O Cooperativismo no Brasil provoca mudanças no cenário nacional. Mas uma pergunta é inevitável e necessária. Afinal, 2025 não foi apenas um marco simbólico para oo setor, mas, sobretudo, um divisor de águas para o cooperativismo no Brasil e no mundo.
E é fácil defender esta tese. A princípio, o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou algo que o setor já sabia: as cooperativas são protagonistas no desenvolvimento econômico, social e sustentável. Entretanto, logo em seguida, emergiram novos desafios, reposicionamentos institucionais e debates jurídicos que passam a moldar o cooperativismo brasileiro no pós-2025.
O cooperativismo no Brasil: conceito e base estrutural
Antes de fazermos uma análise da situação atual e sobre os impactos dos acontecimentos recentes do sistema, convém responder à pergunta fundamental: o que é cooperativismo?
O cooperativismo é um modelo socioeconômico baseado na união voluntária de pessoas que se organizam para satisfazer necessidades comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e gestão democrática. Em outras palavras, trata-se de um sistema em que o capital serve às pessoas, e não, o contrário, ao capitalista..
No Brasil, esse modelo está presente em diversos ramos, como:
- cooperativismo de crédito;
- cooperativismo agropecuário;
- cooperativismo de saúde;
- cooperativismo de transporte;
- cooperativismo de infraestrutura;
- cooperativismo de consumo;
- o novíssimo ramo de seguro
- e, especialmente, o cooperativismo de trabalho, hoje no centro de importantes debates jurídicos.
E para saber mais sobre a chegada do modelo em nosso país, o Portal BR Cooperativo tem a matéria sobre o livro da advogada Adriana Amaral sobre o lançamento do livro que revela a origem do cooperativismo no Brasil Imperial.
2025: o Ano Internacional das Cooperativas e seu legado
E foram 365 dias intensos. Em 2025, a ONU decretou oficialmente o Ano Internacional das Cooperativas, reconhecendo que esse modelo contribui diretamente para:
- redução das desigualdades;
- geração de trabalho e renda;
- inclusão social;
- desenvolvimento local sustentável.
E foi a segunda vez que a ONU contemplou o cooperativismo com a sua atenção. A primeira foi em 2012. Esse reconhecimento global funcionou como um holofote: iluminou boas práticas, fortaleceu a imagem institucional do cooperativismo e, ao mesmo tempo, evidenciou fragilidades que precisavam ser enfrentadas.
Como resultado, o cooperativismo brasileiro termina o ano de 2025 mais visível, mais cobrado e mais estratégico.
Mudanças na representação institucional do cooperativismo
E a nova estratégia passa pela reforma institucional. Em dezembro de 2025, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) aprovou um novo estatuto que inaugurou um modelo de governança dual, separando de forma clara as funções políticas e estratégicas das responsabilidades executivas. A princípio, essa mudança pode parecer apenas administrativa; no entanto, na prática, ela redefine a forma como o cooperativismo dialoga com o Estado, o Judiciário e a sociedade.
Pelo novo modelo, o Conselho de Administração passa a concentrar-se na representação institucional, articulação política e definição de diretrizes estratégicas, enquanto a Presidência Executiva assume a gestão operacional, a execução de projetos e o cumprimento das metas nacionais. Assim, evita-se a sobreposição de funções e fortalece-se a eficiência organizacional.
Durante o período de transição, que se estende até 2028, Márcio Lopes de Freitas assume a presidência do Conselho de Administração, reforçando o papel político da entidade, ao mesmo tempo em que Tania Zanella passa a ocupar a Presidência Executiva.
STF
Essa reorganização institucional ocorre justamente em um momento sensível, em que o cooperativismo, especialmente o ramo trabalho, enfrenta debates jurídicos relevantes no Supremo Tribunal Federal (STF). Portanto, mais do que uma reforma interna, a nova governança da OCB representa uma estratégia de fortalecimento da representação nacional, capaz de dialogar com segurança jurídica, políticas públicas e agendas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Em síntese, o cooperativismo brasileiro deixa de atuar apenas como um movimento econômico e passa a se posicionar, de forma estruturada, como ator institucional estratégico no Brasil pós-2025
A revista BR Cooperativo 41 traz matéria com Tania Zanella.
Entenda o cooperativismo
📌 O que é cooperativismo, em termos simples?
O cooperativismo é um modelo de organização econômica em que as pessoas se unem para trabalhar, produzir ou consumir juntas, dividindo responsabilidades, decisões e resultados. Diferentemente das empresas tradicionais, o foco não é o lucro para poucos, mas o benefício coletivo.No Brasil, as cooperativas atuam em áreas como crédito, saúde, agricultura, transporte e trabalho, sendo reconhecidas legalmente e reguladas por legislação própria.
📌 O que mudou no cooperativismo após 2025?
maior visibilidade internacional;
mais responsabilidade institucional;
e maior atenção do Judiciário, especialmente em temas ligados ao trabalho.
📌 O cooperativismo de trabalho é legal?
Sim. O cooperativismo de trabalho é legal no Brasil, desde que respeite os princípios cooperativistas, a autogestão e a ausência de subordinação típica do vínculo empregatício. O problema está nas falsas cooperativas, que não seguem esses critérios.
O cooperativismo de trabalho no centro do debate nacional
Ao mesmo tempo em que avança institucionalmente, o cooperativismo enfrenta um de seus maiores desafios jurídicos recentes: o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de ações relacionadas à pejotização e às formas de contratação de trabalhadores.
Aqui surge uma pergunta crucial:
o cooperativismo de trabalho corre o risco de ser confundido com relações precárias de trabalho?
A resposta não é simples. E justamente por isso o tema exige atenção redobrada.
O cooperativismo de trabalho é um modelo legal, previsto em lei, baseado na autonomia dos cooperados, na autogestão e na ausência de vínculo empregatício tradicional. Contudo, decisões judiciais recentes e o julgamento em curso no STF geram insegurança jurídica, especialmente quando há interpretações que não diferenciam:
- falsas cooperativas;
- práticas de pejotização irregular;
- e cooperativas legítimas, organizadas conforme a legislação.
Esse cenário preocupa lideranças do setor, pois uma decisão mal calibrada pode comprometer milhares de cooperativas regulares, afetando diretamente trabalhadores, prestadores de serviços e a economia solidária.
👉 Importante: o BR Cooperativo já publicou uma matéria específica sobre o julgamento do STF e seus impactos no cooperativismo de trabalho.
Desafios e oportunidades do cooperativismo no pós-2025
Se, por um lado, há desafios jurídicos e regulatórios, por outro, surgem oportunidades inéditas.
Atualmente, o cooperativismo brasileiro:
- dialoga com a agenda ESG;
- se conecta à economia digital;
- fortalece modelos de trabalho coletivo;
- e se posiciona como alternativa ao individualismo econômico.
Assim, o pós-2025 representa um momento de maturidade. Como numa engrenagem bem ajustada, cada decisão institucional, jurídica e comunicacional passa a impactar diretamente a credibilidade do setor.
O futuro do cooperativismo brasileiro: para onde vamos?
Por fim, a pergunta que ecoa é: qual será o papel do cooperativismo no Brasil daqui para frente?
Tudo indica que:
- o cooperativismo continuará crescendo;
- terá papel central no desenvolvimento sustentável;
- precisará investir em comunicação, transparência e defesa institucional;
- e deverá atuar de forma cada vez mais articulada para proteger seus princípios.
Assim, o cooperativismo brasileiro entra no pós-2025 mais reconhecido, mais observado e mais responsável. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em segurança jurídica, fortalecimento institucional e expansão consciente.



























