A Coamo Agroindustrial Cooperativa e a Copacol foram admitidas no Programa Cooperativo de Conformidade Fiscal Confia, da Receita Federal. A entrada das duas cooperativas paranaenses no programa marca um avanço do setor cooperativista em governança tributária, transparência e prevenção de litígios fiscais.
O que é o Confia
O Confia — Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal — é uma iniciativa da Receita Federal criada para construir uma relação mais colaborativa entre o Fisco e grandes contribuintes. Na prática, o programa tem como objetivos:
- reduzir litígios tributários;
- ampliar a previsibilidade nas relações entre empresas e administração tributária;
- fortalecer a segurança jurídica;
- estimular boas práticas de governança fiscal;
- criar canais diretos de diálogo entre Receita Federal e empresas;
- tratar riscos tributários de forma preventiva, antes que se tornem litígios.
Apesar do nome, o Confia não é exclusivo para cooperativas — o termo “cooperativo” descreve o modelo de relacionamento entre Fisco e contribuinte, não o tipo de empresa participante. Ainda assim, a chegada de cooperativas agroindustriais ao programa tem peso simbólico e estratégico para o setor.
Por que a entrada das cooperativas importa
A adesão de Coamo e Copacol ao Confia é significativa para o cooperativismo brasileiro porque coloca o setor em evidência dentro da agenda de governança tributária do país. Mais do que uma formalidade administrativa, a admissão sinaliza maturidade institucional e capacidade de diálogo técnico com a administração fiscal — atributos que tendem a se traduzir em ganhos reputacionais para as cooperativas e para o cooperativismo como modelo de negócio.
Coamo: números que sustentam a entrada no programa
Os resultados operacionais da Coamo ajudam a explicar o convite ao Confia. Segundo dados divulgados pelo Sistema Ocepar com base em informações da cooperativa, a Coamo encerrou 2025 com:
- receita global de R$ 28,7 bilhões;
- sobra líquida de R$ 2,019 bilhões;
- distribuição de mais de R$ 716 milhões aos cooperados.
No mesmo período, a cooperativa recebeu 9,617 milhões de toneladas de produtos — o equivalente a 2,7% da produção brasileira de grãos — e exportou 3,763 milhões de toneladas de commodities e alimentos, com faturamento de US$ 1,469 bilhão no mercado externo.
Copacol: diversificação e faturamento de R$ 11,1 bilhões
Com sede em Cafelândia (PR), a Cooperativa Agroindustrial Consolata Copacol também chega ao Confia com forte expressão econômica e social. Em 2025, a cooperativa faturou R$ 11,1 bilhões em um cenário considerado desafiador para o agronegócio.
A organização se destaca pela diversificação de atividades — com presença em avicultura, piscicultura, suinocultura, bovinocultura de leite e agricultura — além de atuação consolidada em mercados internacionais.
Uma mudança de cultura na relação com o Fisco
A admissão de Coamo e Copacol no Confia reflete uma mudança mais ampla na forma como o cooperativismo agroindustrial se relaciona com a administração pública. Como organizações de propriedade coletiva, ligadas diretamente aos cooperados e às comunidades onde atuam, as cooperativas precisam demonstrar, simultaneamente, eficiência econômica, responsabilidade social e rigor na gestão fiscal.
Nesse contexto, o Confia pode se tornar um instrumento de fortalecimento reputacional e institucional — não apenas para Coamo e Copacol, mas para o cooperativismo brasileiro como um todo, à medida que mais organizações do setor buscarem adesão ao programa.
Perguntas frequentes
O Confia é o Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal, uma iniciativa da Receita Federal que busca construir uma relação mais colaborativa com grandes contribuintes, reduzindo litígios e ampliando a previsibilidade tributária.
Não. O nome “cooperativo” se refere ao modelo de relacionamento entre Fisco e contribuinte, e não ao tipo de empresa. O programa é aberto a grandes contribuintes em geral.
A Coamo Agroindustrial Cooperativa e a Cooperativa Agroindustrial Consolata Copacol foram admitidas no programa, reforçando a presença do cooperativismo agroindustrial na agenda de conformidade fiscal.
A Coamo encerrou 2025 com receita global de R$ 28,7 bilhões e sobra líquida de R$ 2,019 bilhões, segundo dados do Sistema Ocepar.
A Copacol faturou R$ 11,1 bilhões em 2025, mantendo presença diversificada em avicultura, piscicultura, suinocultura, bovinocultura de leite e agricultura.Compartilhar




























