Na tarde desta terça-feira, 17, representantes do cooperativismo, das agroindústrias e de entidades de representação do agro catarinense entregaram, em Brasília, o “Manifesto do Cooperativismo e das Agroindústrias Catarinenses pela Modernização Responsável da Jornada de Trabalho” a parlamentares da bancada de Santa Catarina. O movimento ocorre em meio ao avanço do debate nacional sobre o fim da escala 6×1, tema que segue em tramitação legislativa e sob forte pressão popular por mudanças no modelo atual de jornada.
O documento foi encaminhado aos deputados federais Carlos Chiodini, Gilson Marques, Ismael dos Santos, Valdir Cobalchini, Ricardo Guidi, Júlia Zanatta, Geovania Sá e Zé Trovão, além dos senadores Esperidião Amin e Ivete da Silveira. Assinado por nove entidades, o manifesto sustenta que a discussão sobre a escala 6×1 precisa ser conduzida com base técnica, previsibilidade e diálogo institucional.
Segundo o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, o cooperativismo catarinense defende a modernização das relações de trabalho, mas rejeita decisões apressadas em um tema que afeta diretamente cadeias produtivas intensivas em operação contínua. Afinal, como redesenhar a jornada sem comprometer linhas de produção, indústrias, granjas, frigoríficos e lojas? Para o setor, alterar a engrenagem sem medir os efeitos pode transformar uma tentativa de avanço em fonte de insegurança econômica.
Escala 6×1 está em debate, mas ainda não mudou a lei
Hoje, a escala 6×1 continua permitida pela legislação trabalhista brasileira, dentro dos limites constitucionais e das regras da CLT, além do que estiver previsto em convenções e acordos coletivos de cada categoria. Ao mesmo tempo, propostas em discussão no Congresso buscam reduzir a jornada semanal máxima e ampliar os dias de descanso. Entre elas, há textos que apontam para limite de 36 horas semanais com dois dias de folga, enquanto outras propostas tratam da redução gradual da carga horária, com transição ao longo de vários anos.
No Senado, a PEC 148/2015 foi aprovada pela CCJ e está pronta para análise do Plenário, prevendo transição gradual até 36 horas semanais e pelo menos dois dias de repouso por semana. Já na Câmara, a PEC 8/2025, associada ao debate sobre o fim da escala 6×1, propõe 36 horas semanais e mudança mais profunda no regime de trabalho. Além disso, a PEC 221/2019 também trata da redução da jornada, embora não elimine automaticamente a escala 6×1.
Manifesto alerta para impacto de R$ 10,8 bilhões
Com base em levantamento citado no documento, a eventual mudança no regime atual de jornada pode gerar impacto estimado de R$ 10,8 bilhões por ano somente para cooperativas e agroindústrias catarinenses. O texto também destaca que o setor mantém 102.402 empregos diretos em Santa Catarina e poderá demandar novas contratações caso haja redução da jornada semanal sem uma transição planejada.
Em seguida, vem a pergunta que ecoa no setor produtivo: quem absorverá esse custo? Por outro lado, quando a operação fica mais cara, a pressão tende a se espalhar por toda a cadeia. Assim, o manifesto afirma que uma alteração abrupta da escala 6×1 pode comprometer a competitividade, pressionar preços e gerar reflexos inflacionários, especialmente em segmentos que dependem de regularidade e escala.
O que o cooperativismo catarinense defende
O manifesto não se coloca contra a modernização. Ao contrário. O texto defende uma transição responsável, com foco em produtividade, diferenciação setorial e regional, negociação coletiva e avaliação concreta dos impactos econômicos e operacionais.
Essa posição ganha relevância justamente porque o debate nacional sobre a escala 6×1 cresceu nos últimos meses. Reportagens recentes mostram que a pressão social pelo fim desse modelo aumentou, enquanto o Congresso analisa propostas que associam mais descanso à melhoria da qualidade de vida, inclusive para mulheres submetidas à dupla jornada.
O sistema cooperativista no Brasil é grande empregador. Veja a matéria aqaui:
Pedido é para não votar a matéria em ano eleitoral
Por fim, o documento recomenda que a matéria não seja pautada, discutida ou votada em ano político-eleitoral. Conforme as entidades, uma mudança estrutural dessa magnitude exige ambiente institucional mais estável, análise mais profunda e construção de consensos. Em resumo, a mensagem do setor é clara: discutir a escala 6×1 é legítimo, necessário e atual, mas a transição precisa ocorrer com responsabilidade, sob pena de afetar emprego formal, produtividade e segurança jurídica.
Assinam o manifesto o Sistema OCESC, FAESC, FECOAGRO, FETAESC, SINDICARNE, AINCADESC, ACAV, SINDILEITE SC e SICOOB SC/RS.
FAQ
O que é a escala 6×1?
A escala 6×1 é o regime de trabalho em que o empregado trabalha seis dias e folga um, respeitados os limites legais de jornada diária e semanal previstos na Constituição, na CLT e em normas coletivas.
A escala 6×1 já acabou no Brasil?
Não. Em março de 2026, o fim da escala 6×1 ainda está em debate no Congresso Nacional e não virou lei. O modelo atual continua válido enquanto não houver mudança constitucional ou legal.
O que propõem os projetos sobre a escala 6×1?
Há propostas que buscam reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais e garantir dois dias de descanso, além de textos com transição gradual para a nova jornada. Existem também propostas diferentes entre si, inclusive uma que trata de semana de quatro dias.
Como fica a jornada enquanto a mudança não é aprovada?
Enquanto a mudança não for aprovada, a jornada continua regida pelas regras atuais da Constituição, da CLT e pelas convenções coletivas de cada categoria.
Por que cooperativas e agroindústrias de SC se manifestaram?
As entidades afirmam que uma mudança abrupta na escala 6×1 pode elevar custos operacionais, exigir novas contratações, reduzir competitividade e gerar efeitos sobre preços e emprego formal.
Qual o impacto estimado para SC?
O manifesto cita impacto estimado de R$ 10,8 bilhões por ano para cooperativas e agroindústrias catarinenses, além de destacar a manutenção de 102.402 empregos diretos no estado.
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