A doutoranda e pesquisadora Adriana Amaral realizou ontem o lançamento virtual de seu mais recente livro “O Cooperativismo – Recepção, Circulação e Construção das Ideias Cooperativas do Brasil Império”. O evento híbrido foi transmitido ao vivo no canal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), em 3 de julho de 2025 O evento fez parte do projeto “Saindo do Prelo”, iniciativa do IAB para lançamentos literários.
Uma pesquisa que reescreve a história
Aliás, a obra traz uma revelação importante: contrariando o senso comum de que o cooperativismo brasileiro teria surgido apenas no período republicano (1889-1890), Adriana Amaral descobriu, através de extensa pesquisa em hemerotecas digitais e arquivos históricos, que as ideias cooperativistas já circulavam no Brasil desde 1819, ainda durante o período imperial.
“Todos os livros diziam que a primeira cooperativa no Brasil começa em 1889 ou 1890. Mas me deixava muito curiosa saber como essas ideias chegaram aqui”, explicou a autora durante sua apresentação. “Comecei a fazer uma pesquisa casual na hemeroteca digital e encontrei material desde 1819 referenciando os precursores do cooperativismo.”
Pensadores e influências
Certamente, todo movimento conta com o primeiro passo. A pesquisa destaca a influência de pensadores como Robert Owen, Charles Fourier e Saint-Simon, considerados socialistas precursores do cooperativismo. E suas ideias circulavam entre intelectuais e políticos brasileiros do século XIX.
Portanto, a trajetória do movimento cooperativista é de longa data. Adriana Amaral ressaltou figuras brasileiras importantes que defenderam o cooperativismo antes mesmo da República, como:
- Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva (1841)
- Antônio Pedro de Figueiredo, pernambucano que traduziu obras sobre o tema
- José de Abreu e Lima, que escreveu sobre socialismo em 1856
- Bernardo de Souza Franco, do Pará
- Antônio Ferreira Viana, membro do IAB
- Afonso Celso de Assis Figueiredo (Visconde de Ouro Preto)
Cooperativas pioneiras
O livro documenta cooperativas que existiram no Brasil Imperial, como:
- Associação Popular Cooperativa Predial (São Paulo, 1869)
- Cooperativa Popular Predial do Recife (1872)
- Cooperativa do Pão (Niterói, 1876)
- Cooperativa da Raça Negra (1888), formada por recém-libertos
Mesa de debates
Logo depois da apresentação da obra, o evento contou com a participação do presidente da Comissão de Direito Cooperativo do IAB, Paulo Renato, da professora Carmen Lúcia (orientadora da autora no programa de pós-graduação em Sociologia e Direito da UFF), e do professor Carlos Ziller.
A professora Carmen destacou a importância do “estranhamento” como método de pesquisa: “Ela precisava tornar esse familiar estranho. E a opção que ela tomou foi adequada, porque esse retroagir para a história do cooperativismo permitiu esse estranhamento.”
Relevância atual
Durante o evento, foi destacada a importância da pesquisa para o direito cooperativo contemporâneo, especialmente em um momento em que se discute a legalidade das cooperativas de advogados, tema que a própria autora abordou em um parecer favorável.
“Nós não temos como avançar para o futuro sem sabermos o que aconteceu no passado, quais foram as bases que construíram esse instituto do direito cooperativo e do próprio cooperativismo”, afirmou Paulo Renato.
Assim, o livro, financiado pela cooperativa da qual a autora faz parte, terá sua renda revertida para o fundo de assistência educacional e técnica da mesma instituição, reforçando na prática os princípios cooperativistas defendidos na obra.
Veja aqui o vídeo do lançamento




























