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Home Agronegócio

Inteligência para o agronegócio

José Zeferino Pedrozo De José Zeferino Pedrozo
27/01/2022
Reading Time: 3 mins read
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Agronegócio

Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC).

O agronegócio é o tema do artigo do Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), José Zeferino Pedrozo.

A agricultura é uma atividade exposta a muitos fatores incontroláveis e imprevisíveis: clima, mercado, câmbio, políticas públicas, crédito, emergências sanitárias etc. É uma  empresa sem telhado. Nas últimas décadas, o crescente emprego de tecnologia garantiu sucessivos aumentos da produção e da produtividade e, assim, reduziu o nível de incerteza nesse aspecto.

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         Contudo, como resultado conjugado de todas as variáveis imprevisíveis, os agentes do mercado – produtores rurais, agroindústrias, consumidores etc. – enfrentam, alternadamente, períodos de escassez sucedidos de períodos de excesso de demanda, ora castigando quem consume, ora quem produz.

         Exemplos marcantes – e dolorosos – são as crises de abastecimento de matéria-prima (milho e farelo de soja) para as indústrias de processamento de carne, que se repetem periodicamente. A queda na produção torna o grão escasso de um lado; de outro, a alta cotação do dólar e a crescente demanda da China tornaram a exportação irresistível para os produtores. Assim, as vendas ao exterior deixam o mercado interno desabastecido. A menor disponibilidade do grão no mercado interno eleva os preços, aumenta os custos de produção e leva criadores e agroindústrias ao colapso, além de encarecer os alimentos para a população.

Esse é um dos fenômenos mercadológicos que podem ser adredemente estudados com modelos de previsão e prevenção de crise. Essa atividade de inteligência e planejamento agrícola será atribuída, em breve, à Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, de acordo com anúncio que a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, fez recentemente em Chapecó. Países desenvolvidos já contam com esse serviço, incrustado em estrutura estatal ou exercido por meio de agências independentes, mantidas pelo setor privado.

É lúcida e acertada a intenção da ministra. A Conab foi criada, em abril de 1990, como empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, visando assegurar o atendimento das necessidades básicas da sociedade, preservando e estimulando os mecanismos de mercado. Entretanto, em razão da dinâmica do mercado, que encontrou caminhos próprios, perdeu musculatura na execução das políticas de formação, armazenagem, remoção e escoamento dos estoques reguladores e estratégicos de produtos agropecuários, bem como no abastecimento e na regulação da oferta de produtos agropecuários no mercado interno.

Por isso, é previsível que a nova fase da Conab será extramente positiva para o agronegócio brasileiro. Poderá evitar, por exemplo, a repetição da crise do superencarecimento dos grãos (milho e soja) que assolou em 2012 (e repetiu-se em 2021) violentamente as maiores cadeias produtivas do Brasil e causa pesados prejuízos à avicultura e à suinocultura. O elevadíssimo custo do milho inviabilizou dezenas de pequenas e médias indústrias frigoríficas e tornou insolvente milhares de criadores.

As avaliações e previsões da agência de inteligência agrícola serão essenciais para balizar o mercado, orientar a planificação das grandes cadeias produtivas, o desenvolvimento das lavoura, a pecuária e o extrativismo, prevenindo escassez acentuada ou oferta excessiva. Esse esforço de inteligência também auxiliará para que as exportações – necessárias e essenciais para a economia brasileira – ganhem cada vez mais competitividade e não provoquem desabastecimento interno. Hoje, as exportações para a China continuam elevadas e estão segurando os preços no mercado internacional. O surgimento de novos focos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia e na Europa indica que a demanda internacional pelo produto brasileiro continuará elevada – mas, e amanhã?

Tags: agriculturaAgroindústriasagronegócioConabcooperativadisponibilidade de grão no mercadoInovação
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José Zeferino Pedrozo

José Zeferino Pedrozo

José Zeferino Pedrozo - Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).

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