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Home Tendências

Inteligência Artificial e Cooperativismo: Proposta de Lei define a responsabilidade humana

Claudio Rangel De Claudio Rangel
03/03/2026
Reading Time: 6 mins read
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nteligência Artificial e o cooperativismo

Foto: Freepek

A inteligência artificial vai substituir trabalhadores? Ou inaugurará um novo ciclo de prosperidade para quem souber se adaptar? A pergunta deixou de ser futurista e passou a ocupar o centro do debate econômico e legislativo brasileiro.

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Enquanto parte da sociedade manifesta preocupação com possíveis impactos sobre o emprego, o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei nº 2.338/2023, que estabelece o marco regulatório da Inteligência Artificial no Brasil. O texto classifica sistemas de IA utilizados para recrutamento e gestão de trabalho como de alto risco, impondo exigências de governança, transparência e mitigação de vieses.

No cooperativismo, onde o foco no ser humano é princípio estruturante, o tema assume contornos estratégicos.

Transformação estrutural do trabalho

De acordo com o “Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025“, do Fórum Econômico Mundial, cerca de 22% das ocupações globais poderão ser transformadas nos próximos cinco anos pela integração da IA e automação.

Algumas funções tendem a sofrer maior impacto. Os motoristas de cooperativas, os designers gráficos e trabalhadores de atividades administrativas repetitivas estão na lista, acompanhados de dezenas de outras atividades. Outras, como trabalhadores rurais, apresentam menor risco imediato de substituição. Porém, a automaçãojá invade esses espaços.

Mas pescritor PedroSuperti, autor de “Ouse Ser Diferente” e presença confirmada no WCM’26, o momento representa “a maior transferência de riqueza da história”, impulsionada pela inteligência artificial. A divergência entre céticos e otimistas revela que o debate não é sobre substituição pura e simples, mas sobre adaptação e requalificação.

Cooperativas como “aplicadoras” de IA

No texto do projeto de lei, organizações que utilizam sistemas de IA são classificadas como “aplicadoras” (deployers). Isso significa que, ao adotar ferramentas algorítmicas para tomada de decisão, a cooperativa assume corresponsabilidade sobre eventuais danos ou vieses produzidos pelo sistema.

Essa definição reforça um ponto central: tecnologia não elimina responsabilidade institucional.

IA na gestão de pessoas: alto risco regulatório

Uma das áreas mais sensíveis é o uso de IA na triagem de candidatos e avaliação de desempenho.

Se aprovado o marco legal nos moldes atuais, sistemas aplicados em recrutamento serão considerados de alto risco. Entre as exigências previstas estão:

  • Direito à explicação e contestação de decisões automatizadas
  • Revisão humana obrigatória
  • Medidas concretas de mitigação de vieses discriminatórios
  • Transparência nos critérios utilizados

Para cooperativas de saúde, como a Unimed, citada em audiências públicas, o uso de IA como suporte à decisão médica exigirá supervisão humana permanente.

Letramento algorítmico e supervisão humana

A modernização não se resume à aquisição de software. Exige investimento em capacitação contínua e letramento digital.

Essa tendência indica a necessidade de contratação de profissionais capazes de operar, interpretar e supervisionar sistemas automatizados. Em setores públicos e infraestruturas críticas, o próprio projeto de lei já prevê supervisão humana obrigatória.

No cooperativismo, onde o valor da pessoa antecede o capital, essa supervisão não é apenas exigência legal. É considerada coerência institucional.

Governança como vantagem competitiva

A gestão administrativa não ficou de fora. Em seu texto, o projeto cria o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de IA (SIA), sob coordenação da ANPD. A novidade é a exigência de Avaliações de Impacto Algorítmico (AIA).

Cooperativas que estruturarem sua transformação digital com base em governança transparente poderão fortalecer a confiança de cooperados, parceiros e investidores.

Além disso, políticas como o incentivo à expansão de data centers no Brasil reforçam a soberania digital e ampliam a infraestrutura disponível.

Conclusão

A inteligência artificial não é, por si só, ameaça ou solução. É instrumento.

No cooperativismo, a tendência é clara: substituir tarefas repetitivas, ampliar eficiência e preservar a decisão final sob responsabilidade humana.

Modernizar, sim. Automatizar, com critério. Crescer, sem abandonar princípios.

Veja também: Tendencias do cooperativismo para 2026: inovacao, esg, inteligencia artificial,transformacao digital

Infográfico Explicativo – IA e Cooperativismo

O que é considerado alto risco?

  • IA para recrutamento
  • Avaliação de desempenho automatizada
  • Sistemas que impactam direitos trabalhistas

Principais exigências da lei

  • Direito à explicação
  • Revisão humana obrigatória
  • Mitigação de vieses
  • Avaliação de Impacto Algorítmico

Papel das cooperativas

  • Classificadas como “aplicadoras”
  • Corresponsáveis por decisões automatizadas
  • Obrigadas a garantir transparência

Tendências para o mercado cooperativista

  • Substituição de tarefas repetitivas
  • Crescimento da supervisão humana
  • Investimento em letramento digital
  • Governança tecnológica como diferencial competitivo

Perguntas Frequentes (FAQ)

A IA vai tirar empregos no cooperativismo?
Algumas funções repetitivas tendem a ser automatizadas, mas surgem novas demandas por supervisão e gestão tecnológica.

Cooperativas podem usar IA livremente?
Não. Devem cumprir regras de governança, transparência e mitigação de riscos previstas no marco legal.

IA pode decidir contratações sozinha?
Não. O projeto exige revisão humana e direito à contestação.

Qual é o principal desafio para cooperativas?
Modernizar mantendo a centralidade da pessoa humana.

Tags: Cooperativismo e tecnoologiaIA e mercado de trabalhoIA na Gestão de pessoasInteligência Artificial no BrasilMarco legal da IAProjeto de Lei 2338/2023
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Claudio Rangel

Claudio Rangel

Formado em Comunicação Social, Habilitação Básica em Jornalismo, pela Universidade Gama Filho, em 1983, com pós-graduação em Assessoria de Imprensa pela Universidade Estácio de Sá (2000), pós-graduação em Gestão Executiva de Cooperativas pelo Sescoop-RJ, pós-graduação em Gestão de Processos pela Execoop, em 2025. Participou da Dominiumcoop em 2000 e da OCB-RJ no mesmo ano, atualmente é diretor da Cooperativa de Profissionais de Comunicação e Marketing - Comunicoop e editor da Revista BR Cooperativo. Edita a Folha do Motorista do Rio de Janeiro, que trata também do cooperativismo de transporte.

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