O Sistema OCB/RJ levou dirigentes de cooperativas fluminenses à China em uma missão de capacitação voltada à gestão, à inovação e à aproximação com organizações locais. O evento ocorreu entre os dias 9 e 26 de setembro de 2026. A programação combinou formação acadêmica e visitas técnicas para apresentar novas tecnologias, modelos produtivos e possibilidades de negócios.
Em entrevista ao programa CoopCafé, o presidente do Sistema OCB/RJ, Vinícius Mesquita, avaliou os resultados da viagem. Claudio Montenegro e Claudio Rangel conduziram a conversa, que abordou inovação, intercooperação e a aplicação dos conhecimentos adquiridos na realidade do Rio de Janeiro.
A missão, realizada em parceria com a Execoop, buscou ampliar a visão dos dirigentes sobre o papel das cooperativas no desenvolvimento econômico e social. Entretanto, para Mesquita, conhecer modelos estrangeiros não significa simplesmente reproduzi-los no Brasil.
“A gente precisa encontrar o nosso caminho, construir o nosso caminho, pensar o nosso estado, pensar a nossa cidade, pensar o nosso país”, afirmou.
Missão combinou formação e visitas técnicas
Antes da viagem, os participantes acompanharam quatro aulas on-line de preparação. Em seguida, participaram de uma semana de formação em Hangzhou, onde especialistas de diferentes áreas apresentaram experiências relacionadas à gestão, ao desenvolvimento econômico e à inovação.
As atividades ultrapassaram o contato com equipamentos e instalações. Afinal, a missão também permitiu observar como organizações chinesas conectam educação, tecnologia, planejamento e produção.
Para Mesquita, o contato com outras realidades ajuda os dirigentes a identificar possibilidades para o próprio cooperativismo. O presidente do Sistema OCB/RJ defende que as cooperativas podem desempenhar um papel relevante na organização das atividades econômicas e na melhoria das condições de vida das comunidades.
Agora, cada organização precisa avaliar como o conhecimento adquirido pode contribuir para aperfeiçoar processos, qualificar equipes e estabelecer novas parcerias. Dessa forma, as experiências observadas na China podem servir como referências, desde que sejam adaptadas às necessidades das cooperativas fluminenses.
Tecnologia se aproxima da educação e da produção
A missão apresentou aos dirigentes aplicações de robótica, inteligência artificial, automação industrial e mobilidade autônoma. Entre as atividades, o grupo visitou a Unitree, empresa chinesa conhecida pelo desenvolvimento de robôs, e conheceu experiências relacionadas aos veículos autônomos.
Mesquita destacou, sobretudo, a articulação entre instituições de ensino, governo e empreendimentos. Na sua avaliação, essa proximidade cria condições favoráveis para o desenvolvimento tecnológico e para o surgimento de novos negócios.
“É um ambiente: universidade, governo e sociedade”, resumiu, ao comentar um dos espaços de inovação visitados.
Ao mesmo tempo, o dirigente ressaltou que o Brasil também possui capacidade científica e tecnológica. Ele citou a Embrapa e a Embraer como exemplos de instituições nacionais que alcançaram reconhecimento em suas áreas de atuação.
Portanto, o aprendizado internacional não deve diminuir a confiança na capacidade brasileira. Pelo contrário, ele pode ajudar as cooperativas a identificar onde uma tecnologia resolve problemas, melhora o atendimento aos cooperados ou torna a operação mais eficiente.
Intercooperação pode abrir oportunidades de negócios
Além da capacitação, a missão aproximou as cooperativas fluminenses de potenciais parceiros chineses. Segundo Mesquita, os participantes tiveram acesso a instrumentos para apresentar interesses comerciais, prospectar fornecedores e avaliar oportunidades de compra e venda.
Entre os possíveis desdobramentos estão conversas envolvendo cooperativas de saúde interessadas em produtos farmacêuticos e equipamentos médicos. O presidente do Sistema OCB/RJ também apontou a possibilidade de cooperativas fluminenses desenvolverem produtos de maior valor agregado destinados ao mercado chinês.
“Estamos já conversando”, afirmou Mesquita sobre as tratativas relacionadas à área da saúde.
No entanto, esses contatos ainda representam oportunidades em avaliação. A concretização dos negócios dependerá das condições comerciais, da viabilidade das operações e do cumprimento das exigências brasileiras. Até o momento relatado na entrevista, a missão não havia apresentado contratos concluídos nem resultados financeiros.
A intercooperação pode desempenhar um papel decisivo nesse processo. Conforme explicou Mesquita, as organizações podem compartilhar conhecimento e reunir capacidades para atender às demandas identificadas durante a aproximação com os chineses.
Assim, a conexão internacional passa a produzir resultados quando o conhecimento e as oportunidades chegam às cooperativas e beneficiam seus associados.
Convênio cria ponte acadêmica entre Brasil e China
Um dos desdobramentos institucionais da missão foi o convênio bilateral firmado entre a Execoop e o Zhejiang Institute of Economics and Trade.
O acordo prevê cooperação acadêmica, intercâmbio de professores, estudantes e executivos, bem como o desenvolvimento de conexões nas áreas de tecnologia, inovação e negócios.
A parceria pode dar continuidade à formação iniciada durante a missão. Além disso, o relacionamento abre espaço para novas trocas entre as cooperativas fluminenses e os ambientes chineses de pesquisa e educação executiva.
Cooperação deve alcançar organizações de diferentes portes
Durante a entrevista, Mesquita também defendeu que o Sistema OCB/RJ apoie o crescimento das cooperativas menores. Segundo ele, as organizações mais estruturadas podem contribuir para criar condições que permitam o avanço de outros empreendimentos cooperativos.
“Cooperação é isso: é dar mão, é ajudar, é trabalhar pelo fomento”, declarou.
A afirmação reforça o sexto princípio do cooperativismo: a intercooperação. Esse princípio orienta as cooperativas a trabalharem conjuntamente por meio de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
Nesse sentido, a missão à China não se limita à experiência dos dirigentes que participaram da viagem. O desafio será compartilhar os conhecimentos adquiridos, aproximar organizações e transformar os contatos institucionais e comerciais em benefícios para cooperativas de diferentes ramos e portes.
O que a missão da OCB/RJ buscou na China?
A missão levou dirigentes de cooperativas fluminenses à China para conhecer experiências de gestão, educação, tecnologia e inovação. A iniciativa também aproximou os participantes de organizações chinesas e abriu conversas sobre possíveis parcerias acadêmicas e comerciais.
Quais foram os principais resultados da missão?
A viagem proporcionou formação aos dirigentes, visitas técnicas, contatos com potenciais parceiros e a criação de uma ponte acadêmica entre Brasil e China. Entretanto, as oportunidades comerciais citadas ainda estão em fase de avaliação.
Qual será o próximo passo?
O Sistema OCB/RJ e as cooperativas participantes precisarão avaliar como podem adaptar os conhecimentos adquiridos às necessidades do Rio de Janeiro. Além disso, deverão analisar a viabilidade das oportunidades comerciais e compartilhar os aprendizados com outras organizações.
A missão fortaleceu a conexão entre o cooperativismo fluminense e instituições chinesas. Agora, o principal desafio será transformar conhecimento e relacionamentos em iniciativas que melhorem a gestão, desenvolvam negócios e gerem resultados concretos para os cooperados.























