O programa Coopera+ Amazônia investirá R$ 103 milhões no fortalecimento de 50 cooperativas extrativistas do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia. A iniciativa terá duração de 48 meses, entre 2026 e 2030, e deverá beneficiar aproximadamente 6 mil famílias que trabalham com produtos da sociobiodiversidade amazônica.
O programa conta com a administração do Sebrae Nacional. Os recursos são do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa também envolve o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Sistema OCB e outras instituições ligadas ao desenvolvimento sustentável.
O objetivo é melhorar a gestão das cooperativas, modernizar as estruturas produtivas, agregar valor aos produtos extrativistas e ampliar o acesso aos mercados nacional e internacional. Ao mesmo tempo, o programa busca elevar a renda das comunidades e estimular atividades econômicas que mantenham a floresta em pé.
Programa apoia produtos da sociobiodiversidade
As ações do Coopera+ Amazônia alcançarão cadeias produtivas como açaí, babaçu, cupuaçu e castanha-do-brasil. Além disso, cooperativas atendidas no primeiro ciclo atuam com café, cacau, buriti, borracha e polpas de frutas.O programa oferecerá diagnóstico e acompanhamento técnico, consultorias especializadas, assistência aos produtores, capacitação de lideranças e aquisição de equipamentos. Igualmente, estão previstas iniciativas de inteligência de mercado, compras coletivas e apoio à comercialização.
A formalização do investimento ocorreu em 30 de julho de 2026. A partir da assinatura, o Sebrae iniciou as contratações de consultorias, serviços, equipamentos e demais soluções previstas nos planos de melhoria elaborados com as cooperativas.
Imersão reúne cooperativas em Rio Branco
Entre os dias 17 e 19 de setembro, o programa realizou sua primeira imersão em Rio Branco, no Acre. O encontro reuniu 48 representantes de 24 cooperativas agroextrativistas do Pará, de Rondônia e do Maranhão.Durante a programação, os participantes discutiram gestão, inovação, organização produtiva, acesso a mercados e governança. Além disso, visitaram a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, a CooperAcre.
A central reúne 12 cooperativas singulares e atende 5.352 famílias em 20 dos 22 municípios acreanos. Atualmente, a CooperAcre se destaca na produção de castanha-do-brasil beneficiada, bem como nas cadeias da borracha e das polpas de frutas.
Na visita técnica, os representantes conheceram as unidades de beneficiamento e as estratégias utilizadas pela cooperativa para organizar a produção, agregar valor e comercializar os produtos.
Cooperativismo aproxima a floresta do mercado
A imersão também fez parte da programação do Inova Amazônia Summit, que reuniu cerca de 7 mil participantes e promoveu 35 painéis sobre bioeconomia, inovação e empreendedorismo.
Um dos debates abordou o tema “Da floresta ao mercado: o cooperativismo extrativista como caminho de desenvolvimento sustentável”. Participaram Manoel Matos, presidente da Ascosper; Valdemiro Rocha, presidente da OCB/AC; Manuele de Miranda, gerente do Sicoob Credisul; e Ana Carolina Westrup, coordenadora do Coopera+ Amazônia no Sebrae Nacional.
Primeiro ciclo reúne 24 cooperativas
O primeiro ciclo do Coopera+ Amazônia atende oito cooperativas do Pará, nove de Rondônia e sete do Maranhão. As organizações representam comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, bem como empreendimentos com forte participação de mulheres e jovens.Algumas dessas cooperativas já vendem para mercados institucionais e internacionais. Outras possuem agroindústrias comunitárias, certificação orgânica ou unidades próprias de beneficiamento.
Entretanto, os níveis de estruturação são diferentes. Por isso, o programa deverá adaptar o acompanhamento às necessidades de cada organização, desde a melhoria da governança até a abertura de novos canais de comercialização.
Fórum amplia participação das cooperativas
Os participantes aproveitaram a imersão e criaram o Fórum de Cooperativas do Coopera+ Amazônia. O grupo será formado por nove delegados e nove suplentes territoriais, escolhidos por polos.
O Fórum funcionará como espaço permanente de diálogo, articulação e participação das cooperativas nas decisões do programa. Maria Divina Lopes, da Coomara, e Anderson Uruam Suruí, da Coopaiter, foram escolhidos para representar o colegiado no Comitê de Governança.
O Sistema OCB, por sua vez, conduzirá a formação voltada à cultura cooperativista, contemplando duas lideranças de cada organização. A entidade também avalia contribuir com assistência técnica específica para o agroextrativismo.
Além do Sistema OCB, participam da governança o MDIC, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Sebrae Nacional e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.
Para saber mais!
O que é o Coopera+ Amazônia?
O Coopera+ Amazônia é um programa voltado ao fortalecimento das cooperativas extrativistas e ao desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia Legal. A iniciativa oferece assistência técnica, capacitação, equipamentos e apoio comercial.
Quanto será investido?
O investimento divulgado após a formalização do projeto é de R$ 103 milhões, com recursos majoritariamente provenientes do Fundo Amazônia.
Quantas cooperativas serão atendidas?
O programa atenderá 50 cooperativas do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia ao longo de quatro anos.
Quem será beneficiado?
A estimativa é alcançar aproximadamente 6 mil famílias ligadas à produção extrativista e às cadeias da sociobiodiversidade.























