O Banco Central surpreendeu o mercado ao elevar a taxa Selic para 15% ao ano, superando as expectativas de fechamento em 14,75%. Ou melhor, surpreendeu parte do mercado. A decisão teve por base o que os técnicos consideram como o cenário de inflação persistente e necessidade de controle monetário. E traz impactos imediatos para toda a economia brasileira — das famílias e empresas às cooperativas de crédito.
Para entender melhor esses efeitos, ouvimos a orientadora financeira Myrian Lund, que comentou o tema em entrevista ao podcast especial do Coocafé.
Empréstimos mais caros e desafios para cooperativas
Segundo Myrian Lund, o aumento da Selic encarece todas as modalidades de empréstimo, afetando tanto pessoas físicas quanto jurídicas e, especialmente, as cooperativas de crédito. “Primeiro, os empréstimos ficam mais caros. Então, isso vai afetar os cooperados, quer dizer, as necessidades de recurso. Todas as modalidades acabam tendo um incremento”, explica.
Além disso, as cooperativas precisam oferecer taxas de captação mais altas para atrair investidores, o que pressiona ainda mais sua gestão financeira. “Para aquele que é investidor, a taxa mais alta é sempre favorável. Mas para uma cooperativa de crédito, se ela fez empréstimos com taxa pré-fixada, à medida que a taxa de juros aumenta e ela precisa pagar mais na captação, isso pode afetar o fluxo de caixa da cooperativa, podendo reduzir as sobras”, alerta Lund.
Gestão eficiente é fundamental
Diante desse cenário, Myrian destaca a necessidade de uma gestão ainda mais eficiente por parte das cooperativas. “A cooperativa tem que ter uma condição de gastos controlados e uma gestão mais eficiente para poder manter o mesmo nível de ganho”, afirma. Ela lembra que a elevação da Selic pode aumentar a inadimplência e que há uma tendência dos brasileiros buscarem taxas pré-fixadas, o que pode gerar um descompasso financeiro para as instituições.
E para o investidor, o que muda com a nova taxa Selic?
Apesar do aumento da Selic, Myrian Lund orienta que a decisão sobre investimentos deve ser guiada pelos objetivos pessoais, e não apenas pela taxa de juros. “O que você precisa pensar, em primeiro lugar, não é a taxa, é nos seus sonhos e seus objetivos de vida. Reserva de curto prazo, reserva de emergência, reserva para aposentadoria e reserva para os sonhos”, aconselha.
Ela recomenda que a reserva de emergência continue sendo aplicada em produtos de liquidez diária, como o RDC ou fundos DI das cooperativas. Para aposentadoria, a previdência complementar segue como uma excelente opção, já que o imposto incide apenas no resgate e a rentabilidade acompanha o CDI. Já para reservas de médio e longo prazo, opções como LCI/LCA próximas de 90% do CDI podem ser vantajosas, por serem isentas de imposto de renda.
“Não há mudança, não há nada que faça com que você repense ou refaça os produtos, como o mercado vem alertando. O importante é sempre objetivar os seus sonhos e avaliar se os produtos escolhidos estão adequados”, resume Lund.
Taxa Selic: oportunidades e expectativas
A especialista também destaca que, no cenário atual, muitos produtos diferenciados não conseguem superar o rendimento do CDI, tornando os investimentos via cooperativas ainda mais atraentes. “É uma excelente oportunidade. Agora, quando a gente fala da cooperativa, onde você, cooperado, também é dono, ela precisa ser eficiente para continuar gerando as sobras tão esperadas”, diz.
Por fim, Myrian Lund acredita que a Selic pode ter atingido seu limite e espera que, nos próximos períodos, haja espaço para uma redução gradual da taxa.































