O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (17), manter a taxa Selic em 15% ao ano, em linha com a estratégia de garantir a convergência da inflação à meta no chamado horizonte relevante de política monetária, que atualmente situa-se em 3,4% no cenário de referência.
De acordo com o comunicado, a decisão reflete o ambiente de elevada incerteza interna e externa, que exige cautela e vigilância redobrada na condução da política monetária. O Copom ressaltou que a manutenção dos juros em patamar contracionista por período prolongado é essencial para conter pressões inflacionárias e reancorar expectativas do mercado.
Riscos de alta e baixa para a inflação
O Banco Central destacou que os riscos para a inflação permanecem mais elevados do que o usual, tanto no campo de alta quanto no de baixa.
Entre os riscos de alta estão:
- Possível desancoragem das expectativas de inflação por tempo prolongado.
- Maior resiliência dos serviços, puxada por um mercado de trabalho aquecido e hiato do produto mais positivo.
- Impacto de fatores externos e internos, como taxa de câmbio mais depreciada e políticas econômicas que elevem os preços.
Por outro lado, entre os riscos de baixa aparecem:
- Desaceleração mais acentuada da economia doméstica.
- Cenário global mais fraco, em meio a choques comerciais e incertezas.
- Queda nos preços das commodities, com efeito desinflacionário.
Pressões internas e externas
O Copom afirmou que segue atento aos desdobramentos da política fiscal no Brasil e às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, avaliando seus reflexos sobre a política monetária e os ativos financeiros.
No comunicado, a autoridade monetária destacou que o atual quadro combina:
- Expectativas desancoradas de inflação.
- Projeções ainda elevadas para os próximos anos.
- Atividade econômica resiliente.
- Pressões no mercado de trabalho.
Esses fatores reforçam a necessidade de juros elevados por mais tempo a fim de garantir estabilidade de preços.
Projeções de inflação
Na Tabela 1 divulgada pelo Copom, as projeções de inflação no cenário de referência ficaram assim:
| Índice de Preços | 2025 | 2026 | 1º tri 2027 |
|---|---|---|---|
| IPCA | 4,8% | 3,6% | 3,4% |
| IPCA Livres | 5,0% | 3,5% | 3,3% |
| IPCA Administrados | 4,3% | 3,8% | 3,8% |
Os números reforçam que o processo de desinflação será gradual, exigindo política monetária firme para trazer o IPCA de volta à meta.
Próximos passos da política monetária
O Comitê enfatizou que os futuros passos da política monetária dependerão da evolução dos dados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste de juros caso seja necessário.
“A decisão de manter a taxa básm, aca de juros é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, sem prejuízo da suavização das flutuações do nível de atividade econômica e do fomento ao pleno emprego”, destacou o comunicado.
Assim, a decisão foi unânime entre os nove membros do Copom, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.






























