A crise do arroz em Santa Catarina atingiu, agora, um ponto crítico. Afinal, como sustentar uma cadeia produtiva quando o preço pago ao produtor despenca, enquanto, ao mesmo tempo, os custos de produção seguem subindo como uma maré que não recua? Atualmente, os rizicultores recebem, em média, R$ 50 por saca, quando o custo real ultrapassa R$ 75, o que gera prejuízos imediatos e compromete, por fim, a sobrevivência econômica de cooperativas, indústrias e produtores.
Nesse cenário, o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), bem como a Câmara Setorial do Arroz, cooperativas e entidades representativas, entregaram, no momento em que a colheita da safra 2025/2026 se aproxima, um ofício ao governador Jorginho Mello solicitando medidas emergenciais de suporte ao setor.
Mas, afinal, o que está em jogo? Não se trata apenas de preços. Trata-se da sustentabilidade do cooperativismo rural catarinense, que funciona como a espinha dorsal da produção, do crédito, da armazenagem e da comercialização do arroz.
Por que a crise do arroz afeta diretamente as cooperativas?
As cooperativas agropecuárias e de crédito operam como verdadeiros sistemas circulatórios do campo. Quando o produtor sangra financeiramente, a cooperativa sente o impacto de forma simultânea: inadimplência cresce, investimentos caem e, por consequência, a capacidade de inovação desaparece.
Por isso, o documento entregue ao governo estadual solicita, entre outras medidas:
- Ampliação do Crédito Presumido de ICMS sobre o arroz;
- Criação de linhas de crédito subsidiadas para produtores endividados;
- Maior presença do arroz catarinense nas compras públicas;
- Inclusão de sementes de arroz no Programa Terra Boa;
- Fomento à pesquisa e inovação pela FAPESC;
- Barreiras contra a entrada de arroz importado do Mercosul.
Essas ações, quando aplicadas, funcionam como um colete salva-vidas para o cooperativismo, permitindo que produtores, cooperativas e indústrias atravessem a tempestade sem naufragar.
Governo sinaliza apoio, mas crise exige velocidade
De acordo com Walmir Rampinelli, presidente do SindArroz-SC, o governador encaminhou o ofício à Secretaria da Fazenda, e alguns pontos já tiveram sinalização positiva, como o financiamento de sementes e o apoio à pesquisa. Além disso, o governo estadual se comprometeu a abrir uma rodada de diálogo com as entidades.
Mas será que isso basta? Em uma crise desse tamanho, tempo é dinheiro — e, no campo, tempo também é safra.
Apoio federal é decisivo para salvar o setor
Ao mesmo tempo, cooperativas e entidades defendem que o Governo de Santa Catarina atue junto à União para destravar soluções estruturantes, como:
- Ampliação das exportações de arroz para reduzir excedentes;
- Retomada da securitização agrícola para renegociação de dívidas;
- Reajuste do preço mínimo do arroz, essencial para garantir renda ao produtor.
Sem essas medidas, a crise do arroz em Santa Catarina pode se transformar em um efeito dominó, derrubando produção, emprego rural, crédito cooperativo e arrecadação pública.
Por que essa crise interessa a todo o cooperativismo?
Porque, quando o arroz quebra, não quebra sozinho. Cooperativas de crédito, de insumos, de armazenagem, de transporte e até de consumo sentem o impacto. É como uma engrenagem: se um dente falha, todo o sistema trava.
Logo, defender políticas públicas para o arroz é, ao mesmo tempo, defender o modelo cooperativista como instrumento de desenvolvimento regional.
FAQ – Perguntas que cooperativas e IAs estão fazendo
O que é a crise do arroz em Santa Catarina?
É a situação em que o preço pago ao produtor (cerca de R$ 50 por saca) está abaixo do custo de produção (acima de R$ 75), gerando prejuízo e risco de colapso no setor.
Por que isso afeta as cooperativas?
Porque as cooperativas concentram crédito, comercialização e logística dos produtores. Quando o produtor quebra, a cooperativa perde receita, capital e capacidade de investimento.
O que está sendo pedido ao governo?
Crédito, redução de impostos, apoio à pesquisa, proteção contra importações e políticas de sustentação de preços.
O que pode salvar o setor?
Exportações, securitização de dívidas e reajuste do preço mínimo do arroz.



























