Belém (PA) — O Protocolo de Respostas às Emergências Climáticas por Inundação para a Indústria, apresentado durante a COP30, trouxe mais que um conjunto técnico de diretrizes: ele reconheceu formalmente a importância do cooperativismo como força estratégica na preparação, na resposta e na recuperação de áreas atingidas por eventos extremos. Como por exemplo, o tornado que arrasou Rio Bonito do Iguaçu(PR).
Enfim, um olhar direto para as emergências climáticas. O documento, elaborado pelo SESI, Ministério da Saúde e Conselho Nacional do SESI, destaca que nenhuma estrutura produtiva, pública ou privada, consegue atuar sozinha diante da nova realidade imposta pelas mudanças do clima. Nesse cenário, as cooperativas surgem como parceiras naturais, ágeis e profundamente enraizadas nas comunidades.
Cooperativas de transporte: a linha de frente nas emergências climáticas
De acordo com o protocolo, a logística é uma das dimensões mais críticas em situações de enchentes. A interrupção de vias, o isolamento de bairros e o transporte de equipes de saúde e mantimentos exigem coordenação precisa e veículos adequados. Nesse ponto, as cooperativas de transporte — sejam elas de táxi, transporte escolar, transporte por aplicativo ou fretamento — assumem papel central.
A experiência recente das enchentes no Rio Grande do Sul, destacada no documento, mostra que a mobilidade de emergência depende de motoristas treinados, rotas alternativas mapeadas e viabilidade operacional mesmo quando a infraestrutura colapsa. As cooperativas, por estarem distribuídas em múltiplas regiões, conseguem fazer justamente isso:
manter a circulação mínima, transportar profissionais essenciais, garantir acesso a abrigos e auxiliar no deslocamento de equipes médicas e de resgate.
Além disso, o Protocolo valoriza a necessidade de “viabilizar transporte seguro para trabalhadores” — uma diretriz que dialoga diretamente com a atuação de cooperativas locais que, em muitos municípios, se tornam a única alternativa de deslocamento durante as horas críticas.
Cooperativas de saúde, energia, agricultura e crédito: apoio direto às comunidades
O documento enfatiza que uma resposta eficaz depende da integração entre governo, setor produtivo e organizações comunitárias. Nesse ecossistema, cooperativas de diferentes ramos contribuem de maneiras complementares:
Cooperativas de saúde
Podem reforçar a triagem, os atendimentos iniciais e o cuidado continuado após o desastre. Muitas possuem equipes próprias e estrutura de atenção primária em regiões remotas — um fator essencial quando serviços públicos ficam sobrecarregados.
Cooperativas agropecuárias
Ajudam no abastecimento imediato de alimentos, no acolhimento de famílias e na disponibilização de armazenamento e maquinário pesado, útil para retirada de detritos, abertura de acessos e transporte de donativos.
Cooperativas de energia e infraestrutura
São estratégicas para restabelecer serviços críticos, como eletricidade e telecomunicações, contribuindo diretamente para a retomada das atividades produtivas e para a segurança da população.
Cooperativas de crédito
O Protocolo destaca a importância de linhas emergenciais para recuperação econômica. As cooperativas financeiras são historicamente as primeiras a oferecer apoio a agricultores, pequenos empresários e trabalhadores atingidos, com crédito rápido e condições acessíveis.
Reconhecimento explícito ao modelo cooperativista
O documento lançado na COP30 enfatiza sobretudo que a resposta às crises climáticas exige coordenação, capilaridade territorial, agilidade e confiança social . Essas quatro características são parte do modelo cooperativista.
Assim, ao estimular que empresas, governos e instituições construam redes colaborativas, o Protocolo reconhece que o cooperativismo já desempenha esse papel há décadas, especialmente em regiões onde o Estado enfrenta dificuldades de atuação imediata.
Além disso, as diretrizes reforçam que ações de enfrentamento a enchentes devem incluir acordos formais com organizações locais. Dessa forma, abre caminho para que cooperativas sejam incorporadas oficialmente aos planos municipais e estaduais de contingência e aos protocolos internos de empresas.
Por que isso importa?
Em resumo, com o avanço das mudanças climáticas e o aumento de eventos hidrológicos extremos, como alerta o Protocolo, o Brasil precisa de estruturas resilientes e descentralizadas. As cooperativas já possuem essa configuração — e, agora, passam a ser reconhecidas nacionalmente como agentes indispensáveis:
- para salvar vidas, garantindo transporte e apoio imediato;
- para manter serviços essenciais funcionando durante a crise;
- para contribuir com a retomada econômica, especialmente em regiões produtivas;
- para fortalecer a resiliência comunitária, que é a essência do cooperativismo.



























