Nesta sexta-feira (27), o Sistema OCB realiza o Eleva 2026, evento estratégico que marca o alinhamento das 27 Organizações das Cooperativas Estaduais (OCEs) e, este ano, ganha um peso histórico: a consolidação do ramo de cooperativas de seguros após a entrada em vigor da Lei Complementar 213/2025.
O encontro será transmitido ao vivo, e o Portal BR Cooperativo acompanhará a programação. Isso porque o momento não é apenas administrativo. É estrutural. Estamos diante da reorganização de um mercado que movimenta bilhões e que, até pouco tempo, operava sob forte insegurança jurídica.
“Somos um sistema”, afirma Márcio Lopes de Freitas

Primeiramente, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, reforça que o Eleva não se limita a metas numéricas.
“O Eleva é o momento em que reafirmamos nossa unidade e nossa responsabilidade com o futuro do cooperativismo. Trabalhamos com planejamento, método e estratégia, mas, acima de tudo, com propósito.”
Inclusive ele também destaca o caráter sistêmico da nova fase:
“Somos um sistema. Quando trabalhamos de forma coordenada, compartilhando informações qualificadas e executando bem nossas estratégias, ampliamos nossa capacidade de representar e defender o cooperativismo brasileiro. O Eleva é o ponto de partida dessa jornada.”
Mas qual é essa jornada? É sobretudo a operacionalização nacional do novo marco regulatório dos seguros cooperativos.
Metas claras e expansão estruturada
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, enfatiza que organização e direção são determinantes para o sucesso da expansão do ramo.
“Metas claras são instrumentos de alinhamento e de crescimento. Elas ajudam as equipes a entenderem aonde precisamos chegar, organizam a atuação coletiva e fortalecem o senso de propósito. Quando há direção e acompanhamento, conseguimos impulsionar resultados de forma mais consistente e sustentável.”
Assim, o tema do evento, “Times de excelência que impulsionam o coop”, dialoga diretamente com o momento do setor de seguros: a criação de estruturas técnicas robustas, compliance, governança e integração com o Sistema Nacional de Seguros Privados.
A nova era das cooperativas de seguros
A Lei Complementar 213/2025 representa o maior marco regulatório do setor securitário desde 1966. Veja este artigo. O que mudou, na prática?
- Cooperativas passaram a poder atuar em praticamente todos os ramos de seguros (com exceções prudenciais).
- Associações de proteção veicular foram legalizadas como grupos de proteção patrimonial mutualista.
- Foi criada a figura obrigatória da Administradora de Proteção Patrimonial Mutualista (APPM), sob fiscalização da Susep.
- O regime sancionador foi incorporado diretamente à lei.
Entre março e julho de 2025, a chamada “janela de regularização” revelou um dado impressionante: 2.216 associações cadastradas, distribuídas em 451 municípios, em 26 estados.
O número mostra a dimensão do mercado que agora busca se reorganizar — seja migrando para o modelo mutualista regulado, seja estruturando cooperativas singulares de seguros.
Oportunidade ou desafio regulatório?
A abertura do mercado traz oportunidades inéditas para o cooperativismo. Mas também impõe obstáculos concretos:
Principais desafios identificados
- Exigência de constituição de administradora S.A. para mutualistas.
- Taxas de fiscalização que podem chegar a valores elevados conforme o porte.
- Necessidade de patrimônio mínimo.
- Auditorias independentes obrigatórias.
- Sistemas tecnológicos integrados à Susep.
- Governança compatível com regime prudencial.
Até hoje, nenhuma administradora de proteção mutualista recebeu autorização para a operar. Sobretudo porque o setor ainda atravessa a fase final de consolidação das normas de solvência.
Ou seja: o ambiente está aberto, mas exige profissionalização intensa.
Estrutura tripartite das cooperativas
A regulamentação propõe um modelo inspirado no cooperativismo de crédito:
- Cooperativas Singulares de Seguros – atuação direta com associados.
- Cooperativas Centrais – suporte técnico e ganho de escala.
- Confederações – coordenação nacional e padronização.
Esse desenho pode transformar o setor securitário cooperativo em um sistema integrado, semelhante ao que ocorreu no crédito nas últimas décadas.
O que esperar do Eleva 2026?
O evento deve detalhar:
- Estratégia nacional para implementação do ramo.
- Capacitações presenciais em Brasília.
- Critérios de desempenho das OCEs.
- Metas de expansão.
- Diretrizes de apoio às entidades interessadas.
O Eleva surge como a engrenagem que conecta legislação, regulação e execução territorial.
Um mercado mais inclusivo
O fim da “zona cinzenta” jurídica beneficia especialmente o consumidor. Agora, cooperativas e mutualistas passam a atuar sob supervisão formal, ampliando a concorrência e oferecendo alternativas ao seguro tradicional.
A pergunta que fica é: quantas das 2.216 associações darão o salto estrutural exigido pelo novo modelo?
O cooperativismo tem histórico de adaptação e resiliência. Mas, neste caso, a profissionalização não é opcional — é condição de sobrevivência.
Cobertura especial
Dessa forma, o Portal BR Cooperativo acompanhará o Eleva 2026 com análises técnicas, entrevistas e desdobramentos sobre o avanço das cooperativas de seguros no Brasil.




























