As negociações entre Mercosul e Japão começam a ganhar força e, com elas, surgem novas oportunidades estratégicas para empresas e cooperativas brasileiras. Representantes da indústria do Brasil e do Japão oficializaram nesta terça-feira (9), em São Paulo, um posicionamento conjunto em apoio à criação de um Acordo de Parceria Econômica entre o bloco sul-americano e o país asiático.
O anúncio ocorreu durante a 26ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-Japão (Cebraj), organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Fiesp e a Keidanren, a Federação das Organizações Econômicas do Japão. O encontro reuniu mais de 200 lideranças empresariais, sinalizando que, finalmente, a integração entre os dois mercados pode avançar de maneira concreta.
Por que o acordo Mercosul-Japão é estratégico para o Brasil?
De acordo com o presidente interino da Fiesp, Rafael Cervone, o Japão é um parceiro histórico e estratégico, capaz de diversificar a produção brasileira e ampliar a competitividade da economia nacional. Para ele, o Acordo Mercosul-Japão abre um mercado dinâmico e fortalece cadeias produtivas em áreas como agropecuária sustentável, biocombustíveis, transição energética e inovação tecnológica.
Esse cenário representa também uma chance valiosa para as cooperativas brasileiras, especialmente as do setor agropecuário, que poderão explorar nichos de exportação de café, ao mesmo tempo em que terão acesso a tecnologia de ponta japonesa.
Comércio Brasil-Japão: dados que reforçam a parceria
Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e Japão somou US$ 11 bilhões. As exportações brasileiras concentram-se em minério de ferro, café e frango, enquanto o Japão envia ao Brasil máquinas, veículos e produtos eletrônicos.
Um estudo recente da CNI revela que, em 2023, cada bilhão de reais exportado para o Japão gerou 24,4 mil empregos no Brasil, além de movimentar R$ 424,8 milhões em massa salarial. No mesmo período, os investimentos japoneses no país chegaram a US$ 35,2 bilhões, crescimento
O que defendem os líderes empresariais
O presidente do Comitê Econômico Japão-Brasil da Keidanren, Tatsuo Yasunaga, destacou que um Acordo Econômico Abrangente (AEA) é essencial para aprofundar a relação entre as duas regiões. Segundo ele, é preciso avançar na diversificação das cadeias globais de suprimentos e transformar a aproximação entre o Indo-Pacífico e o Mercosul em um motor de desenvolvimento mútuo.
Além disso, a mineradora Vale reforçou o caráter histórico da parceria, lembrando os 70 anos de comércio com o Japão. Hoje, a empresa e seus parceiros japoneses atuam em soluções do briquete verde, tecnologia capaz de reduzir drasticamente as emissões de CO₂.
Próximos passos
A Declaração Conjunta do Cebraj será apresentada nesta quinta-feira (11), em Brasília, durante a 15ª Reunião do Comitê Conjunto de Promoção de Comércio e Investimento e Cooperação Industrial, reunindo representantes do MDIC e do METI, além de cerca de 50 autoridades brasileiras e japonesas.
Oportunidades concretas para cooperativas brasileiras
Seja no agro, na energia limpa ou na tecnologia, o Mercosul-Japão começa a desenhar uma rota de crescimento que pode beneficiar diretamente o cooperativismo brasileiro. Afinal, quem melhor do que as cooperativas para liderar a exportação sustentável.
O programa também contou com uma sessão especial dedicada ao empreendedorismo feminino, reforçando o compromisso dos dois países em ampliar a participação das mulheres na economia.



























