No momento em que o mundo discute a equidade de gênero e o papel da mulher na economia, um movimento silencioso, porém transformador, cresce no baixo Sul da Bahia. Ali, mulheres que antes eram invisíveis, relegadas à sombra da produção rural, passaram a ocupar o centro da cena graças à força do cooperativismo e a parcerias com empresas comprometidas com a sustentabilidade. Um desses exemplos de mudança real e duradoura é a trajetória das integrantes da Cooperativa Feminina da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Valença (COOMAFES).
A princípio, essas mulheres dividiam a lida no campo com os maridos, mas pouco participavam da comercialização ou da gestão da renda. A lógica era antiga: o homem vendia, recebia e decidia. Contudo, esse ciclo começou a ser rompido quando um grupo de agricultoras decidiu escrever uma nova página da própria história. Elas criaram uma feira, um espaço simples, mas revolucionário, onde puderam comercializar seus produtos diretamente. Enfim, ali nascia mais do que um ponto de venda: surgia um ponto de encontro, de cura, de força coletiva.

“Na feira, nós não vendemos apenas alimentos. Vendemos dignidade, trocamos vivências, aprendemos umas com as outras. É o nosso espaço de terapia”, relata Maria Joselita Santos, carinhosamente chamada de Branca, uma das líderes da cooperativa.
A COOMAFES
Hoje, mais de 100 mulheres fazem parte da COOMAFES. Sem dúvida, trata-se de uma experiência que transforma vidas. A cada semana, cerca de 30 delas participam da feira e voltam para casa não apenas com dinheiro no bolso, mas também com autoestima elevada e reconhecimento social — elementos essenciais para a emancipação feminina no campo.
Logo que começaram a ganhar visibilidade, as cooperadas passaram a contar com um reforço importante: o apoio da Binatural, empresa brasileira especializada na produção de biodiesel. Ao investir na cooperativa, a empresa mostrou que o setor privado pode e deve atuar como catalisador de mudanças estruturais. “Quando vendemos para a Binatural, mostramos que nosso trabalho tem valor. Isso nos impulsiona e inspira outras mulheres”, afirma Branca, com brilho nos olhos.
Ao mesmo tempo em que cuidam da terra, essas agricultoras também cultivam conhecimento. Participam de formações, trocam sementes e saberes, e descobrem novas formas de autogestão. Conforme dados do Censo Agropecuário do IBGE, apenas 19% dos estabelecimentos rurais no Brasil são liderados por mulheres. Contudo, elas representam 40% da força de trabalho na agricultura familiar. Isso evidencia um paradoxo histórico que a COOMAFES ajuda a corrigir, ao empoderar e colocar essas mulheres no comando de seus próprios destinos.

Liberdade na cooperativa
Casos como o de Francildes dos Santos Souza ilustram essa virada de chave. “Sempre trabalhei na roça, mas só depois da cooperativa ganhei minha independência. Hoje tenho minha casa, meu dinheiro e liberdade”, afirma ela. Já Larissa dos Santos de Jesus compartilha que a paixão pela terra lhe foi herdada da família: “A agricultura é minha herança e meu futuro. Na cooperativa, eu encontrei um grupo que sonha junto comigo.”
Afinal, o que está em jogo vai muito além da produção agrícola. Está em curso um processo de valorização da mulher do campo — uma revolução silenciosa, mas impactante. E a parceria com empresas como a Binatural mostra que, sim, é possível gerar desenvolvimento sustentável com inclusão social, responsabilidade ambiental e justiça econômica.
Por fim, quando o cooperativismo se une ao investimento social privado, os frutos não são apenas colhidos, mas compartilhados. Hoje, essas agricultoras são líderes, empreendedoras, formadoras e inspiração para outras tantas mulheres Brasil afora. O que começou como uma feira tornou-se um símbolo de transformação coletiva — uma prova concreta de que, desde que se dê voz às protagonistas certas, o campo pode florescer de maneira mais justa e humana.




























