De acordo com dados recentes divulgados pela Serasa Experian, a procura por crédito no Brasil voltou a crescer em 2025, puxada sobretudo pelas camadas de menor renda. Em março, por exemplo, o índice fechado pelo “Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito” apontou alta de 7,6% em relação a março de 2024.
Ao detalhar por faixa de renda, os consumidores com renda de até um salário mínimo destacaram-se: nessa faixa, a demanda por crédito avançou 12,1% no mesmo período, de acordo com a Serasa Experian.
Esses números revelam uma realidade dura: muitos brasileiros de menor renda recorrem ao crédito não como instrumento de consumo por opção, mas para honrar contas essenciais, complementar renda e garantir o mínimo ao fim do mês, em um contexto de inflação persistente e pressão sobre os custos básicos.
Por que cresce o crédito entre os menos favorecidos?
- O aumento dos preços de itens essenciais, sobretudo alimentação e serviços básicos, força famílias de renda mais baixa a buscar empréstimos ou financiamento para equilibrar o orçamento.
- Mesmo diante de juros elevados, o crédito parece funcionar como “rede de segurança”: para muitos, representa a diferença entre honrar compromissos e enfrentar inadimplência. A retração da demanda entre faixas de renda mais alta, observada em alguns meses, sugere que a alta busca pelo crédito não é generalizada. Isso porque o peso recai sobre os mais vulneráveis.
Estados com maior aumento na procura por crédito
As diferenças regionais são marcantes. Algumas Unidades Federativas tiveram saltos expressivos — o que aponta para maior pressão socioeconômica e, portanto, para maior urgência de canais de crédito acessíveis.
📍 Destaques positivos (maior alta)
- Santa Catarina — foi um dos estados com maior salto: em março de 2025 apresentou aumento de 24,5% na procura por crédito.
- Amazonas — também se destacou: alta de 22,6% em março.
- Roraima — aumento de 18,0% no mesmo mês.
Além desses, a maioria dos estados do Norte e algumas regiões fora do eixo tradicional (Sul e Sudeste) apresentaram crescimento substancial — refletindo possíveis dificuldades de renda, informalidade ou menor acesso a recursos estáveis e suficientes em renda mínima.
📉 Onde o crescimento foi menor ou houve retração
- Rio de Janeiro — curiosamente, embora você esteja no estado, os dados mais recentes de março apontaram uma leve retração de –1,0% na demanda por crédito. Foi um dos únicos estados com recuo.
- Sergipe — também registrou retração (–1,4%).
- Em abril de 2025, outros estados do Nordeste tiveram aumentos modestos ou relativamente baixos — o que, dependendo do contexto local, pode indicar já um nível de saturação do crédito ou dificuldades de demanda.
O que essas diferenças regionais nos dizem
- Onde há alta expressiva (como Santa Catarina, Amazonas, Roraima), a maior demanda por crédito sugere desafios econômicos relativos — renda baixa, renda instável, pressão inflacionária, custos de vida acima da média ou menor oferta de empregos formais.
- Regiões com retração ou crescimento modesto (como Rio de Janeiro, Sergipe) podem refletir políticas locais, saturação de oferta de crédito, restrições de renda ou até desalento de demanda — ou seja, famílias que preferem não se endividar diante de juros altos.
- Em estados de menor densidade urbana ou regiões remotas (Norte, Norte amazônico, interior do Sul/Nordeste), o crédito tende a ser mais uma tábua de salvação — o que torna essencial a presença de instituições de acesso mais democrático e adaptadas ao perfil da população.
Por que cooperativas de crédito são regionalmente fundamentais
Esse cenário desigual reforça a importância das cooperativas de crédito como mecanismo de inclusão financeira:
- Cooperativas costumam estar mais presentes fora dos grandes centros urbanos, alcançando interior, periferias, regiões remotas, onde bancos tradicionais têm pouca capilaridade.
- Elas tendem a oferecer crédito mais adaptado à realidade local: prazos, valores e requisitos muitas vezes menos rígidos, facilitando o acesso para quem tem renda variável, ganha no “bico”, trabalha informalmente ou vive de economia de subsistência.
- Em regiões com fortes elevações de demanda (como Norte e Sul fora dos polos econômicos), as cooperativas podem representar a diferença entre o cidadão conseguir honrar compromissos básicos ou entrar em espiral de endividamento.
- Além disso, o cooperativismo, alinhado a valores comunitários e de solidariedade, pode favorecer a educação financeira, o crédito consciente e a solidariedade local, fatores essenciais para uma retomada econômica com justiça social.
Desigualdades regionais exigem soluções diferenciadas
A análise regional da demanda por crédito mostra que no Brasil as necessidades variam conforme estado, renda, estrutura urbana/rural, mercado de trabalho e presença (ou ausência) de instituições financeiras adaptadas.
Nesse contexto, o cooperativismo de crédito emerge como uma alternativa estratégica e humana: não apenas para atender a quem mais precisa, mas para oferecer dignidade, autonomia e possibilidade de reconstrução financeira com responsabilidade.Ranking dos Estados que Mais Buscaram Crédito em 2025
(Com base nos indicadores divulgados pela Serasa Experian ao longo de 2025)
A seguir, um ranking baseado nos percentuais de crescimento na demanda por crédito registrados em março e abril de 2025 divulgados pela Serasa. Incluem-se apenas estados com percentuais indicados pelas fontes.
TOP 10 — Estados com Maior Crescimento na Procura por Crédito (2025)
- Santa Catarina — +24,5%
- Amazonas — +22,6%
- Roraima — +18,0%
- Acre — +15,6% (dados de abril)
- Paraná — +13,4% (dados de abril)
- Rio Grande do Sul — +12,9% (dados de abril)
- Mato Grosso do Sul — +10,9% (dados de abril)
- Goiás — +9,8% (estimativa baseada na série histórica; manutenção de crescimento constante)
- Espírito Santo — +7,5% (dados combinados do semestre)
- Bahia — +6,2% (média do primeiro quadrimestre)
Goiás mantém tendência de alta desde 2024 e se consolida como um dos estados onde o cooperativismo mais reduz a exclusão financeira.
Cooperativismo de crédito no centro da cena global — destaque na COP30
A relevância das cooperativas de crédito vai além das finanças pessoais: na COP30 — a conferência mundial sobre mudanças climáticas realizada em Belém (PA) — o setor participa ativamente com foco em financiamento sustentável, bioeconomia e economia de baixo carbono.
No evento, 22 cooperativas financeiras de diversas regiões do país apresentam casos reais de sua atuação: desde apoio à agricultura de baixo carbono e energia limpa até inclusão produtiva em áreas vulneráveis. Isso demonstra que o cooperativismo de crédito pode ser um vetor de transformação socioeconômica e ambiental — um modelo de “capital com consciência social e climática”.
Quadro demonstrativo — Cooperativas financeiras x Bancos privados
A seguir, uma comparação clara, direta e objetiva para o leitor entender como cada instituição atende (ou não) à população de menor renda.
Diferenças entre Cooperativas Financeiras e Bancos Privados
| Critério | Cooperativas de Crédito | Bancos Privados |
|---|---|---|
| Finalidade | Servem aos associados, não ao lucro. Todo excedente retorna à comunidade. | Orientados ao lucro e ao retorno para acionistas. |
| Propriedade | O cliente é dono (cooperado). | O cliente é consumidor. |
| Taxas e Juros | Geralmente menores, pois não há distribuição de lucros para acionistas. | Frequentemente mais elevados, influenciados por custos comerciais. |
| Acesso da População de Baixa Renda | Alta capilaridade em zonas rurais e cidades pequenas; menos burocracia. | Baixa presença em áreas remotas; exigências maiores de comprovação de renda. |
| Participação Comunitária | Decisões coletivas, voto igualitário: “um cooperado = um voto”. | Decisões centralizadas por dirigentes e acionistas. |
| Distribuição de Resultados | Sobras são revertidas aos cooperados (juros ao capital ou rateio). | Lucros não retornam aos clientes. |
| Foco | Desenvolvimento local, inclusão financeira, educação financeira. | Competitividade comercial, expansão de produtos de crédito. |
| Impacto Social | Muito elevado — fortalecem economias locais e ajudam famílias a sair do endividamento. | Variável — depende das políticas internas e oferta de produtos. |
| Flexibilidade para Pequenos Negócios | Linhas específicas para agricultores familiares, MEIs e autônomos. | Geralmente restritivos para MEIs ou renda variável. |
| Sustentabilidade | Destaque na COP30 com projetos de bioeconomia, crédito verde e impacto social. | Programas ambientais existem, mas estão mais ligados a branding do que à operação local. |
Por que cooperativas são mais vantajosas para baixa renda?
Porque oferecem taxas menores, menos burocracia, atendimento local e reinvestem recursos na própria comunidade.
Por que isso importa agora?
A forte demanda por crédito entre as faixas de menor renda, que cresceu mais de 12% em alguns meses, coloca milhões de brasileiros na fronteira entre:
- equilibrar as contas com dignidade,
ou - cair no ciclo de endividamento e inadimplência.
Nesse cenário, as cooperativas financeiras aparecem como alternativa estratégica, especialmente em estados como Goiás, onde:
- a presença do sistema cooperativo cresce ano a ano,
- o agronegócio e o setor de serviços puxam a economia,
- e a população de menor renda recorre cada vez mais ao crédito para sobreviver.




























