O cooperativismo de crédito brasileiro vive um ciclo de forte expansão, mas o avanço do setor vem acompanhado de um desafio estratégico: crescer sem perder a identidade cooperativista. Esse foi o eixo central de um debate promovido pela Confebras durante a celebração do Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC), com participação de Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, e Cledir Magri, presidente da Cresol e coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito (Ceco).
Durante o encontro, as lideranças destacaram que o cooperativismo financeiro vem ampliando sua presença no país, fortalecendo o acesso ao crédito, a inclusão financeira e o desenvolvimento local. De fato, cooperativas como Sicredi, Sicoob, Unicred entre outras são a prova disso.

E os números falam por si. De acordo com Fabíola, o ramo passou de cerca de 10 milhões de cooperados, em 2019, para aproximadamente 23 milhões atualmente. O setor também reúne cerca de 680 cooperativas, supera R$ 1 trilhão em ativos e já responde por mais de 8% do crédito concedido no Brasil.
Diferença cooperativista
Na avaliação da superintendente do Sistema OCB, o grande diferencial do cooperativismo está no fato de que o usuário dos serviços também é dono da instituição. Isso fortalece o vínculo com a cooperativa, estimula a participação e amplia o compromisso com o desenvolvimento das comunidades onde essas organizações atuam.
Outro ponto destacado foi a capilaridade do segmento. De acordo com os dados citados, em mais de mil municípios brasileiros a cooperativa de crédito é a única instituição financeira com atendimento presencial. Assim, o setor tem papel relevante em regiões menos atendidas pelo sistema bancário tradicional.
Ao olhar para o futuro, Fabíola apontou três condições essenciais para que o crescimento continue de forma sustentável: um ambiente regulatório compatível com as especificidades do modelo cooperativista, a preservação da cultura, o fortalecimento da intercooperação e a comunicação conjunta do setor.
Um ramo de desafios
Cledir Magri reforçou que os desafios do cooperativismo financeiro não podem ser enfrentados de forma isolada. Segundo ele, temas como regulação, eficiência operacional, tributação, inovação, crédito rural e segurança cibernética exigem articulação institucional e construção coletiva de soluções. Para o dirigente, o setor precisa incorporar tecnologia, inclusive inteligência artificial, mas sem abrir mão da proximidade com os cooperados e da presença nas comunidades.
O debate também mostrou que a transformação digital, embora inevitável, precisa ser acompanhada pela valorização da governança e da cultura cooperativista. Ao término da live, o participantes avaliaram a situação atual do ramo Crédito. Para eles, o futuro dependerá da capacidade de equilibrar crescimento, inovação e fidelidade aos princípios que diferenciam o modelo cooperativo no sistema financeiro nacional.
























