Lideranças estaduais do cooperativismo aprovaram a modernização do estatuto da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em Assembleia Extraordinária realizada na Casa do Cooperativismo, nesta terça-feira (9). Assim, surge um novo modelo de governança dual e validando as prioridades estratégicas para 2026. O movimento marca a transição para uma estrutura mais profissional, transparente e alinhada às demandas de um setor que ganhou protagonismo econômico, social e político nos últimos anos.
Governança dual em transição
O eixo central da mudança estatutária é a separação clara entre governança política e gestão executiva. O novo desenho institucional entra em vigor em 2028, mas já entra em período de transição. Assim, a condução estratégica e representativa da OCB fica a cargo do Conselho de Administração, enquanto a execução operacional passa a ser responsabilidade da Presidência Executiva.
Com isso, Márcio Lopes de Freitas assume a Presidência do Conselho de Administração da OCB, fortalecendo a atuação institucional, política e de articulação do Sistema OCB. Já Tania Zanella, até então superintendente, torna-se a Presidente Executiva da OCB, responsável pela gestão das atividades, programas e projetos nacionais.
Pelo estatuto aprovado, os atuais membros da Diretoria permanecem em seus mandatos, porém passa a ser os Conselheiros de Administração. Dessa forma, pretene-se manter a continuidade, estabilidade e coerência na transição.
Ao defender a reforma, Márcio Lopes de Freitas destacou o caráter evolutivo da decisão. “Construímos um modelo mais moderno, equilibrado e transparente, capaz de garantir sustentabilidade institucional para os próximos anos. O cooperativismo amadureceu — e a OCB precisava dar esse salto”, afirmou. O presidente do Conselho ressaltou ainda que o processo foi amplamente debatido, com escuta ativa das Organizações Estaduais, apoio técnico-jurídico e consultorias especializadas.
Quem ocupa os cargos no novo modelo do Sistema OCB
Com a reforma estatutária, a estrutura nacional fica assim definida no período de transição:
- Presidente do Conselho de Administração da OCB: Márcio Lopes de Freitas
- Presidente Executiva da OCB: Tania Zanella
- Conselho de Administração: composto pelos atuais dirigentes eleitos no estatuto anterior, com representação regional
- Região Centro-Oeste: Luís Alberto Pereira
- Região Nordeste: André Pacelli
- Região Norte: Ricardo Khouri
- Região Sul: Darci Pedro Hartmann
- Região Sudeste: Edivaldo Del Grande
Esses conselheiros passam a ter papel central no acompanhamento estratégico, na supervisão da gestão executiva e no aperfeiçoamento contínuo do novo modelo.
Um marco simbólico e prático: Tania Zanella na presidência executiva
Em seu primeiro discurso como presidente executiva, Tania Zanella ressaltou o simbolismo e a responsabilidade do momento. Primeira mulher a ocupar o cargo máximo da gestão da OCB, ela afirmou estar pronta para liderar com coragem, diálogo e foco em resultados. “Sei da responsabilidade e estou preparada para conduzir a gestão com compromisso e eficiência para as cooperativas brasileiras”, declarou, sob aplausos do plenário.
Para Luís Alberto Pereira, conselheiro do Centro-Oeste, a escolha representa mérito e reconhecimento. Segundo ele, a nomeação de Tania reflete preparo, liderança e capacidade de diálogo, atributos essenciais para um sistema que reúne milhares de cooperativas em diferentes ramos e regiões do país.
Outros conselheiros reforçaram o caráter histórico da decisão. Por exemplo, André Pacelli, do Nordeste, destacou o nível de profissionalização do processo, enquanto Ricardo Khouri, do Norte, enfatizou que o Conselho terá papel decisivo no aprimoramento do modelo. Já Darci Pedro Hartmann, do Sul, sublinhou o compromisso ético da nova estrutura, e Edivaldo Del Grande, do Sudeste, também apontou o consenso responsável como sinal de amadurecimento institucional.
A trajetória de Tania Zanella no cooperativismo e no agro
Com sólida atuação no cooperativismo brasileiro, Tania Zanella construiu sua carreira a partir da gestão técnica e institucional do Sistema OCB. Antes de assumir a Presidência Executiva, ocupou a Superintendência do Sistema OCB, posição em que teve papel central na coordenação de políticas nacionais, no relacionamento com os poderes da República e no fortalecimento da imagem pública do cooperativismo.
Sua atuação está fortemente ligada ao cooperativismo agropecuário, ramo que responde por parcela significativa da produção de alimentos, das exportações e da geração de renda no país. Ao longo de sua trajetória, Tania esteve envolvida em agendas estratégicas como defesa institucional, segurança jurídica, modernização da gestão cooperativa, inovação e sustentabilidade, dialogando com produtores, dirigentes, técnicos e formuladores de políticas públicas.
Reconhecida pela capacidade de articulação e pelo perfil técnico, ela se consolida agora como uma das principais lideranças do cooperativismo nacional, à frente da gestão executiva de um sistema que representa mais de 18 milhões de cooperados no Brasil.
Agenda estratégica e orçamento aprovados para 2026
Além da reforma estatutária, a Assembleia aprovou o plano de trabalho e o orçamento da OCB para 2026, consolidando uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento institucional e à ampliação da presença pública do cooperativismo.
Entre as prioridades estão:
- Ampliação do Programa de Educação Política;
- Acompanhamento aprofundado da implementação da reforma tributária;
- Consolidação do marketplace do cooperativismo;
- Diretrizes para uso ético e eficiente da inteligência artificial;
- Intensificação de ferramentas de business intelligence (BI);
- Ações estruturadas para reforçar a imagem e visibilidade do cooperativismo brasileiro.
De acordo com Márcio Lopes de Freitas, o planejamento aprovado reflete um sistema confiante e maduro. “Temos uma previsão orçamentária confortável, construída a partir das diretrizes do 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo e da escuta às Organizações Estaduais. Isso nos permite transformar visibilidade em ações permanentes nos territórios”, concluiu.
Em resumo, com a nova governança e a agenda estratégica definida, a OCB inicia um novo ciclo — mais profissional, integrado e preparado para responder aos desafios e oportunidades do cooperativismo brasileiro nos próximos anos.



























