O cooperativismo de crédito voltou a ser o centro das atenções em João Pessoa (PB), durante o 7º Encontro do Banco Central sobre o Aprimoramento na Metodologia de Supervisão das Cooperativas de Crédito – Sistema de Riscos e Controles (SRC). O evento, realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), reuniu autoridades e lideranças do setor para debater o futuro da supervisão, governança e resiliência das cooperativas financeiras no país.
A mesa de debates foi coordenada por Celso Régis, presidente da Confebras, com a participação de Adalberto Felinto da Cruz Júnior e Ives Aruã Neves de Miranda, respectivamente chefe e chefe adjunto do Departamento de Supervisão de Cooperativas e Instituições Financeiras (Desic) do Banco Central do Brasil.
Crescimento das cooperativas exige nova abordagem do Banco Central
Durante o encontro, Adalberto Felinto destacou que o fortalecimento do controle e da supervisão é essencial para garantir a estabilidade do sistema cooperativista. Segundo ele, “as cooperativas de crédito cresceram muito e, quanto maior o sistema, mais atenção é necessária”.
O representante do BC ressaltou ainda que o segmento já ultrapassa R$ 1 trilhão em ativos, o que justifica a ampliação das metodologias de acompanhamento e o desenvolvimento do Sistema de Riscos e Controles (SRC).
“O cooperativismo oferece produtos mais baratos e eficientes que o sistema financeiro tradicional. Está presente em locais onde os bancos não chegam. O nosso papel é garantir estabilidade e fortalecer a confiança dos cooperados”, afirmou Adalberto.
Nova metodologia de supervisão começa em 2026
Já Ives Aruã detalhou o funcionamento do novo modelo de supervisão contínua que será implementado a partir de janeiro de 2026. Segundo ele, o sistema trará um “prontuário” das instituições, permitindo identificar rapidamente o histórico e o desempenho de cada cooperativa.
O método classificará as cooperativas com notas de 1 a 4, levando em conta critérios como gestão de riscos, controles internos, governança e centralização financeira. Após essa etapa, um comitê do Departamento de Supervisão (Desic) validará as avaliações e definirá as notas finais.
“O cooperativismo é o segmento com maior número de linhas de defesa dentro do sistema financeiro: auditoria cooperativa, FGCoop e supervisão auxiliar. Mas, para que essa estrutura funcione bem, é essencial melhorar a comunicação com o Banco Central”, destacou Ives.
Governança, tecnologia e riscos globais no radar
Os debatedores reforçaram que o foco da supervisão, a partir do próximo ano, será fortalecer a governança preventiva, evitando que problemas cheguem ao nível operacional. “A gestão trabalha no dia a dia, reagindo aos fatos. A governança existe para que os problemas não aconteçam”, observou Adalberto.
Ele também alertou para os riscos geopolíticos e tecnológicos que ameaçam a estabilidade financeira mundial, impactando setores como o agronegócio e a cadeia produtiva brasileira. “Hoje, instituições aparentemente sólidas podem ruir da noite para o dia. Precisamos estar atentos”, advertiu.
Outro ponto de destaque foi a resiliência cibernética, tema que preocupa o Banco Central diante do aumento de fraudes e golpes digitais. Adalberto fez um apelo às cooperativas independentes: “Invistam em técnicos experientes, não poupem recursos com segurança. A má gestão pode afetar CPFs e excluir dirigentes do sistema.”
Cooperativismo com metas ousadas
Encerrando o debate, Celso Régis lembrou que o setor de cooperativas de crédito tem metas ambiciosas: atingir 20% de participação no mercado financeiro brasileiro e, posteriormente, chegar a 30%.
O 7º Encontro do Banco Central e da Confebras consolidou-se como um espaço estratégico de diálogo e alinhamento entre o órgão regulador e o sistema cooperativo. A nova metodologia de supervisão contínua promete aumentar a transparência, a segurança e a eficiência das cooperativas de crédito. Assim, reforça o papel do cooperativismo como alternativa sólida, ética e inclusiva dentro do sistema financeiro nacional.




























