A crise na produção de arroz em SC ganhou novo capítulo. A Frente Parlamentar do Cooperativismo promoveu nesta sexta-feira (13/02) um debate emergencial sobre o tema, reunindo representantes de cooperativas, produtores rurais, lideranças políticas e integrantes da cadeia produtiva para discutir a crise de preços e sustentabilidade do setor em Santa Catarina.
Santa Catarina vive um dos momentos mais críticos de sua cadeia produtiva de arroz, que é considerada a segunda maior do Brasil em volume produzido – responsável por cerca de 1,2 milhão de toneladas por safra, o que representa uma fatia relevante do agronegócio estadual e nacional.
Preço do arroz abaixo do custo: um sinal vermelho para o cooperativismo
Assim, o principal problema enfrentado pelo setor é o preço pago ao produtor estar significativamente abaixo do custo de produção. Atualmente, os rizicultores catarinenses recebem, em média, cerca de R$ 50 por saca, enquanto o custo real para produzir este mesmo grão ultrapassa os R$ 75 por saca — uma diferença que representa um rombo nas contas de agricultores familiares e nas cooperativas que dependem dessa atividade. (BR Cooperativo)
Dessa forma, o problema afeta tanto a sobrevivência financeira dos produtores como a capacidade de atuação das cooperativas, que funcionam como pilares da organização produtiva, do crédito rural, da comercialização e da logística do arroz. Por exemplo, quando o produtor é pressionado financeiramente, as cooperativas também sentem o impacto: aumentam a inadimplência, reduzem investimentos e perdem fôlego para inovar e crescer. (BR Cooperativo)
Mobilização política e propostas ao governo
Durante a reunião, lideranças representativas da cadeia produziram um documento com uma pauta de reivindicações endereçada ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e encaminhada à Secretaria da Fazenda do Estado. Entre as demandas estão:
- Ampliação do Crédito Presumido de ICMS sobre o arroz;
- Criação de linhas de crédito subsidiadas para produtores e cooperativas endividados;
- Prioridade ao arroz catarinense em compras públicas, como merenda escolar;
- Inclusão de sementes de arroz no programa estadual Terra Boa;
- Fomento à pesquisa e inovação pela FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de SC);
- Medidas de proteção contra a entrada de arroz importado do Mercosul. (BR Cooperativo)
O governo estadual sinalizou disposição em analisar as propostas e deu indicações de apoio, especialmente em pontos ligados ao financiamento de sementes e à pesquisa. No entanto, líderes do setor alertam que a velocidade de implementação é crucial, pois a crise já começa a atingir famílias e estruturas produtivas no campo. (BR Cooperativo)
O papel das políticas públicas e a necessidade de ação federal
Além do movimento estadual, representantes do agronegócio sustentam que a participação federal é decisiva para estruturar soluções de longo prazo. Entre as medidas defendidas estão:
- Ampliação das exportações de arroz, para reduzir excedentes e equilibrar preços;
- Retomada de mecanismos de securitização agrícola para auxiliar na renegociação de dívidas;
- Reajuste do preço mínimo do arroz, garantindo uma remuneração que cubra os custos de produção. (BR Cooperativo)
Sem essas ações, alertam especialistas, a cadeia pode entrar em um processo de efeito dominó, onde a quebra de produtores leva à debilidade das cooperativas, da indústria, da oferta de crédito rural e, por fim, à redução de empregos e arrecadação pública.
Impacto para o cooperativismo e a economia regional
Essa crise no setor de arroz não é um problema isolado. Quando a atividade agrícola entra em colapso, outras vertentes do cooperativismo, como crédito, armazenagem, insumos e transporte, também sentem as consequências,. Isto porque todas estão interligadas por uma mesma engrenagem econômica e social. (BR Cooperativo)
Em resumo, 0s produtores e cooperativas esperam agora que a articulação política e institucional dê respostas rápidas, evitando que essa crise represente um retrocesso para a tradição agrícola catarinense e para o modelo cooperativista sustentável.




























