O Sicredi apresentou suas práticas de diversidade, equidade e inclusão durante o VIII Encontro Nacional de Diversidade e Inclusão, promovido pela seção Paraná da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD). Realizado na sexta-feira (21), no Espaço de Educação Padre Theodor Amstad, em Curitiba, o encontro reuniu especialistas e representantes de grandes empresas para discutir como ambientes de trabalho mais diversos podem contribuir para os resultados das organizações.
Anfitrião do evento, o Sicredi apresentou iniciativas desenvolvidas por suas cooperativas. O destaque foi relacionar a diversidade com a própria natureza do modelo cooperativista, formado por pessoas com diferentes origens, características e experiências.
Ao mesmo tempo, o encontro colocou em debate uma questão que ganhou espaço nas estratégias empresariais: como transformar políticas de diversidade e inclusão em ações integradas aos objetivos das organizações, em vez de tratá-las apenas como iniciativas isoladas.
Diversidade como estratégia de negócio
Na abertura, o fundador da consultoria Mais Diversidade e do Instituto Mais Diversidade, João Yosef Torres, apresentou a palestra “A Virada da Diversidade”.
Segundo ele, as políticas de diversidade e inclusão precisam estar relacionadas à estratégia das empresas e aos resultados esperados pelas organizações.
“O segredo é a gente deixar de tratar as pautas de diversidade e inclusão como pautas paralelas e colocá-las como alavanca de negócio. Precisamos olhar para a diversidade e inclusão não como um fim em si mesmo, mas como um meio para que as organizações tenham mais sucesso, vendam mais e aumentem sua produtividade”, afirmou.
A partir dessa perspectiva, o encontro reuniu experiências de grandes empregadores brasileiros. Além do Sicredi, participaram representantes de Petrobras, Mondelēz International, MBRF e Votorantim Cimentos.
Sicredi relaciona inclusão à sua cultura cooperativista
A abertura institucional contou com o gerente de Pessoas e Cultura da Central Sicredi PR/SP/RJ, Marcos Antônio Primão, que também coordena o Comitê de Inclusão, Diversidade e Equidade, e com o presidente da ABTD, Ademar Ramos.
Para Ramos, a presença de diferentes organizações permitiu ampliar a troca de experiências sobre iniciativas já adotadas no ambiente empresarial.
“Ver aqui as grandes indústrias do país compartilhando cases, com especialistas como o João, e saber que o Sicredi também está nesse caminho, é muito bom”, declarou.
Primão ressaltou que sediar um encontro nacional permite conhecer experiências de outras organizações e, ao mesmo tempo, aprofundar práticas internas.
Segundo ele, a característica do cooperativismo como sociedade de pessoas, e não de capital, também influencia a maneira como a instituição trabalha suas políticas de gestão de pessoas.
“O objetivo de uma área de pessoas e cultura é cuidar de todo o ciclo de vida do colaborador, e em cada etapa — da atração ao desligamento — a diversidade e a inclusão precisam estar presentes”, afirmou.
Cooperativa apresenta experiência com diversidade e equidade
Entre as experiências do sistema Sicredi, o evento destacou o trabalho da Sicredi Campos Gerais, Grande Curitiba, Vale do Ribeira e Força dos Ventos PR/SP.
A gerente de Pessoas e Cultura da cooperativa, Juliana Denck, apresentou a palestra “Sicredi: Experiência de Boas Práticas em Diversidade, Equidade e Inclusão”.
De acordo com Juliana, a diversidade está relacionada à própria composição das cooperativas, que precisam atender públicos igualmente diversos.
“A diversidade de uma cooperativa existe para atender a diversidade dos nossos associados”, resumiu.
Além disso, ela defendeu que a inclusão não deve se limitar à contratação. Afinal, o objetivo é oferecer condições para que pessoas de diferentes perfis possam desenvolver suas carreiras e alcançar funções de liderança.
“Queremos que as pessoas se vejam aqui, cheguem à liderança e não sejam apenas a pessoa com deficiência ou a pessoa negra que entrou para cumprir uma cota, mas que participem ativamente de tudo”, acrescentou.
Busca ativa amplia diversidade nas equipes
Durante a apresentação, a executiva mostrou indicadores relacionados a gênero, raça, orientação sexual e pessoas com deficiência e explicou algumas das estratégias utilizadas na atração de talentos.
Entre elas está a busca ativa por candidatos imigrantes, inclusive profissionais originários de países como Angola e Haiti.
A cooperativa utiliza grupos de afinidade e plataformas profissionais, como o LinkedIn, para identificar candidatos e ampliar a representatividade das equipes.
A estratégia ganha relevância especialmente em Curitiba, cidade que recebe diferentes comunidades de imigrantes e refugiados.
Projeto com APAE promove inclusão no trabalho
Outro projeto apresentado foi o “Trabalho Protegido”, desenvolvido em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
A iniciativa conta atualmente com três colaboradores efetivos da cooperativa — Thais, Paulinha e Wesley — que trabalham na produção das sacolas de papel kraft entregues aos novos associados durante a abertura de contas.
Ao mesmo tempo, os participantes mantêm acompanhamento educacional e de cuidado oferecido pela instituição parceira.
“São colaboradores efetivos, que usam o crachá com orgulho e participam de todas as nossas ações e convenções. As famílias nunca imaginaram que os filhos estariam em uma empresa como o Sicredi, e isso emociona muito”, relatou Juliana.
Comitê envolve mais de 1,4 mil colaboradores
A cooperativa também mantém, desde 2021, um Comitê de Inclusão, Diversidade e Equidade.
Duas vezes por ano, a iniciativa promove ciclos de discussão envolvendo os mais de 1.400 colaboradores da organização.
Entre os assuntos já abordados estão religião e espiritualidade e as experiências de pessoas neurodivergentes, com atenção, por exemplo, ao transtorno do espectro autista.
Além disso, novos módulos de formação on-line estão previstos para setembro e novembro.
Cooperativismo e diversidade nas comunidades
Para o Sicredi, a participação no encontro reforça uma estratégia que procura incorporar diversidade, inclusão e equidade à gestão de pessoas e ao relacionamento com as comunidades.
Nesse sentido, a proposta vai além da presença de diferentes grupos no quadro de colaboradores. O objetivo é criar condições para que essas pessoas participem das decisões, tenham oportunidades de desenvolvimento profissional e encontrem um ambiente no qual possam construir suas trajetórias.
Assim, o debate realizado em Curitiba aproxima dois conceitos que ganham espaço na gestão contemporânea: diversidade como ferramenta de desenvolvimento organizacional e cooperativismo como modelo baseado na participação das pessoas.
Perguntas e respostas
O que foi o VIII Encontro Nacional de Diversidade e Inclusão?
Foi um evento promovido pela seção Paraná da ABTD para discutir práticas empresariais de diversidade, equidade e inclusão, com participação de especialistas e grandes organizações brasileiras.
Onde foi realizado o encontro de diversidade da ABTD?
O evento aconteceu no Espaço de Educação Padre Theodor Amstad, em Curitiba, tendo o Sicredi como anfitrião.
Qual prática de inclusão foi apresentada pelo Sicredi?
Entre as iniciativas está o projeto Trabalho Protegido, desenvolvido em parceria com a APAE, além de programas de atração de talentos, grupos de afinidade e um comitê permanente de inclusão, diversidade e equidade.
Como o Sicredi relaciona diversidade e cooperativismo?
A instituição considera que a diversidade está ligada à própria natureza das cooperativas, formadas para atender associados com diferentes perfis, origens e necessidades.
Quais empresas participaram do encontro?
O evento apresentou experiências de organizações como Sicredi, Petrobras, Mondelēz International, MBRF e Votorantim Cimentos.

























