcionar aos nossos convidados a oportunidade de compartilhar seus trabalhos e iniciativas que fortalecem o cooperativismo no Brasil e nos países de língua portuguesa”, afirmou.
Além disso, Montenegro salientou o papel essencial da intercooperação: “Estamos ao vivo, com a emoção e o improviso típicos desses momentos, mas com a certeza de que reforçamos, juntos, o papel fundamental do cooperativismo internacional”.
Cooperativismo Brasil-Portugal: uma aliança estratégica
Indagados sobre o impacto da parceria, tanto Remi quanto Paulo Jorge foram categóricos: o trabalho conjunto é de extrema importância.
Remi destacou: “Quando há confiança e parceria de qualidade, sempre há satisfação. Organizamos a Cimeira com muito carinho e atenção para oferecer informações preciosas e fomentar negócios e intercooperação”.
De acordo com ele, painéis sobre formação profissional, qualificação, cooperativismo de crédito e internacionalização enriqueceram o evento. “Reunimos painelistas e especialistas de renome para garantir que o cooperativismo cresça e se desenvolva, especialmente neste que é o Ano Internacional das Cooperativas“, completou.
“A Cimeira Internacional é um marco na construção de uma rede cooperativista lusófona sólida e inovadora”, ressaltou o presidente da Confederação das Cooperativas de Portugal.
Paulo Jorge
Por outro lado, Paulo Jorge pontuou a profundidade da relação entre as organizações: “É um relacionamento humano, de entrosamento e vontade, que vai muito além de interesses comerciais. O Remi é um parceiro com quem continuaremos a fazer muito mais”.
Ele ainda ressaltou que “as organizações se tornam mais humanas quando as pessoas se cruzam e se reconhecem antes mesmo de serem membros das instituições”.
Similaridades e diferenças entre os modelos cooperativos
Ao comentar sobre as semelhanças entre os modelos cooperativistas de Portugal e do Brasil, Paulo Jorge reconheceu: “Temos uma base estrutural e ideológica comum, com os princípios da ACI integrados na nossa Constituição. Contudo, o Brasil criou uma realidade sistêmica exemplar, com leis, organizações e o Sescoop atuando como polos dinamizadores”.
Ele reforçou que o modelo brasileiro serve como referência internacional: “Nunca podemos esquecer que estamos aqui para servir aos membros das cooperativas; se esquecermos disso, não estamos fazendo nada”.
Em contrapartida, Remi destacou o que o cooperativismo brasileiro pode aprender com Portugal: “A Cooperativa do Povo Portuense completou 125 anos. É muita história e experiência. Podemos analisar com atenção como o modelo português evoluiu e, ao mesmo tempo, compartilhar o nosso modelo sistêmico como referência”.
Como surgiu a Cimeira das Cooperativas de Língua Portuguesa?
Em resposta a esta curiosidade, Paulo Jorge explicou que tudo começou em 2012, quando assumiu a presidência da CPP em meio a uma grave crise. Após reconhecer a relevância histórica da instituição, que remonta ao século XIX, ele participou, em 2014, do Summit das Cooperativas em Quebec, Canadá, onde teve uma epifania: “Os problemas do mundo continuam os mesmos, mas as soluções passam pela história, pelo conhecimento e, sobretudo, pela partilha”.
Desde então, ele passou a buscar modelos de cooperação pelo mundo, chegando ao Brasil, onde encontrou um sistema cooperativo sólido e inspirador. “A partir daí, construímos essa parceria, que, com certeza, não começou aqui e nem terminará aqui”, afirmou.
Remi complementou, narrando as edições anteriores: “As duas primeiras Cimeiras foram realizadas em Portugal: a primeira na cidade do Porto e a segunda em Torres Vedras, em 2023”.
Ele explicou que a proposta de realizar a terceira edição em Brasília surgiu após a missão do cooperativismo do Distrito Federal a Portugal, em 2019. “Com a retomada das atividades pós-pandemia e o apoio da OCB Nacional, batemos o martelo e realizamos este importante encontro aqui”, declarou Remi.
Brasília: escolha estratégica para a Cimeira
O presidente da OCB/DF revelou que a escolha de Brasília foi estratégica, não apenas pelo clima agradável desta época do ano, mas também pela realização simultânea da AgroBrasília, uma das maiores feiras de tecnologia do agro do país, organizada pela cooperativa Copadef.
“Vamos levar mais de 200 participantes da Cimeira para conhecerem a AgroBrasília. Será uma experiência fantástica, mostrando a força das cooperativas de agricultura familiar e dos grandes produtores”, disse Remi.
Fortalecimento da Organização Cooperativista dos Países de Língua Portuguesa (OCPLP)
Outro destaque foi a realização da Assembleia Geral da Organização Cooperativista dos Países de Língua Portuguesa (OCPLP), na Casa do Cooperativismo na AgroBrasília. Remi explicou: “É uma entidade importante, que há mais de 30 anos promove, difunde e desenvolve o cooperativismo nos países lusófonos”.
Atualmente, a OCB representa o cooperativismo brasileiro na OCPLP, enquanto outros países participam por meio de federações ou confederações. Paulo Jorge anunciou que a CPP já solicitou formalmente sua adesão à OCPLP, reforçando o compromisso com a criação de soluções e mercados conjuntos.
Cooperação que transforma
Por fim, Remi enfatizou: “Este é um exemplo claro de como a intercooperação transforma. Aprendemos e ensinamos. Fortalecemos laços e criamos oportunidades para que o cooperativismo lusófono avance de forma integrada”.
O CoopCafé especial na 3ª Cimeira Internacional das Cooperativas de Língua Portuguesa, portanto, consolidou-se como um marco na construção de uma rede cooperativista global, conectando pessoas, ideias e propósitos.






























