A nova edição da revista BR Cooperativo chega ao público em maio de 2025, celebrando um dos mais importantes eventos do cooperativismo lusófono: a 3ª Cimeira Internacional das Cooperativas de Países de Língua Portuguesa (CICLP), realizada entre os dias 19 e 21 de maio, em Brasília. A publicação reforça seu compromisso em divulgar as ações que consolidam o cooperativismo como um instrumento essencial para o desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Um idioma, um ideal: os laços que unem o cooperativismo lusófono
A princípio, a Cimeira reafirmou que o idioma português não é apenas um elo cultural, mas também uma plataforma estratégica para a integração econômica entre cooperativas de diferentes nações. Líderes, especialistas e representantes de governos — incluindo Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste — participaram ativamente dos painéis e reuniões.
Logo, ficou evidente que o cooperativismo é uma ferramenta indispensável para enfrentar desafios estruturais, promover inclusão social e fortalecer o desenvolvimento sustentável, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Por exemplo, a forte presença das cooperativas brasileiras no agronegócio foi destacada, especialmente no campo da assistência técnica. No setor, 70% dos agricultores cooperativados contam com apoio especializado, frente aos 20% do agro geral. Isto é, o Brasil se consolida como uma referência internacional em boas práticas no setor.
Painéis simultâneos e novas parcerias
Em seguida, os participantes puderam acompanhar painéis simultâneos sobre temas como internacionalização, logística, governança, educação cooperativista e investimento. De maneira inédita, foi lançada uma parceria bilateral com a criação dos Escritórios de Negócios das Cooperativas do Distrito Federal em Portugal e das Cooperativas Portuguesas no Brasil.
Sem dúvida, uma iniciativa que visa impulsionar negócios bilaterais, fortalecer cadeias produtivas integradas e criar novos mecanismos de comércio solidário.
A força política e institucional do cooperativismo lusófono
A superintendente do Sistema OCB, Tânia Zanella, destacou, em sua apresentação, o papel transformador do cooperativismo brasileiro. Conforme suas palavras: “Eles têm o poder econômico. Nós temos o poder social”.
Ao mesmo tempo, Zanella revelou as estratégias de comunicação que impulsionam a visibilidade do setor, como o movimento “SomosCoop”, além do expressivo alcance do CapacitaCoop, plataforma de ensino a distância que já conta com mais de 120 mil alunos.
Igualmente, a presença ativa da OCB em mais de 80 fóruns do Executivo e no acompanhamento de mais de 5 mil projetos no Congresso Nacional foi lembrada como um exemplo de articulação política robusta. A recente vitória na reforma tributária, que garantiu a preservação do ato cooperativo, evidencia essa força.
Internacionalização e diplomacia cooperativa na 3ª Cimeira
A cimeira também reforçou a diplomacia cooperativa. O Brasil, hoje, mantém acordos com diversos países lusófonos e lidera ações em organismos internacionais.
Além disso, conforme anunciado por Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, o evento abriu portas para a emissão de títulos agrícolas em Portugal, permitindo a captação de recursos para financiar a agricultura brasileira.
“Vamos importar dinheiro português para financiar nossa agricultura e exportar nossos produtos. Essa é a essência da intercooperação”, declarou entusiasmado.
O futuro fala a nossa língua: inovação e sustentabilidade
O debate central da Cimeira foi claro: o futuro do cooperativismo passa pela internacionalização e pela adoção de novas tecnologias. A integração das cadeias produtivas, o investimento em logística para acessar mercados europeus e a modernização dos processos foram apontados como essenciais.
Além disso, destacou-se o papel das cooperativas brasileiras na COP 30, que será sediada em Belém (PA), como exemplo mundial de práticas sustentáveis.
Aliás, é oportuno lembrar que o Brasil já se prepara para mostrar, na conferência, ações concretas de sustentabilidade promovidas pelo setor cooperativo. Dessa forma, reforçando o compromisso com a preservação ambiental.
Coopcafé: o cooperativismo brasileiro no centro das transformações globais
Outro destaque da edição é o resumo da live especial Coopcafé. O programa reuniu especialistas de várias regiões do país para debater o impacto das novas dinâmicas comerciais globais sobre o cooperativismo brasileiro.
Frequentemente, o tema do agronegócio permeou as discussões. Luis Pereira, da OCB/GO, trouxe insights sobre as oportunidades de expansão para mercados como a Índia, onde tecnologias como nano fertilizantes estão sendo incorporadas pelas cooperativas brasileiras.
Enquanto isso, Carolina Bianca Teodoro, do Sistema Ocepar, sublinhou a necessidade de diversificação de mercados e a importância de investimentos em rastreabilidade e sustentabilidade para atender aos mercados mais exigentes, como o europeu.
Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio, analisou os desafios estruturais do setor. Ele destacou destacando gargalos logísticos e financeiros que precisam ser superados para que o Brasil mantenha sua posição estratégica no comércio global de alimentos.
O protagonismo do cooperativismo potiguar
A edição também celebra o êxito do cooperativismo no Rio Grande do Norte, conforme relatado por Eduardo Gatto, presidente do Sistema OCERN. Ele destacou que 2025 será lembrado como um ano histórico, com recordes de cooperativas atendidas e um salto na capacitação de cooperados familiares.
Sem dúvida, um exemplo inspirador de como o cooperativismo pode impulsionar o desenvolvimento regional.
Por fim: um convite à intercooperação contínua
Finalmente, a 3ª Cimeira Internacional das Cooperativas de Países de Língua Portuguesa não foi apenas um evento, mas sim, conforme bem ressaltou Márcio Lopes de Freitas, “um espaço de construção de relações”.
Logo que as lideranças retornaram aos seus países, ficou a certeza de que a cooperação internacional, hoje mais do que nunca, é uma necessidade estratégica para a promoção de um desenvolvimento mais justo, solidário e sustentável.
Assim, a BR Cooperativo reafirma seu papel como veículo essencial para dar visibilidade a essas transformações e convida todos a conhecerem, dialogarem e atuarem no fortalecimento do movimento cooperativista global.
Porque, afinal, como tão bem expressou Fernando Pessoa: “É preciso ser um realista para descobrir a realidade. É preciso ser um romântico para criá-la”. E o cooperativismo lusófono, sem dúvida, combina ambas as qualidades.
Leia aqui a revista. Baixe e divulgue. Ajude o cooperativismo a se propagar.
































