O que acontece quando um produto que durante anos sustentou silenciosamente a cadeia vitivinícola finalmente sobe ao palco principal? Em Bento Gonçalves, nos dias 9 e 10 de abril, essa resposta começou a ganhar forma. O 1º Concurso do Suco de Uva Brasileiro, promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), não apenas lançou luz sobre a bebida, como também revelou um setor maduro, tecnicamente consistente e com qualidade espalhada por diferentes regiões do país.
Ao todo, o concurso avaliou 190 amostras de 69 empresas de seis estados brasileiros — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. O resultado chamou atenção imediatamente: 51% das amostras alcançaram notas acima de 90 pontos, entrando nas faixas de Medalha Diamante e Medalha Platina. Foram 12 amostras com Medalha Diamante, 85 com Medalha Platina e 66 com Mérito Uva, indicador que também reconhece boa qualidade. Além disso, menos de 15% apresentaram alguma deficiência, um dado que reforça o nível técnico do suco de uva produzido no Brasil.
Disputa entre grandes e pequenos
Mais do que uma disputa entre marcas, o concurso funcionou como um termômetro do setor. Afinal, quando pequenas empresas e grandes vinícolas aparecem entre as melhores notas, o que se vê é uma cadeia que avança em conjunto. É como um vinhedo em que diferentes fileiras amadurecem sob o mesmo sol.

A avaliação, realizada às cegas por 36 profissionais entre jurados e presidentes de júri, reuniu enólogos, especialistas em análise sensorial, pesquisadores, profissionais de nutrição, controle de qualidade e integrantes da imprensa especializada.
Nesse cenário, a Nova Aliança Vinícola Cooperativa surge como um dos símbolos mais eloquentes da força cooperativista no segmento. A cooperativa encerrou a Vindima 2026 com cerca de 50 milhões de quilos de uvas colhidas, volume 25% superior aos 40 milhões de quilos previstos inicialmente e acima do patamar registrado em 2025. Ao longo de 73 dias, entre 7 de janeiro e 20 de março, a Nova Aliança respondeu por cerca de 6% das uvas processadas no Brasil, consolidando sua relevância setorial.
Suco de uva deixa de ser coadjuvante
Se antes o suco de uva era visto apenas como uma etapa importante do negócio, agora ele assume de vez papel central. No caso da Nova Aliança, esse protagonismo é ainda mais claro: cerca de 80% da produção anual da vinícola é destinada à elaboração de suco de uva, enquanto 10% se concentram em vinhos finos e espumantes e outros 10% em vinhos de mesa. Em outras palavras, quando o primeiro concurso nacional dedicado exclusivamente ao produto surge, a cooperativa já está posicionada no coração desse mercado.
Esse peso estratégico ajuda a explicar por que a safra 2026 foi tratada internamente como um marco. O gerente técnico e enólogo-chefe André Gasperin destaca que a vindima bateu recordes não apenas em volume, mas também em qualidade, favorecida por clima mais seco, com baixa incidência de chuvas, fator que contribuiu para a sanidade e a maturação das uvas. As variedades brancas, segundo ele, surpreenderam positivamente, especialmente com potencial para espumantes.

Força cooperativa e construção de valor
Por trás dos números está a base do cooperativismo: gente, organização e continuidade. A Nova Aliança reúne mais de 600 famílias cooperadas, e é justamente desse trabalho coletivo que nasce a capacidade produtiva celebrada em 2026. O CEO Heleno Facchin associa o resultado a uma reestruturação construída nos últimos anos, marcada por investimentos nos vinhedos, fortalecimento técnico e busca por maior percepção de valor junto ao consumidor.
Ao mesmo tempo, a cooperativa mostra equilíbrio entre escala e estratégia. Do total processado, 85% são uvas americanas e 15% uvas viníferas, enquanto os investimentos avançam na qualificação produtiva e na expansão do plantio de variedades viníferas, alinhadas à proposta da marca NOVA, focada em vinhos finos e espumantes. A operação também se distribui entre diferentes unidades, com cerca de 49% do volume beneficiado na matriz, em Flores da Cunha, 50% na filial da Linha Jacinto, em Farroupilha, e 1% em Santana do Livramento, na Campanha Gaúcha.
Sustentabilidade também entra no copo
Outro dado expressivo da Vindima 2026 é o avanço no campo da produção sustentável. A Nova Aliança processou 800 mil quilos de uvas orgânicas, mantendo-se como maior produtora de suco orgânico do mundo. Não se trata apenas de volume. Trata-se, sobretudo, de uma mensagem de mercado: o consumidor quer qualidade, mas quer também origem, rastreabilidade e práticas mais conscientes. E, nesse ponto, a cooperativa se posiciona como ponte entre o campo e um novo perfil de demanda.
Concurso inédito amplia visibilidade do setor
Lançado no ano em que a ABE celebra 50 anos, o Concurso do Suco de Uva Brasileiro nasceu como o primeiro e único no mundo dedicado exclusivamente ao suco de uva. O presidente da entidade, enólogo Mário Lucas Ieggli, afirma que a iniciativa dá visibilidade técnica a ubm produto historicamente importante para a cadeia vitivinícola. Ele também confirma um movimento de evolução já percebido no campo.
Esse ponto é central. O concurso não reconhece apenas rótulos. Ele reconhece uma cadeia produtiva inteira, capaz de sustentar milhares de famílias e, ao mesmo tempo, de reposicionar o Brasil no mapa internacional da vitivinicultura. Por isso, quando a Nova Aliança aparece nesse contexto com uma safra robusta, forte presença no processamento de uvas e foco estratégico no suco. Assim, ela ajuda a traduzir, na prática, o que o concurso quis evidenciar em teoria: o suco de uva brasileiro amadureceu. E amadureceu com forte participação do cooperativismo.
Conclusão
Hoje, o primeiro Concurso do Suco de Uva Brasileiro funciona como uma vitrine inédita. Entretanto, ele também cumpre uma função maior: mostrar que o suco deixou de ser apenas um derivado relevante para se afirmar como um ativo estratégico da vitivinicultura nacional. Nesse ambiente, a Nova Aliança não surge por acaso. Surge porque investiu, organizou sua base, qualificou a produção e transformou a Vindima 2026 em uma espécie de cartão de visitas do cooperativismo que produz, inova e agrega valor. Afinal, quando o setor abre uma nova janela de reconhecimento, são as cooperativas bem estruturadas que primeiro conseguem transformar luz em protagonismo.
FAQ
Foi uma iniciativa promovida pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), realizada em Bento Gonçalves nos dias 9 e 10 de abril, dedicada exclusivamente à avaliação técnica de sucos de uva produzidos no Brasil.
2. Quantas amostras participaram do concurso?
O concurso reuniu 190 amostras de 69 empresas de seis estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.
3. Qual foi o destaque da Nova Aliança Vinícola Cooperativa em 2026?
A cooperativa encerrou a Vindima 2026 com cerca de 50 milhões de quilos de uvas, volume 25% acima do previsto, reunindo mais de 600 famílias cooperadas e mantendo forte presença no processamento nacional de uvas.
5. Qual é a importância do suco de uva para a Nova Aliança?
O suco de uva tem papel estratégico: cerca de 80% da produção anual da cooperativa é destinada à sua elaboração.




























