As cooperativas de plataforma de trabalhadores, como as de taxistas e entregadores, podem ser uma solução contra a precarização do trabalho por parte das plataformas de empresas de capital, como Uber, IFood, entre tantas. Esta é uma das conclusões do estudo “A viabilidade das cooperativas de plataforma na economia gig” publicado no Journal of Co-operative Organization and Management pelos pesquisadores Damion Bunders, C. Martijn Arets, Koen Frenken e Tine De Moor sobre a viabilidade das cooperativas de plataforma em todos os setores da Economia Gig – como os especialistas chamam a forma de emprego alternativo.
A ideia de cooperativa de plataforma de trabalhadores surgiu nos EUA no ano 2014. Segundo os autores do estudo, essas cooperativas de plataforma combinam uma estrutura online, a mediação e interação social e a econômica com a propriedade coletiva e governança democrática de uma empresa interativa.
Os trabalhadores cooperados em uma plataforma podem criar condições melhores de salários e segurança no emprego. São eles mesmos que decidem valores de taxas de comissão e o que fazer com o excedente.
Outra vantagem é a relação com questões legais. Sobretudo pelo fato de que essas questões ligadas ao trabalho autônomo permanecem nas mãos deles próprios.
Porém, a realidade é diferente. Dados do Platform Cooperativismo Consortium 2021 indicam que, em resumo, o número de cooperativas de plataforma permanece muito pequeno. Além disso, muitas delas ainda não estão operacionais. Essa observação se assemelha àquelas feitas por economistas ao longo de sessenta anos sobre a raridade das empresas geridas pelo trabalho.
Setores para as cooperativas de plataforma
O artigo tem como base as condições encontradas na Europa e na América do Norte. Entretanto, a América do Sul também apresenta os mesmos problemas. A Comissão Europeia analisa cooperativas como as de táxi preto de Londres e as diferencia das empresas de aplicativo de transporte que usam veículos sem legalização. Como por exemplo, plataforma de propriedade de investidores.
O artigo também cita que as cooperativas podem surgir em todas as partes da economia digital e lembra que, no caso do compartilhamento de carros, a experiência é muito bem-sucedida entre os alemães e os suíços. Nesses países, os consumidores podem alugar carros no próprio bairro.
Mas será que essas cooperativas podem solucionar a questão das condições de trabalho de ganhos desses trabalhadores temporários? Para os autores, é preciso diferenciar as verdadeiras cooperativas de plataforma, as que gerenciam a troca de trabalho, ou seja, em que cada um manifesta a sua própria opinião em relação a direção e adotam a máxima de um membro um voto.
O estudo traça uma diferença entre coops de plataforma gerenciadas pela mão de obra e as plataformas gerenciadas pelo capital. Uma das teorias coloca que as cooperativas sofrem uma resposta perversa da oferta. A medida que o resultado do trabalho cooperativo aumenta, a tendência, para os pesquisadores, é a de que o número de participantes da organização reduz. “…as empresas gerenciadas pelo trabalho restringem o número de empregados para aumentar a renda entre os trabalhadores. Isso provoca a ineficiência em comparação com as empresas gerenciadas pelo capital”, argumentam os pesquisadores.
Falta de crescimento
Alguns autores tentam explicar o motivo pelo qual as cooperativas de plataforma trabalhadores não conseguem ampliar a sua atuação. E um dos motivos é justamente a falta de capital. De financiamento para cooperativas, o que pode tornar até o trabalho precário. A imagem que é transmitida revela que as empresas geridas por capital são mais eficientes do que as geridas por mão de obra.
“A questão que colocamos neste artigo é se as cooperativas de plataformas emergentes podem ser uma alternativa viável às plataformas de propriedade de investidores que operam atualmente na economia gig. Responderemos a essa pergunta principalmente teoricamente, e não empiricamente, dado o número muito limitado de cooperativas de plataforma que estão, ou estiveram, operacionais até agora. Nosso objetivo não é desmotivar a imaginação dos empreendedores cooperativos, mas sim teorizar sobre as cooperativas no contexto específico da economia gig e aumentar a conscientização sobre os desafios específicos que as cooperativas de plataforma provavelmente enfrentarão em setores específicos”, diz o estudo.
Outro fator considerado envolve a influência do ambiente institucional. Quando os custos aumentam, como estamos vendo em relação às cooperativas de transporte, o resultado é a precarização do serviço. Daí a forte influencia do ambiente econômico político e social, que acabam impondo ou melhorando as condições desses trabalhadores cooperados.
Conclusão
Em síntese, o estudo conclui que as plataformas são responsáveis pela exploração de mão de obra de forma precária. Então, a ideia da cooperativa de plataforma como modelo alternativo pode reduzir a exploração do trabalhador. A tecnologia reduz os custos de operação, facilita a comunicação a longa distância e atende a um grande número de pessoas.
E elas podem começar também com poucos recursos. O que é os custos iniciais para os trabalhadores que precisam se agrupar.
E em relação a governança, os trabalhadores têm mais acesso direto a essas essas questões, para a tomada de decisão coletiva e até para obter apoio institucional. De acordo com a análise, as cooperativas de plataforma são viáveis, tanto para taxistas, quanto para entregadores e outros profissionais que podem adotar de alguma forma o modelo digital de trabalho. E que as cooperativas de plataforma será cada vez mais viável nos próximos anos.
Declaração de contribuição de autoria CRediT
Damion Bunders : Conceituação, Metodologia, Investigação, Redação − rascunho original. Martijn Arets : Conceituação, Redação − rascunho original. Koen Frenken : Conceituação, Redação – revisão e edição, aquisição de financiamento. Tine De Moor : Conceituação, Redação − revisão e edição, aquisição de financiamento.
Reconhecimentos
MA e KF se beneficiaram do financiamento do Tema Estratégico “Instituições para Sociedades Abertas” da Universidade de Utrecht , Holanda. DJB e TDM beneficiaram de financiamento através do programa “ Sustainable Cooperation – Roadmaps to Resilient Societies (SCOOP) ” atribuído pela Netherlands Organization for Scientific Research (NWO) e pelo Ministério Holandês da Educação, Cultura e Ciência (OCW) no contexto do seu 2017 Programa de Gravitação (concessão número 024.003.025). Agradecemos os comentários de Rense Corten e Juliet Schor e dois revisores anônimos.
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