O segundo dia da Conferência Mundial de Cooperativas de Crédito 2025, realizada em Estocolmo entre os dias 15 e 17 de julho, na Suécia, foi marcado por discussões sobre como as cooperativas de crédito podem transformar desafios globais em oportunidades de crescimento. O evento reúne profissionais do setor de todo o mundo. E os destaques são temas como segurança cibernética, inclusão financeira e adaptação às mudanças climáticas e tecnológicas.
Paul Treinen, CEO interino do Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU), abriu a apresentação analisando o mometo poítico de poarização cada vez maior. De acodo com ele, vivemos momentos de incertezas nos mercados globais além de uma expansão do papel governamental por meio de regulamentações. Mas esses fators não o desanimam:
“Não somos estranhos às mudanças e provamos repetidamente nossa capacidade de adaptação — não apenas reagindo, mas abraçando e liderando proativamente essas transformações”, afirmou Treinen durante a segunda sessão geral da conferência.
Dessa forma, o executivo destacou o modo como as cooperativas de crédito já responderam às mudanças trazidas pela pandemia global. São as tecnologias disruptivas e o aquecimento global os fatores que incentivam os profissionais do setor a se adaptarem ainda mais para impulsionar o movimento.
Treinen também detalhou as novas prioridades estratégicas do WOCCU, anunciadas inicialmente pelo presidente do Conselho, Michael Lawrence, na segunda-feira. As novas diretrizes enfatizam uma defesa mais proativa, melhoria nos serviços aos associados e uma conexão mais forte com o movimento cooperativo global.
“Queremos que todos saibam que estamos ouvindo. Estamos recebendo a mensagem alto e claro. Sabemos o que é importante para vocês. É por isso que, como líder deste movimento, o Conselho Mundial não deve apenas se adaptar — devemos afirmar nosso valor de forma mais contundente e eficaz do que nunca”, ressaltou.
Confiança digital como pilar fundamental
A especialista em cibersegurança Confidence Staveley apresentou o primeiro discurso principal da conferência. Em tom de alarme, ela destacou a necessidade da criação de um ambiente digital confiável para as cooperativas de crédito.

Segundo Staveley, as ferramentas online em que as pessoas mais confiam são justamente os alvos da nova geração de criminosos digitais. Entretanto, ela alertou que muitas cooperativas podem não estar cientes de suas vulnerabilidades.
“Uma vez que conseguem atingir nossos pontos fracos — como alguns serviços terceirizados para outros países ou centrais de atendimento — eles conseguem usar esses serviços e outras áreas para nos atacar”, explicou. “Todos que têm acesso às suas ferramentas, todos a quem você concedeu acesso aos serviços, são potenciais caminhos para comprometer sua verificação de confiança digital.”
A especialista enfatizou a importância de as cooperativas fazerem perguntas específicas sobre a proteção de seus associados, tanto internamente quanto a terceiros. “Devemos garantir e exigir que os fornecedores ofereçam verificação de identidade resistente a phishing para suas próprias equipes. Você deve garantir que seu próprio sistema também seja adequadamente projetado e protegido.”
Inclusão financeira e combate à lavagem de dinheiro
O público também assistiu a uma entrevista em vídeo conduzida por Paul Andrews, Vice-Presidente de Advocacia Internacional do WOCCU, com Tom Neylan, Chefe de Políticas do Grupo de Ação Financeira Internacional (FATF) — principal organismo internacional que estabelece padrões sobre combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo (AML/CFT).
Andrews conversou com Neylan sobre a recente orientação do FATF, que inclui linguagem defendida pelo WOCCU incentivando governos e reguladores nacionais a identificar onde as regulamentações de AML/CFT podem ser proporcionalmente adaptadas para instituições de menor risco, como as cooperativas de crédito.
“Ter uma abordagem mais leve em termos de programas AML/CFT, quando justificado, pode facilitar os negócios — e particularmente permite que as cooperativas de crédito atendam pessoas que enfrentariam obstáculos para acessar serviços financeiros formais. Pessoas com dificuldades para documentar sua identidade ou endereço seriam um exemplo”, explicou Neylan.
Sessões de conexão e colaboração
Dessa forma, uma novidade na Conferência Mundial de Cooperativas de Crédito em 2025 foi muito bem recebida pelos participantes. A iniciativa “Conectar e Colaborar” consistiu em workshops de networking. Elase permitiram aos participantes engajar-se em discussões estruturadas para aproveitar a expertise coletiva na resolução de desafios em suas próprias cooperativas.
Os participantes dos os workshops foram divididos em dois grupos. Um deles, de cooperativas grandes. Outro, das cooperativa menores. Dessa forma, o evento contou com uma plataforma para compartilhamento de experiências e desafios, sobretudo promovendo a resolução colaborativa de problemas e permitindo construir relacionamentos profissionais duradouros.
“Compartilhamos praticamente os mesmos problemas. Embora alguns estejam avançados , enquanto outros ainda estão se desenvolvendo, acreditamos que esta conferência, ao nos reunir com pessoas de todo o mundo, ajudará a desenvolveras cooperativas emergentes”, disse Farida Toma Haji Bashir, Diretora do Conselho da Boresha DT SACCO Society Ltd. (Quênia).
Além disso, Pat Pierce, Presidente e CEO da City & County Credit Union (Minnesota) e Presidente do Conselho de Administração da America’s Credit Unions, destacou o valor de compartilhar informações sobre questões administrativas com profissionais do setor de outros países.
“Tivemos boas conversas com pessoas da Irlanda, do Sicredi do Brasil e também dos EUA. Foi muito bom; gostei bastante. Houve todo tipo de tópicos — licença parental, planejamento de sucessão e outras questões”, comentou Pierce, acrescentando que isso definitivamente o fez pensar diferente sobre vários assuntos.
Próximos passos
A Conferência Mundial de Cooperativas de Crédito 2025 continua nesta quarta-feira. Em resumo, a programação final terá discurso de Eric Termuende sobre o futuro do trabalho e uma sessão sobre a intersecção entre tecnologias emergentes e políticas regulatórias. Uma celebração no Stockholm Waterfront Congress Center encerra o evento .
O Portal BR Cooperativo acompanha os principais eventos do cooperativismo mundial, trazendo informações relevantes para o fortalecimento do movimento cooperativista brasileiro.































