A Prolata Reciclagem ampliou sua atuação nacional e chegou à Paraíba com a inclusão da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Cabedelo (Coopercore) em sua rede de logística reversa. A cooperativa é a primeira organização de catadores do estado a integrar o programa e passa a funcionar como ponto para o recebimento de embalagens de aço destinadas à reciclagem.
A iniciativa resulta da parceria entre a Prolata Reciclagem e a Coopercore, cooperativa de catadores de Cabedelo. Agora, a organização faz parte da rede de logística reversa de embalagens de aço da Prolata.
A cooperativa recebe materiais como papel, papelão, plásticos, vidro, aço, alumínio, equipamentos eletrônicos e óleo de cozinha, além de atuar na coleta de materiais recicláveis no município de Cabedelo.
O Brasil coleta grande quantidade de resíduos urbanos, mas ainda recupera uma parcela relativamente pequena para reciclagem. Por isso, políticas de logística reversa, coleta seletiva e fortalecimento das cooperativas ganham importância fundamental para aumentar o reaproveitamento dos materiais.
Logística reversa é o sistema que permite que produtos e embalagens descartados pelo consumidor retornem à cadeia produtiva para reaproveitamento, reciclagem ou destinação ambientalmente adequada.
As cooperativas realizam coleta, separação e comercialização dos materiais recicláveis. Além de contribuir para a redução dos resíduos encaminhados a aterros e lixões, geram trabalho e renda e ajudam a abastecer a indústria com matérias-primas recicladas.
Brasil gera mais de 81 milhões de toneladas de resíduos
A iniciativa ocorre em um momento no qual o Brasil tenta avançar da coleta de resíduos para uma estrutura mais efetiva de economia circular. O objetivo é fazer com que materiais descartados retornem ao processo produtivo. Embora a coleta convencional alcance grande parte da população, a quantidade efetivamente recuperada ainda representa uma parcela pequena dos resíduos gerados.
Em 2024, o Brasil gerou mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Desse volume, aproximadamente 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos foram encaminhadas à reciclagem. O número equivale a 8,7% do total gerado. Os dados são do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).
Os números revelam outro contraste. A Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE mostrou que, em 2023, 60,5% dos municípios brasileiros declaravam possuir algum serviço de coleta seletiva. Ao mesmo tempo, 31,9% ainda utilizavam lixões como forma de destinação dos resíduos sólidos. Ter coleta seletiva, portanto, não significa necessariamente que todo o município seja atendido nem que todo o material separado chegue efetivamente à indústria recicladora.
É justamente nessa passagem entre o descarte, a coleta, a triagem e o retorno da matéria-prima à indústria que ganham importância as cooperativas de catadores e os programas de logística reversa.
Latas de aço têm índice de reciclagem superior à média
No caso das embalagens de aço, o cenário é mais favorável que a média dos resíduos urbanos. De acordo com a Prolata, cerca de 47% das latas de aço consumidas no Brasil são recicladas, o que corresponde a quase 200 mil toneladas de embalagens pós-consumo retornando ao processo produtivo. O aço pode ser reciclado repetidamente e a sucata volta principalmente às siderúrgicas para a fabricação de novos produtos.
Criada em 2012, a Prolata atua na estruturação da logística reversa das embalagens de aço. Em janeiro de 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima habilitou a organização como entidade gestora de sistemas de logística reversa de embalagens em geral. A entidade mantém atividades nas cinco regiões brasileiras e trabalha com cooperativas, pontos de entrega e outros operadores da cadeia.
Política Nacional de Resíduos prioriza participação de catadores
A inclusão das cooperativas nessa cadeia não ocorre apenas por iniciativa do setor privado. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada pela Lei nº 12.305/2010, estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e prevê a integração de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. A legislação também considera a coleta seletiva e a logística reversa instrumentos importantes para a gestão dos resíduos e incentiva a criação e o desenvolvimento de cooperativas e associações de catadores.
Nos últimos anos, o governo federal também passou a estruturar novos mecanismos de financiamento e valorização da atividade. Em dezembro de 2025, o Decreto nº 12.783 criou o Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular (Pronarep). A iniciativa prevê apoio financeiro, técnico e estrutural para catadores individuais, cooperativas, associações e redes, além de acesso a crédito, equipamentos, infraestrutura, assistência técnica e capacitação. O programa também criou as bases para o Fundo Nacional da Reciclagem Popular (Funarep).
O Pronarep complementa o Programa Diogo de Sant’Ana Pró-Catadoras e Pró-Catadores para a Reciclagem Popular, retomado em 2023, que busca fortalecer organizações de catadores, melhorar condições de trabalho, ampliar a coleta seletiva e estimular a inclusão socioeconômica desses trabalhadores.
Nova lei cria incentivo tributário à reciclagem
Outra mudança ocorreu em abril de 2026, quando foi sancionada a Lei nº 15.394/2026, que reforçou os incentivos tributários aplicáveis à cadeia da reciclagem.
A legislação garante tratamento fiscal para operações envolvendo materiais recicláveis, incluindo papel, vidro, plásticos e metais, e alcança empresas de coleta e reciclagem e organizações de catadores que atendam às condições previstas na norma. A medida procura reduzir uma das barreiras econômicas enfrentadas pelo setor: a incidência de tributos ao longo da cadeia do material reciclado.
O Congresso também discute novas mudanças. O PL 2.402/2025, atualmente em análise na Câmara dos Deputados, pretende criar uma Política Nacional de Incentivo à Economia Circular e à Logística Reversa e estabelecer novas responsabilidades para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Em agosto de 2026, a proposta aguardava parecer na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços.
Outra proposta, o PL 2.600/2025, determina que o poder público ofereça capacitação técnica aos catadores de materiais recicláveis. O texto já passou pelas comissões de Desenvolvimento Urbano e de Trabalho e aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.
Coopercore fortalece rede de reciclagem em Cabedelo
É nesse cenário de ampliação da logística reversa e valorização das organizações de catadores que a Coopercore passa a integrar a rede da Prolata.
Criada em 2022, a cooperativa atua em Cabedelo e realiza coleta de papel, papelão, plástico, vidro, aço, alumínio, equipamentos eletrônicos e óleo de cozinha. O trabalho conta com apoio da Prefeitura de Cabedelo, inclusive com a disponibilização de caminhão para a operação, e a organização também oferece coleta agendada.
A Coopercore já vinha ampliando suas parcerias institucionais. Em novembro de 2025, por exemplo, o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Campus Cabedelo, firmou convênio para destinar à cooperativa os resíduos recicláveis secos descartados pela instituição.
Agora, com a entrada no programa da Prolata, as embalagens de aço coletadas no município ganham um fluxo estruturado de logística reversa. Além da destinação ambientalmente adequada, a parceria pode aumentar o valor econômico do material recuperado e fortalecer uma atividade que gera trabalho e renda.
A cooperativa também desenvolve projetos voltados à educação e à recreação de crianças. Dessa forma, a atuação ultrapassa a coleta dos resíduos e aproxima a reciclagem da educação ambiental e da inclusão social.
Para a Paraíba, a chegada da Prolata acrescenta mais um elo à estrutura de reciclagem do estado. Para a cadeia nacional, experiências como a de Cabedelo mostram que aumentar os índices brasileiros depende não apenas de estimular o consumidor a separar os resíduos, mas também de garantir coleta, triagem, remuneração dos catadores, mercado para a sucata e retorno efetivo do material à indústria.




























