A carteira de crédito das cooperativas brasileiras cresceu 13,1% em 2025, acima dos 8,5% registrados pelo restante do Sistema Financeiro Nacional. O dado, divulgado pelo Banco Central no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo 2025, mostra a força de um segmento que vem ampliando sua relevância no sistema financeiro brasileiro.
Mas o crescimento também traz uma nova responsabilidade. Quanto maior a escala do crédito, maior precisa ser a capacidade de controlar como ele é analisado, aprovado, acompanhado e administrado.
Os números do próprio Banco Central ajudam a dimensionar esse desafio. O índice de ativos problemáticos chegou a 7,8% da carteira do cooperativismo no fim de 2025, depois de atingir 8,3% em agosto. O indicador, porém, não deve ser interpretado como percentual de perdas efetivas. Segundo o BC, as provisões permaneceram acima das perdas esperadas, com índice de cobertura de 1,04, enquanto os resultados agregados continuaram positivos e os níveis de capital permaneceram confortáveis.
Há ainda um aspecto metodológico, já que a parte relevante do aumento dos ativos problemáticos esteve relacionada à entrada em vigor de novas regras contábeis, que alteraram o reconhecimento de determinadas operações inadimplentes.
Nesse ponto, o cooperativismo já mostrou que consegue expandir o crédito. O próximo desafio é garantir que a capacidade de gestão cresça na mesma velocidade.
Crescimento exige mais controle
Uma carteira maior significa mais análises, documentos, validações, aprovações, exceções e decisões. Nesse cenário, eficiência é aprovar melhor e com mais controle.
Isso envolve saber quais informações sustentaram uma decisão, quais validações foram realizadas, quem participou da aprovação, quais exceções ocorreram, quanto tempo cada etapa levou e se a operação pode ser reconstruída posteriormente.
Quando essas informações estão dispersas em e-mails, planilhas ou sistemas que não conversam entre si, o crescimento pode aumentar o retrabalho e reduzir a visibilidade sobre a operação. Em escala, esse problema deixa de ser apenas operacional e passa a ser uma questão de governança.
É justamente nessa camada que tecnologia e automação ganham relevância. Digitalizar um processo é estabelecer fluxos, responsabilidades, registros e indicadores que permitam acompanhar a operação de ponta a ponta. Experiências no próprio cooperativismo mostram que eficiência e controle podem caminhar juntos.
Exemplos de cooperativas de crédito que preparam a base para escala
Na Sicoob Credifor, com apoio da Lecom, mais de 50 processos foram digitalizados e automatizados, incluindo concessão de crédito, abertura de contas, consórcios e seguros. O projeto reduziu em 45% o tempo médio de resposta aos associados, gerou ganho médio de 60% em eficiência operacional e diminuiu em cerca de 25% o retrabalho.
A organização e a documentação dos processos também ampliam a governança, porque tornam o fluxo mais estruturado e menos dependente de conhecimento concentrado em pessoas específicas.
O mesmo princípio aparece no Sicoob Nova Central. Após a união de duas centrais, a instituição precisou padronizar fluxos e ampliar a visibilidade sobre a operação. Foram estruturados processos com aprovações 100% digitais e rastreabilidade ponta a ponta com a Lecom.
A automação de processos de malote e almoxarifado, por exemplo, gerou economia superior a 26 horas de trabalho por dia, em uma estrutura que alcança mais de 279 mil cooperados.
Isso mostra que, à medida que a organização cresce, diferentes processos precisam ter padrões, responsabilidades e informações claras. Saber que uma aprovação aconteceu, quem participou, quais condições foram consideradas e quais documentos a sustentaram é relevante.
Essa capacidade se torna especialmente importante quando a operação ganha escala.
Cooperativismo como referência de crescimento exponencial
O cooperativismo de crédito brasileiro já demonstrou que consegue crescer acima do restante do mercado. Agora, a eficiência precisa ser medida também pela capacidade de sustentar esse crescimento com previsibilidade e controle.
A pergunta deixa de ser apenas quantas operações uma instituição consegue processar e passa a incluir outras:
Como essa decisão foi tomada?
Conseguimos reconstruir o caminho da operação?
Temos visibilidade dos gargalos e do retrabalho?
As áreas trabalham sobre as mesmas informações?
Se uma exceção acontecer, podemos identificá-la e agir rapidamente?
Responder a essas questões é parte da infraestrutura necessária para uma nova etapa do cooperativismo. Quando a carteira cresce 13,1% em um único ano, também crescem as decisões, os processos e as informações que precisam ser acompanhados.
*Rafael Silva é Diretor de Marketing e Expansão na Lecom, com mais de 20 anos de experiência no mercado de tecnologia.


























