Construir um futuro melhor, solucionando problemas complexos do presente. Esta é a inspiração do movimento cooperativo desde sua gênese. Mas, para que as cooperativas funcionem como luzeiros de esperança na promoção de vida digna em tempos de turbulência, é preciso compreender o pressuposto central: o ser humano.
Viver implica em acreditar na proposta de um projeto de mudança permanente, mesmo quando há indicações contrárias, tanto de natureza interior como coletiva, segundo Don José María Arizmendiarrieta (1915-1976), sacerdote e fundador da Mondragon Corporação Cooperativa. Para este ícone do cooperativismo, “viver com dignidade é ajudar a si mesmo”, indicando a necessidade de fazer brotar, primeiramente em si, um comportamento humano, justo e solidário. Neste direcionamento, o cooperativismo é promotor da (re)construção do indivíduo em todas as suas dimensões, possibilitando dignidade plena, visto que “Um homem não morre somente de fome e cansaço físico, mas também de tédio e tristeza, da falta de ilusão e alegria da vida”.
Fica evidente nesta linha de raciocínio, que o cooperativismo é fonte de respostas às múltiplas dimensões relacionadas ao mundo do trabalho e da vida das pessoas. Auxiliar a (auto)compreensão do ser humano, enquanto eu ou pessoa, representa uma diretriz de estudo e prática no cooperativismo, com grande potencialidade de efeitos multiplicadores.
O entendimento da própria experiência emocional dos participantes do movimento cooperativo, seja através das teorias filosóficas ou científicas, tende a ampliar os horizontes de construção de uma nova ordem, mais justa e solidária. Fatos e acontecimentos vivenciados pelas pessoas moldam suas ações e atitudes presentes e futuras. Logo, o ajudar a si mesmo, nesta direção, implica em não ceder à tentação do desânimo, da falta de alegria. Ajudar a si mesmo consiste em ir além do fisiológico, do econômico. Implica em movimento de natureza pessoal para integrar-se a um mundo repleto de vida e oportunidade. Ajudar a si mesmo é se ver e ver ao outro como uma realidade aberta, receptivo, não acabada e em constante transformação, através de diversos os agentes e fatores desencadeadores desta mudança, sejam de natureza pessoal ou profissional, como destaca o pensamento Arizmendiarrietista.
Tal abordagem não implica em negligenciar o realismo e pragmatismo dos modelos gerenciais, mas sim buscar elementos que permitam estabelecer relações destes com o ideário do cooperativismo, focando em coisas que podem ser mudadas nas organizações. ‘É preciso agir com o coração, mantendo a cabeça no lugar”, afirma Arizmendiarrieta, reforçando que o entendimento da emoção e da razão são pontos cruciais para moldar novas decisões e práticas cotidianas no movimento, rumo a um futuro desejado, mas sujeito a contigências.
O facho do ideário cooperativista aponta o caminho a ser trilhado, no qual as cooperativas devem ter um modelo de organização como foco. Este modelo almejado é de uma estrutura viva, aberta à esperança, portadoras de satisfação plena das pessoas.
Cabe empreender esforços para que o alcance do farol da esperança cooperativo ilumine toda a humanidade!


























