A Coamo Agroindustrial Cooperativa, maior cooperativa da América Latina, deu um passo estratégico rumo à sustentabilidade e à agregação de valor à produção agrícola. A princípio, a cooperativa recebeu a Licença de Instalação da sua primeira usina de etanol de milho, que será construída em Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Paraná.
A cerimônia oficial de entrega do documento ocorreu recentemente, com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Júnior. O licenciamento foi concedido pelo Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Investimento bilionário e financiamento do BNDES
Para viabilizar o projeto, a Coamo destinará R$ 1,7 bilhão em investimentos, dos quais R$ 500 milhões virão por meio de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O recurso é oriundo do Fundo Clima, com foco em projetos de impacto ambiental positivo.
Segundo Ratinho Júnior, a iniciativa posiciona o Paraná na liderança nacional da produção de combustíveis limpos:
“Enfim, trata-se de um momento histórico. Essa é a primeira grande indústria de etanol de milho do estado, e nasce ultramoderna. A usina será autossuficiente em energia e ainda poderá abastecer outras unidades do parque industrial da Coamo”, destacou.
Capacidade de produção da Coamo
Atualmente, a Coamo recebe cerca de 3 milhões de toneladas de milho por ano. Desse total, entre 500 mil e 600 mil toneladas serão destinadas exclusivamente à produção de etanol.
O projeto prevê que a usina processe 1.700 toneladas de milho por dia, gerando cerca de 765 mil litros de etanol a cada 24 horas. Logo que estiver em operação, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2026, a planta contribuirá significativamente para o abastecimento de biocombustível no Brasil.
A Coamo e a geração de empregos
De acordo com o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, a nova indústria não apenas transforma a matriz energética, mas também impulsiona a economia regional:
“Vamos esmagar 600 mil toneladas de milho por ano, com produção de etanol, farelo de milho e óleo de milho. Isso representa emprego perene, qualidade e desenvolvimento. Não se trata apenas de vender o cereal, mas sim de transformá-lo em produtos de alto valor agregado.”
Simultaneamente, o secretário de Agricultura, Márcio Nunes, enfatizou o papel da Coamo como agente de progresso sustentável:
“Estamos provando que é possível crescer, gerar renda e recuperar o meio ambiente. O Governo do Paraná reconhece o protagonismo da cooperativa nesse avanço”, afirmou.
Panorama da produção de etanol no Brasil
Atualmente, o Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de etanol. Em 2024, o país atingiu um volume recorde de 32,42 bilhões de litros, segundo o Ministério de Minas e Energia. Isso representa um crescimento de 3,07% em relação ao ano anterior.
O Centro-Oeste brasileiro lidera a produção de etanol de milho, com 11 usinas em operação dedicadas exclusivamente a essa matéria-prima. Além disso, outras 14 usinas utilizam fontes alternativas, o que mostra a diversificação crescente da matriz de biocombustíveis no país.
Por que esse projeto é estratégico para o futuro?
Afinal, por que essa usina da Coamo merece destaque?
Porque simboliza uma nova fase do agro nacional, que vai além da produção de grãos. Ela representa a transformação da commodity em energia limpa, gerando riqueza local e colaborando com os objetivos ambientais globais. Com efeito, esse tipo de iniciativa eleva o cooperativismo agroindustrial a um novo patamar de inovação e competitividade.
































