Mulheres do agro estão assumindo protagonismo na gestão, na sucessão familiar e na compreensão estratégica da cadeia produtiva. Um exemplo concreto vem de Mato Grosso do Sul, onde 36 mulheres cooperadas, esposas e filhas de produtores rurais de Bandeirantes, Sonora e São Gabriel do Oeste, participaram de uma visita técnica à sede da Coamo Agroindustrial Cooperativa, em Campo Mourão (PR).
A programação incluiu uma visita ao Memorial Coamo, onde conheceram a história e a evolução da cooperativa, e também no parque industrial, onde elas acompanharam de perto as operações que transformam os grãos produzidos nas propriedades em produtos industrializados que chegam ao mercado brasileiro e internacional.
Formação e protagonismo das mulheres do agro
A iniciativa integra o Programa Coamo + Social, que tem ampliado ações voltadas às mulheres do quadro social. Nos últimos anos, programas formativos como “Mulheres que Semeiam” estimularam um novo perfil de participação feminina. O resultado? Crescimento na procura por capacitações e visitas técnicas.
De acordo com Gabriela Conforto Mendes, da equipe de cooperativismo da Coamo, o número de turmas femininas aumentou significativamente, reunindo grupos do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Não se trata apenas de ampliar presença numérica, mas de fortalecer capacidade de decisão.
Da lavoura à indústria: visão sistêmica fortalece a cooperada
De fato, a experiência vivida por elas foi além de exposições teóricas em salas de aula. Durante o tour industrial, as visitantes acompanharam etapas como recepção de grãos, extração, refino e envase. Muitas viram pela primeira vez as linhas automatizadas de produção de óleo vegetal. A percepção do valor agregado tornou-se concreta. Para Gabriela, ver de perto a estrutura da Coamo provoca um impacto positivo. “Elas retornam mais confiantes, motivadas e com outra compreensão sobre o destino da produção da família.”
Já as produtoras, elas relataram que a experiência fortalece o sentimento de pertencimento e confiança na cooperativa, especialmente no que diz respeito à transparência comercial e à agilidade nos pagamentos, fatores essenciais para o desenvolvimento regional.
Cooperativismo e desenvolvimento regional com liderança feminina
A expansão da Coamo no Mato Grosso do Sul modificou a dinâmica econômica local, facilitando acesso a insumos, crédito e canais de comercialização. Contudo, o diferencial competitivo em 2026 não está apenas na infraestrutura, mas na formação humana.
Mulheres capacitadas significam propriedades mais organizadas, sucessão familiar mais estruturada e cooperativas mais resilientes. O cooperativismo sempre defendeu gestão democrática e participação ampla. Agora, essa premissa ganha força com a presença ativa das mulheres.
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Assim, surge uma pergunta inevitável: como as cooperativas podem crescer de forma sustentável sem investir na formação feminina? Se o cooperativismo deseja manter relevância nas próximas décadas, precisará enxergar a mulher não apenas como participante, mas como decisora estratégica.




























