Paris, 5 de junho de 2025 – Em encontro realizado nesta quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente francês Emmanuel Macron reforçaram o otimismo para a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A reunião, que ocorreu em Paris, voltou a colocar o tema no centro das atenções de líderes políticos, empresários e representantes do setor cooperativista brasileiro.
Acordo Mercosul-União Europeia: o que está em jogo?
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia visa criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, facilitando o acesso a mercados, reduzindo tarifas e padronizando normas técnicas. Para o Brasil, esse acordo representa sobretudo oportunidades e desafios, especialmente para o setor cooperativista, um dos pilares da economia nacional.
Lula e Macron: sinal verde para o diálogo
De acordo com informações do Palácio do Planalto, Lula destacou durante a reunião com Macron a importância de concluir o acordo ainda em 2025. O presidente brasileiro ressaltou que o entendimento entre os blocos pode impulsionar o desenvolvimento sustentável, gerar empregos e fortalecer laços comerciais.
“Estamos otimistas. O acordo é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, da América do Sul e da Europa. Queremos um comércio justo, sustentável e que beneficie todos os setores, inclusive os pequenos produtores e cooperativas,” afirmou Lula.
Cooperativismo Brasileiro: oportunidades e desafios do Mercosul
O setor cooperativista brasileiro acompanha de perto as negociações e manifesta opiniões diversas sobre o acordo Mercosul-União Europeia. Entidades como a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) têm se posicionado publicamente sobre o tema.
Principais oportunidades apontadas pelas cooperativas
- Acesso a Novos Mercados: O acordo pode abrir portas para produtos brasileiros, especialmente do agronegócio cooperativista, como soja, café, carnes e laticínios, ampliando as exportações para países europeus.
- Valorização da Qualidade: A exigência de padrões mais altos de qualidade e sustentabilidade pode impulsionar a inovação e agregar valor aos produtos das cooperativas.
- Fortalecimento do Setor: A entrada em mercados exigentes pode estimular o desenvolvimento tecnológico e a profissionalização das cooperativas brasileiras.
Principais desafios e preocupações
- Concorrência Desigual: Cooperativas de pequeno e médio porte temem não conseguir competir com grandes empresas europeias, devido à diferença de escala e acesso a recursos.
- Barreiras Não Tarifárias: Regras sanitárias e técnicas rigorosas podem dificultar o acesso efetivo ao mercado europeu, beneficiando mais grandes exportadores.
- Impactos Socioambientais: Entidades cooperativistas alertam para a necessidade de garantir que o acordo promova o desenvolvimento sustentável e proteja comunidades rurais.
Declarações de lideranças cooperativistas
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, vê o acordo como uma grande oportunidade, mas ressalta a necessidade de apoio governamental para que as cooperativas possam se adaptar às exigências do mercado europeu.
“O acordo Mercosul-União Europeia representa uma janela estratégica para o cooperativismo brasileiro, especialmente para o agronegócio. No entanto, é fundamental que haja políticas públicas que auxiliem as cooperativas a atenderem aos padrões internacionais de qualidade e sustentabilidade, garantindo competitividade e inclusão de todos os portes de cooperativas no processo de internacionalização,” afirma Márcio de Freitas.
Já para o presidente da Unicafes, Denis Monteiro, é preciso cautela e atenção especial aos pequenos produtores:
“A abertura do mercado europeu pode trazer benefícios, mas também riscos para a agricultura familiar e as pequenas cooperativas. É essencial que o acordo contenha salvaguardas e mecanismos de apoio para evitar que essas organizações sejam prejudicadas pela concorrência internacional e para promover a inclusão produtiva e social no campo,” destaca Monteiro.
Em resumo, o encontro entre Lula e Macron em Paris representa um passo importante para a retomada das negociações entre Mercosul e União Europeia. Para o cooperativismo brasileiro, o acordo pode ser uma oportunidade histórica de crescimento, desde que sejam implementadas medidas que garantam competitividade, inclusão e sustentabilidade para todos os atores do setor.






























