A Casa Cooperativa Nova Petrópolis conduziu, entre os dias 26 e 28 de maio, uma missão técnica a Sunchales, na Argentina, ao lado do Comitê Geração C da OCERGS e de representantes do cooperativismo gaúcho. A viagem teve como objetivo conhecer, na prática, um dos mais reconhecidos ambientes cooperativistas da América Latina.
Sunchales, localizada na província de Santa Fe, é chamada de Capital Nacional do Cooperativismo na Argentina. A cidade se destaca por reunir cooperativas, instituições de ensino, organizações comunitárias, espaços de memória e iniciativas de educação cooperativa que ajudam a formar uma cultura local baseada na cooperação. A própria Prefeitura de Sunchales destaca que o município é sede de importantes organizações cooperativas, como a Sancor Cooperativas Unidas e o Grupo Sancor Seguros.
O que é o ecossistema de Sunchales?
O chamado ecossistema cooperativo de Sunchales é o conjunto de instituições, práticas, espaços públicos, empresas cooperativas, escolas, entidades sociais e lideranças que fazem do cooperativismo uma experiência cotidiana na cidade.
Em outras palavras, não se trata apenas da presença de cooperativas formais. O modelo envolve educação, cultura, memória, economia, juventude, diálogo comunitário e desenvolvimento local. É como uma árvore: as cooperativas são o tronco, mas as raízes estão nas escolas, nas famílias, nas lideranças e nos valores transmitidos de geração em geração.
Esse ecossistema inclui, por exemplo, cooperativas escolares, o Instituto Cooperativo de Enseñanza Superior, a Fundación Grupo Sancor Seguros, cooperativas de produção e serviços, monumentos, espaços de diálogo e experiências de intercooperação. O ICES descreve Sunchales como um distrito cooperativo marcado pela presença histórica de organizações como SanCor e Grupo Sancor Seguros, com impacto no desenvolvimento econômico e social da cidade.
Cooperativismo como identidade local
Logo no primeiro dia da missão, a comitiva conheceu símbolos importantes do município, como o Monumento ao Cooperativismo Argentino, a Praça Nova Petrópolis e a primeira colheitadeira autopropelida do mundo. Esses pontos ajudam a contar a história de uma cidade em que o cooperativismo não aparece apenas nos prédios, mas também na memória coletiva.
A visita reforçou uma pergunta central para o cooperativismo brasileiro: como transformar princípios em prática cotidiana? Em Sunchales, a resposta aparece nas escolas, nas empresas, nos espaços públicos e nas relações comunitárias.
Educação cooperativa foi o fio condutor da missão
Um dos momentos mais significativos da agenda ocorreu no Instituto Cooperativo de Enseñanza Superior, onde o grupo participou de painéis com a Fundación Grupo Sancor Seguros, com o próprio instituto e com o Comitê de Jovens da OCERGS.
A educação foi o grande eixo da viagem. A comitiva visitou cooperativas escolares locais, como Ma.S., Sunchalita, UPA, Experiencia Joven e Cooper-ar. Nessas experiências, crianças e adolescentes são estimulados a participar de decisões coletivas, assumir responsabilidades e compreender o valor da cooperação desde cedo.
A Fundación Grupo Sancor Seguros define a cooperativa escolar como uma associação de alunos, promovida por docentes, mas dirigida pelos próprios estudantes, com o objetivo de desenvolver responsabilidades cívicas, sociais, morais e econômicas.
Para Heloísa Helena Lopes, presidente da Casa Cooperativa Nova Petrópolis, a experiência trouxe aprendizados diretamente ligados à missão da entidade.
“Para a Casa Cooperativa, que tem na educação cooperativa um dos seus principais caminhos de atuação, essas visitas foram especialmente inspiradoras. Elas mostram que o cooperativismo não precisa ser aprendido apenas em palestras ou materiais teóricos. Ele também pode ser vivido na escola, nas conversas, nos projetos e nas pequenas decisões do cotidiano”, afirmou.
Visitas técnicas ampliaram a visão dos participantes
A programação também incluiu visitas à Cooperativa Ganadera de Sunchales Ltda., ao Espacio de Diálogo Interreligioso e ao Grupo Sancor Seguros. Com isso, os participantes puderam observar como o cooperativismo local atravessa diferentes áreas da vida comunitária, da produção à educação, da espiritualidade ao desenvolvimento econômico.

A missão reforçou ainda os laços históricos entre Nova Petrópolis e Sunchales. Assim, as duas cidades são irmãs. Ccompartilham o título de capitais nacionais do cooperativismo em seus respectivos países. E a relação começou oficialmente em 2010 durante evento internacional realizado no Rio Grande do Sul.
Inspiração para o cooperativismo brasileiro
A missão técnica mostrou que Sunchales pode servir como referência para cidades, cooperativas e entidades interessadas em fortalecer a cultura cooperativista. Afinal, quando a cooperação deixa de ser apenas discurso e passa a orientar a educação, a economia e a vida comunitária, ela se transforma em caminho concreto de desenvolvimento.
Para a Casa Cooperativa Nova Petrópolis e para o cooperativismo gaúcho, a experiência na Argentina reforça a importância de investir em formação, juventude, intercooperação e memória. Mais do que conhecer uma cidade, a comitiva entrou em contato com um modelo de comunidade onde o cooperativismo é vivido como identidade, prática e projeto de futuro.
FAQ
O que é o ecossistema cooperativo de Sunchales?
É o conjunto de cooperativas, escolas, instituições de ensino, entidades comunitárias, espaços públicos e práticas culturais que fazem do cooperativismo parte da identidade da cidade argentina.
Por que Sunchales é referência no cooperativismo?
Porque a cidade reúne organizações cooperativas de grande relevância, cooperativas escolares, instituições de formação e espaços de memória ligados ao movimento cooperativista.
Qual a relação entre Nova Petrópolis e Sunchales?
As duas cidades são irmãs e reconhecidas como capitais nacionais do cooperativismo em seus países, Brasil e Argentina.




























