A princípio, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, costuma concentrar homenagens e reflexões sobre igualdade de gênero. Entretanto, em 2026 o tema ganha dimensão global, pois a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o período como Ano Internacional da Mulher Agricultora.
Nesse contexto, uma história que começou nas lavouras do Maranhão ganhou repercussão nacional nas redes sociais. Com apenas 20 anos, Ilana Dourado viralizou ao aparecer operando um trator de alta potência durante o plantio de algodão, em uma fazenda no município de Balsas (MA).
Publicado em dezembro, no início do ciclo de plantio na região, o vídeo ultrapassou 2 milhões de visualizações. Mais do que um fenômeno digital, a imagem representa uma transformação concreta na presença feminina no coração operacional da agricultura brasileira.
Mas afinal, o que essa história revela sobre o futuro do campo?
Tecnologia agrícola abre espaço para uma nova geração de mulheres

No momento em que as imagens começaram a circular nas redes, muitos internautas se perguntaram: como uma jovem chegou a dominar equipamentos agrícolas de alta tecnologia?
Ilana atua na Lavoura 207 da Fazenda Potência, pertencente ao Grupo SLC Agrícola, uma das empresas mais reconhecidas do agronegócio nacional. Sua rotina envolve precisão técnica, leitura de dados digitais e domínio de sistemas de agricultura de precisão.
Em dias de produtividade elevada, ela chega a conduzir o plantio de até 130 hectares de algodão.
“Não foi bem o que eu sonhei, mas é o que eu soube desenvolver e pretendo continuar. Me sinto realizada”, afirma Ilana no vídeo que viralizou.
Essa realidade mostra que o campo moderno deixou de ser apenas força física e passou a exigir conhecimento técnico, tecnologia e capacitação, abrindo novas oportunidades para a participação feminina.
Capacitação feminina: caminho para transformar o campo
Anteriormente, a presença feminina em funções técnicas na agricultura era limitada. Contudo, programas de formação profissional vêm mudando esse cenário.
Ilana é uma das participantes do Programa Semear, iniciativa desenvolvida pelo Grupo SLC Agrícola em parceria com a Associação Maranhense de Produtores de Algodão (AMAPA).
O programa oferece capacitação para mulheres que desejam ingressar no setor agrícola, incluindo:
- operação de máquinas agrícolas
- segurança no trabalho
- manutenção preventiva
- agricultura de precisão
- tecnologia aplicada ao campo
Assim, a formação alia teoria e prática, preparando novas profissionais para atuar com eficiência em um setor historicamente dominado por homens.
De certa forma, iniciativas desse tipo dialogam diretamente com os princípios do cooperativismo, que valorizam educação, formação e desenvolvimento das pessoas.
Cotonicultura brasileira e inclusão feminina
Ao mesmo tempo, a história de Ilana reflete o crescimento da cotonicultura brasileira, um dos setores mais dinâmicos do agronegócio.
O Brasil atualmente figura entre os maiores exportadores mundiais de algodão, e o Maranhão consolidou-se como um polo tecnológico da produção agrícola na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), mais de 5.109 vagas diretas são ocupadas por mulheres em fazendas certificadas pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR).
Esse programa promove padrões rigorosos de:
- responsabilidade socioambiental
- segurança no trabalho
- inclusão e diversidade
- valorização dos trabalhadores
Como resultado, o ambiente de trabalho no campo passa por uma mudança cultural significativa, ampliando oportunidades para mulheres em funções técnicas, operacionais e de gestão.
Cooperativismo e o protagonismo das mulheres no agro
Ao mesmo tempo, o avanço feminino no campo também dialoga com uma tendência crescente no cooperativismo agropecuário brasileiro.
Cooperativas agrícolas em diversas regiões do país têm ampliado programas de formação, liderança feminina e inclusão produtiva, estimulando a participação de mulheres em todas as etapas da cadeia produtiva — da produção à gestão.
Essa transformação reforça um princípio essencial do movimento cooperativista: o desenvolvimento das pessoas e das comunidades por meio da educação e da participação econômica.
Assim, iniciativas de capacitação feminina no agro não apenas ampliam oportunidades profissionais, mas também fortalecem a sustentabilidade social e econômica do campo.
Desafios e oportunidades para o futuro
Apesar de histórias inspiradoras como a de Ilana, o desafio permanece. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mulheres ainda enfrentam desigualdades no acesso a:
- tecnologia agrícola
- crédito rural
- formação técnica
- liderança no setor agroalimentar
Por isso, o Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 surge como um chamado global para ampliar políticas públicas, investimentos e programas de qualificação profissional.
Se o campo brasileiro depende cada vez mais de tecnologia, inovação e gestão, quem disse que as mulheres não podem conduzir essa transformação?
Veja aqui o post de Ilana – Entre o volante de um trator moderno e os sistemas digitais de plantio, Ilana Dourado mostra que o futuro da agricultura também passa pelas mãos ttps://www.instagram.com/reel/DS2UFZngKAx/?igsh=MXUzcjJzbzF1Mnc4OA==




























