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Home Cooperativismo

Cooperativismo no Brasil após 2025: o que muda depois do Ano Internacional das Cooperativas

Claudio Rangel De Claudio Rangel
31/03/2026
Reading Time: 7 mins read
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Coperativismo no Brasil

Reepresentantes do cooperativismo brasileiro. Foto: Sistema OCB.

O Cooperativismo no Brasil provoca mudanças no cenário nacional. Mas uma pergunta é inevitável e necessária. Afinal, 2025 não foi apenas um marco simbólico para oo setor, mas, sobretudo, um divisor de águas para o cooperativismo no Brasil e no mundo.

E é fácil defender esta tese. A princípio, o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou algo que o setor já sabia: as cooperativas são protagonistas no desenvolvimento econômico, social e sustentável. Entretanto, logo em seguida, emergiram novos desafios, reposicionamentos institucionais e debates jurídicos que passam a moldar o cooperativismo brasileiro no pós-2025.

O cooperativismo no Brasil: conceito e base estrutural

Antes de fazermos uma análise da situação atual e sobre os impactos dos acontecimentos recentes do sistema, convém responder à pergunta fundamental: o que é cooperativismo?

O cooperativismo é um modelo socioeconômico baseado na união voluntária de pessoas que se organizam para satisfazer necessidades comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e gestão democrática. Em outras palavras, trata-se de um sistema em que o capital serve às pessoas, e não, o contrário, ao capitalista..

No Brasil, esse modelo está presente em diversos ramos, como:

  • cooperativismo de crédito;
  • cooperativismo agropecuário;
  • cooperativismo de saúde;
  • cooperativismo de transporte;
  • cooperativismo de infraestrutura;
  • cooperativismo de consumo;
  • o novíssimo ramo de seguro
  • e, especialmente, o cooperativismo de trabalho, hoje no centro de importantes debates jurídicos.

E para saber mais sobre a chegada do modelo em nosso país, o Portal BR Cooperativo tem a matéria sobre o livro da advogada Adriana Amaral sobre o lançamento do livro que revela a origem do cooperativismo no Brasil Imperial.


2025: o Ano Internacional das Cooperativas e seu legado

E foram 365 dias intensos. Em 2025, a ONU decretou oficialmente o Ano Internacional das Cooperativas, reconhecendo que esse modelo contribui diretamente para:

  • redução das desigualdades;
  • geração de trabalho e renda;
  • inclusão social;
  • desenvolvimento local sustentável.

E foi a segunda vez que a ONU contemplou o cooperativismo com a sua atenção. A primeira foi em 2012. Esse reconhecimento global funcionou como um holofote: iluminou boas práticas, fortaleceu a imagem institucional do cooperativismo e, ao mesmo tempo, evidenciou fragilidades que precisavam ser enfrentadas.

Como resultado, o cooperativismo brasileiro termina o ano de 2025 mais visível, mais cobrado e mais estratégico.


Mudanças na representação institucional do cooperativismo

E a nova estratégia passa pela reforma institucional. Em dezembro de 2025, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) aprovou um novo estatuto que inaugurou um modelo de governança dual, separando de forma clara as funções políticas e estratégicas das responsabilidades executivas. A princípio, essa mudança pode parecer apenas administrativa; no entanto, na prática, ela redefine a forma como o cooperativismo dialoga com o Estado, o Judiciário e a sociedade.

Pelo novo modelo, o Conselho de Administração passa a concentrar-se na representação institucional, articulação política e definição de diretrizes estratégicas, enquanto a Presidência Executiva assume a gestão operacional, a execução de projetos e o cumprimento das metas nacionais. Assim, evita-se a sobreposição de funções e fortalece-se a eficiência organizacional.

Durante o período de transição, que se estende até 2028, Márcio Lopes de Freitas assume a presidência do Conselho de Administração, reforçando o papel político da entidade, ao mesmo tempo em que Tania Zanella passa a ocupar a Presidência Executiva.

STF

Essa reorganização institucional ocorre justamente em um momento sensível, em que o cooperativismo, especialmente o ramo trabalho, enfrenta debates jurídicos relevantes no Supremo Tribunal Federal (STF). Portanto, mais do que uma reforma interna, a nova governança da OCB representa uma estratégia de fortalecimento da representação nacional, capaz de dialogar com segurança jurídica, políticas públicas e agendas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em síntese, o cooperativismo brasileiro deixa de atuar apenas como um movimento econômico e passa a se posicionar, de forma estruturada, como ator institucional estratégico no Brasil pós-2025

A revista BR Cooperativo 41 traz matéria com Tania Zanella.

Entenda o cooperativismo

📌 O que é cooperativismo, em termos simples?

O cooperativismo é um modelo de organização econômica em que as pessoas se unem para trabalhar, produzir ou consumir juntas, dividindo responsabilidades, decisões e resultados. Diferentemente das empresas tradicionais, o foco não é o lucro para poucos, mas o benefício coletivo.

No Brasil, as cooperativas atuam em áreas como crédito, saúde, agricultura, transporte e trabalho, sendo reconhecidas legalmente e reguladas por legislação própria.

📌 O que mudou no cooperativismo após 2025?

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Após 2025, Ano Internacional das Cooperativas decretado pela ONU, o cooperativismo passou a ter:

maior visibilidade internacional;

mais responsabilidade institucional;

e maior atenção do Judiciário, especialmente em temas ligados ao trabalho.

📌 O cooperativismo de trabalho é legal?

Sim. O cooperativismo de trabalho é legal no Brasil, desde que respeite os princípios cooperativistas, a autogestão e a ausência de subordinação típica do vínculo empregatício. O problema está nas falsas cooperativas, que não seguem esses critérios.

O cooperativismo de trabalho no centro do debate nacional

Ao mesmo tempo em que avança institucionalmente, o cooperativismo enfrenta um de seus maiores desafios jurídicos recentes: o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de ações relacionadas à pejotização e às formas de contratação de trabalhadores.

Aqui surge uma pergunta crucial:
o cooperativismo de trabalho corre o risco de ser confundido com relações precárias de trabalho?

A resposta não é simples. E justamente por isso o tema exige atenção redobrada.

O cooperativismo de trabalho é um modelo legal, previsto em lei, baseado na autonomia dos cooperados, na autogestão e na ausência de vínculo empregatício tradicional. Contudo, decisões judiciais recentes e o julgamento em curso no STF geram insegurança jurídica, especialmente quando há interpretações que não diferenciam:

  • falsas cooperativas;
  • práticas de pejotização irregular;
  • e cooperativas legítimas, organizadas conforme a legislação.

Esse cenário preocupa lideranças do setor, pois uma decisão mal calibrada pode comprometer milhares de cooperativas regulares, afetando diretamente trabalhadores, prestadores de serviços e a economia solidária.

👉 Importante: o BR Cooperativo já publicou uma matéria específica sobre o julgamento do STF e seus impactos no cooperativismo de trabalho.

Desafios e oportunidades do cooperativismo no pós-2025

Se, por um lado, há desafios jurídicos e regulatórios, por outro, surgem oportunidades inéditas.

Atualmente, o cooperativismo brasileiro:

  • dialoga com a agenda ESG;
  • se conecta à economia digital;
  • fortalece modelos de trabalho coletivo;
  • e se posiciona como alternativa ao individualismo econômico.

Assim, o pós-2025 representa um momento de maturidade. Como numa engrenagem bem ajustada, cada decisão institucional, jurídica e comunicacional passa a impactar diretamente a credibilidade do setor.

O futuro do cooperativismo brasileiro: para onde vamos?

Por fim, a pergunta que ecoa é: qual será o papel do cooperativismo no Brasil daqui para frente?

Tudo indica que:

  • o cooperativismo continuará crescendo;
  • terá papel central no desenvolvimento sustentável;
  • precisará investir em comunicação, transparência e defesa institucional;
  • e deverá atuar de forma cada vez mais articulada para proteger seus princípios.

Assim, o cooperativismo brasileiro entra no pós-2025 mais reconhecido, mais observado e mais responsável. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em segurança jurídica, fortalecimento institucional e expansão consciente.

Tags: Ano Internacional das Cooperativascooperativismo após 2025Cooperativismo de trabalhoEleições 2026O que é cooperativismoONU cooperativismosistema cooperativista brasileiroSTF pejotização cooperativas
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Claudio Rangel

Claudio Rangel

Formado em Comunicação Social, Habilitação Básica em Jornalismo, pela Universidade Gama Filho, em 1983, com pós-graduação em Assessoria de Imprensa pela Universidade Estácio de Sá (2000), pós-graduação em Gestão Executiva de Cooperativas pelo Sescoop-RJ, pós-graduação em Gestão de Processos pela Execoop, em 2025. Participou da Dominiumcoop em 2000 e da OCB-RJ no mesmo ano, atualmente é diretor da Cooperativa de Profissionais de Comunicação e Marketing - Comunicoop e editor da Revista BR Cooperativo. Edita a Folha do Motorista do Rio de Janeiro, que trata também do cooperativismo de transporte.

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