Cooperativismo é uma forma de organização econômica e social na qual pessoas se unem voluntariamente para criar uma empresa de propriedade conjunta e gestão democrática. Os cooperados utilizam os serviços, participam das decisões e compartilham responsabilidades e resultados.
Em outras palavras, a cooperativa não pertence a um empresário isolado nem a um grupo externo de investidores. Ela pertence às pessoas que decidiram enfrentar juntas uma necessidade comum.
Isto é o que define co coop. Essa necessidade pode ser vender uma produção agrícola, obter crédito, trabalhar, transportar passageiros, contratar serviços de saúde, comprar produtos, gerar energia ou conseguir proteção por meio de seguros.
Entretanto, o cooperativismo não se resume à união de pessoas bem-intencionadas. Nem mesmo alguma espécie de filantropia. Para que você saiba, uma cooperativa também precisa administrar recursos, disputar mercados, atender aos associados, cumprir a legislação e apresentar resultados. Assim, ela combina duas dimensões: participação democrática e eficiência empresarial.
Portanto, essa é uma das características diferentes entre o modelo cooperativo e o de outras formas de organização econômica.
O que significa cooperativismo?
Para nós, cooperativismtas, o cooperativismo é um movimento, um modelo econômico e uma forma de organizar empreendimentos coletivos.
A Aliança Cooperativa Internacional, entidade responsável pela preservação da identidade cooperativa em âmbito mundial, define cooperativa como uma associação autônoma de pessoas reunidas voluntariamente para atender necessidades econômicas, sociais e culturais comuns por meio de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada.
E para reforçar ainda mais esta definição, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou essa mesma concepção na Recomendação nº 193, aprovada em 2002. O documento orienta os países a criarem condições jurídicas e institucionais para a formação de cooperativas autônomas, sustentáveis e controladas pelos próprios associados.
Maste bem, o modelo tem um detalhe importante: o capital continua necessário, mas deixa de ser o único responsável pelo poder de decisão.
E é aí que está a diferença. Nas cooperativas, cada associado possui tem direito a um voto. Portanto, se uma pessoa participa na nossa coop com uma cota de capital maior do que a minha ou a sua não necessariamente terá maior poder político sobre nós.
Cooperativismo começa com um problema concreto
As cooperativas normalmente surgem quando um grupo percebe que possui melhores condições de enfrentar um problema coletivamente do que de maneira individual.
Um pequeno agricultor pode encontrar dificuldades para armazenar a produção, negociar com grandes compradores ou adquirir máquinas. Ao participar de uma cooperativa, ele pode dividir estruturas, receber assistência técnica e comercializar em maior escala.
De modo semelhante, motoristas podem criar uma cooperativa para organizar o atendimento, adquirir tecnologia, negociar contratos e competir em um mercado dominado por grandes plataformas.
Profissionais de saúde podem compartilhar estruturas e organizar a prestação de serviços. Consumidores podem comprar produtos conjuntamente. Comunidades podem constituir cooperativas para gerar energia ou oferecer serviços de infraestrutura.
Portanto, o cooperativismo não começa necessariamente com uma teoria. Ele nasce, frequentemente, de uma pergunta prática:
O que nós podemos realizar juntos que seria difícil alcançar se estivessemos separados?
Cooperativa é associação de pessoas e também empresa
Uma das melhores maneiras para que você compreenda melhor como funciona o cooperativismo é reconhecer a sua dupla natureza.
Primeiramente, existe uma associação de pessoas. São os cooperados que identificam necessidades, aprovam regras, elegem dirigentes e estabelecem os objetivos da organização.
Ao mesmo tempo, essa associação constitui uma empresa cooperativa, responsável por comprar, vender, prestar serviços, contratar trabalhadores, investir, inovar e competir no mercado.
O pesquisador Walter Frantz explica que a associação cria uma empresa comum para apoiar e complementar as atividades econômicas individuais dos cooperados. Dessa forma, a empresa cooperativa funciona como uma extensão das economias de seus associados.
Já os pesquisadores Peter Davis e Sigismundo Bialoskorski Neto dizem que a gestão da empresa não deve se afastar da gestão do quadro social. Segundo os autores, os valores cooperativos e o capital social formado entre os associados podem se transformar em vantagens competitivas quando combinados com práticas profissionais de administração.
Em resumo:
- Sem empreendimento economicamente viável, a cooperativa não consegue atender aos associados;
- Mas também sem participação dos associados, o negócio pode perder sua identidade cooperativa.
O desafio está justamente em manter o equilíbrio entre essas duas dimensões.
Como funciona uma cooperativa?
Embora existam diferenças entre os ramos e os estatutos, o funcionamento de uma cooperativa costuma seguir alguns fundamentos.
Os cooperados são os proprietários
A cooperativa pertence aos associados. Eles contribuem para a formação do capital social e utilizam os produtos, serviços ou estruturas oferecidas pela organização.
Por isso, o cooperado pode exercer diferentes papéis ao mesmo tempo: proprietário, usuário, fornecedor, trabalhador ou cliente da cooperativa, dependendo da atividade desenvolvida.
A assembleia é a autoridade máxima
Mas quem define os rumos da coop? As decisões mais importantes são tomadas pela assembleia geral. Ela pode aprovar contas, eleger dirigentes, alterar o estatuto e decidir sobre a destinação dos resultados.
A gestão cotidiana pode ficar sob a responsabilidade de conselhos, diretorias e executivos contratados. Entretanto, essas estruturas devem responder ao quadro social.
O voto não depende apenas do capital
Nas cooperativas primárias ou singulares, prevalece o princípio democrático de um associado, um voto.
A Aliança Cooperativa Internacional estabelece que os representantes eleitos devem prestar contas aos membros e que os associados precisam participar da definição das políticas e das decisões.
A cooperativa presta serviços aos associados
Para ficar mais claro, o principal objetivo não é remunerar um investidor externo, mas melhorar as condições econômicas, profissionais ou sociais dos cooperados.
Isso não significa que a cooperativa possa ignorar os resultados financeiros. Pelo contrário: ela precisa gerar recursos suficientes para manter as operações, investir, formar reservas e atender ao quadro social.
O resultado positivo é chamado de sobra
Outra diferença é a ausência da expressão “lucro”. Explicando: quando as receitas são maiores do que as despesas de uma aatividade eeconômica da cooperativa, o resultado é denominado sobra.
A assembleia decide se o valor da sobra será destinado aos fundos obrigatórios, reinvestido, mantido em reservas ou distribuído aos associados.
Para definir como será a distribuição das sobras normalmente o critério se baseia na participação do cooperado nas operações da cooperativa, e não apenas ao capital investido. Esse princípio diferencia as sobras dos dividendos distribuídos por empresas convencionais.
Cooperativa tem lucro?
A cooperativa desenvolve atividade econômica e precisa obter resultados positivos. Entretanto, sua finalidade jurídica e econômica não é gerar lucro para investidores externos.
A Lei nº 5.764, de 1971, define as cooperativas brasileiras como sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, constituídas para prestar serviços aos associados.
Portanto, é mais correto afirmar que a cooperativa:
- Obtém receitas;
- Paga custos e despesas;
- Faz investimentos;
- Constitui fundos e reservas;
- Pode registrar sobras;
- Destina os resultados conforme decisão da assembleia.
Uma cooperativa mal administrada pode acumular perdas, comprometer o patrimônio e até encerrar as atividades. A identidade cooperativa não substitui planejamento, controle financeiro, inovação e gestão de riscos.
Por que as pessoas criam cooperativas?
Do ponto de vista econômico, a cooperação pode aumentar a escala, reduzir custos de negociação, compartilhar riscos e ampliar o acesso a mercados.
Um produtor isolado, por exemplo, pode ter pouca capacidade de negociação diante de grandes fornecedores e compradores. Organizados em cooperativa, vários produtores conseguem concentrar volume, contratar profissionais, armazenar mercadorias e obter informações sobre o mercado.
Estudo recente sobre agricultores familiares atendidos pela Emater em Goiás analisou associações e cooperativas pela perspectiva dos custos de transação. A pesquisa destaca que organizações coletivas podem facilitar o acesso a informações, capacitação, estruturas produtivas e mercados. Os resultados, porém, dependem dos serviços prestados e da qualidade da participação dos produtores.
Outros estudos também encontraram efeitos econômicos relacionados a determinados segmentos. Uma pesquisa publicada na revista Economia e Sociedade identificou o impacto positivo das cooperativas de crédito sobre a renda dos municípios. Especialmente por meio da formação de uma poupança local e da ampliação da oferta de crédito.
Isso não significa que qualquer grupo obterá bons resultados apenas por abrir uma cooperativa. A ação coletiva exige confiança, regras, fiscalização, participação e capacidade administrativa.
De Rochdale ao cooperativismo moderno
A cooperação entre pessoas existe desde muito antes da criação das cooperativas modernas. Comunidades sempre compartilharam trabalho, alimentos, ferramentas e sistemas de proteção.
Entretanto, o marco histórico mais conhecido ocorreu em 1844, na cidade inglesa de Rochdale.
Naquele ano, 28 trabalhadores e artesãos ligados à indústria têxtil organizaram um pequeno armazém para oferecer alimentos de qualidade, com pesos corretos e preços mais justos. O grupo ficou conhecido como os Pioneiros de Rochdale.
Rochdale não foi a primeira experiência de cooperação da história. Sua importância está na criação de regras de funcionamento que poderiam ser reproduzidas por outros grupos.
Entre elas estavam:
- Participação voluntária;
- Controle democrático;
- Transparência nas operações;
- Formação de reservas;
- Educação dos associados;
- Distribuição dos resultados conforme as compras realizadas.
Essas práticas influenciaram a formação dos princípios adotados posteriormente pelo movimento cooperativista internacional. As cooperativas brasileiras costumam enviar cooperados para o berço do cooperativismo.
Vídeo: cooperativas visitam o berço do cooperativismo
Todos os anos, dirigentes, cooperados e estudiosos visitam locais considerados o berço cooperativista. Entre eles, Mondragón. E uma das coops empenhadas nesta ação é a Execoop, como explica o superintendente Filipe Pires noprograma CoopCafé.
Não consegue assistir? Veja o vídeo na íntegra diretamente no YouTube.
Quais são os sete princípios do cooperativismo?
Os princípios cooperativistas são orientações para transformar valores como democracia, igualdade, responsabilidade e solidariedade em práticas organizacionais.
A formulação internacional vigente foi adotada pela Aliança Cooperativa Internacional em 1995 e também integra a Recomendação nº 193 da Organização Internacional do Trabalho.
1. Adesão voluntária e livre
A cooperativa deve estar aberta às pessoas capazes de utilizar seus serviços e dispostas a assumir as responsabilidades da associação.
A livre adesão, entretanto, não elimina critérios técnicos. O estatuto pode estabelecer condições relacionadas ao objeto da cooperativa, à área de atuação e à capacidade de atendimento.
2. Gestão democrática pelos membros
Os cooperados participam das decisões, elegem representantes e fiscalizam a administração.
Democracia cooperativa não significa que todos precisam administrar diariamente o negócio. Significa que os gestores devem atuar com autorização, controle e prestação de contas ao quadro social.
3. Participação econômica dos membros
Os associados contribuem para o capital da cooperativa e participam democraticamente de sua administração econômica.
As sobras podem ser destinadas ao desenvolvimento da organização, à formação de reservas, ao retorno proporcional aos cooperados ou a outras finalidades aprovadas pela assembleia.
4. Autonomia e independência
A cooperativa pode celebrar contratos, obter financiamento, estabelecer parcerias e manter relações com o poder público.
Entretanto, essas relações não devem retirar dos cooperados o controle sobre a organização.
5. Educação, formação e informação
As cooperativas precisam preparar associados, dirigentes, conselheiros, empregados e gestores para compreender o modelo e administrar o empreendimento.
Pesquisa de Paulo Renato Ferreira sobre educação cooperativista observa que a formação não deve ser tratada apenas como transmissão de informações. Ela precisa contribuir para que os membros compreendam os aspectos empresariais, políticos e sociais da organização.
6. Intercooperação
Cooperativas podem ampliar resultados quando trabalham com outras organizações do mesmo modelo.
Essa cooperação pode ocorrer por meio de centrais, federações, confederações, redes comerciais, projetos tecnológicos e parcerias entre diferentes ramos.
7. Interesse pela comunidade
A cooperativa existe para atender aos associados, mas suas atividades também afetam empregados, consumidores, fornecedores e os municípios onde está presente.
Por isso, as políticas aprovadas pelos cooperados devem considerar o desenvolvimento sustentável da comunidade.
Cooperativismo é economia solidária?
Apesar da relação mantida entre esses conceitos, eles não são sinônimos perfeitos.
A economia solidária reúne diferentes formas de organização baseadas em autogestão, cooperação e distribuição coletiva de resultados. Ela pode incluir cooperativas, associações produtivas, grupos informais, bancos comunitários e outros empreendimentos.
A cooperativa, por sua vez, possui uma forma societária específica, regulada por legislação própria e constituída para desenvolver atividade econômica em benefício dos associados.
Portanto, uma cooperativa pode integrar a economia solidária, mas nem toda organização da economia solidária é juridicamente uma cooperativa.
Cooperativa, associação e empresa convencional: quais são as diferenças?
| Característica | Cooperativa | Associação | Empresa convencional |
|---|---|---|---|
| Base da organização | Pessoas com necessidades econômicas comuns | Pessoas ligadas a uma causa ou finalidade não econômica | Sócios ou acionistas |
| Finalidade | Prestar serviços aos cooperados | Desenvolver atividades sociais, culturais ou representativas | Gerar retorno aos proprietários |
| Atividade econômica | Central para o funcionamento | Pode existir como meio de sustentar a finalidade | Central para o negócio |
| Poder de voto | Em regra, um cooperado, um voto | Definido pelo estatuto | Geralmente relacionado ao capital |
| Resultado positivo | Sobras destinadas pela assembleia | Não pode ser distribuído aos associados | Lucros podem ser distribuídos |
| Beneficiários principais | Cooperados | Público atendido ou causa defendida | Proprietários e investidores |
A diferença mais importante não está somente na existência de atividade econômica, mas na relação entre propriedade, decisão e finalidade.
Quais são as vantagens do cooperativismo?
Os benefícios variam de acordo com a atividade e a qualidade da gestão. Entre as vantagens possíveis estão:
- Maior poder de negociação;
- Compartilhamento de estruturas;
- Compra coletiva de produtos e insumos;
- Acesso a mercados maiores;
- Assistência técnica;
- Acesso ao crédito;
- Redução de intermediários;
- Desenvolvimento de marcas coletivas;
- Investimento compartilhado em tecnologia;
- Participação nas decisões;
- Retorno proporcional das sobras;
- Fortalecimento da economia local.
A Organização Internacional do Trabalho reconhece que cooperativas podem gerar empregos, mobilizar recursos, criar investimentos e oferecer serviços em regiões onde empresas convencionais ou o poder público têm pouca presença.
Quais são os desafios de uma cooperativa?
O cooperativismo não elimina conflitos de interesse. Pelo contrário, a diversidade do quadro social exige mecanismos eficientes de diálogo e decisão.
Entre os principais desafios estão:
- Baixa participação nas assembleias;
- Distanciamento entre dirigentes e cooperados;
- Falta de renovação das lideranças;
- Dificuldade de capitalização;
- Ausência de planejamento;
- Mistura entre interesses particulares e coletivos;
- Falta de transparência;
- Gestão pouco profissional;
- Resistência à inovação;
- Dependência excessiva de poucos clientes;
- Desconhecimento dos direitos e deveres dos associados.
Um estudo de Sigismundo Bialoskorski Neto encontrou uma relação que merece atenção: cooperativas com melhor desempenho econômico podem registrar menor participação dos associados. Segundo o pesquisador, esse afastamento pode reduzir a transparência e exigir mecanismos adicionais de governança.
Pesquisas sobre governança cooperativa também destacam que a profissionalização precisa ocorrer sem retirar dos cooperados o poder de fiscalização e decisão. Quanto maior a organização, mais importante se torna separar as funções estratégicas dos conselhos e as tarefas executivas da administração.
Assim, uma cooperativa forte não é apenas aquela que cresce. É aquela que consegue crescer sem transformar os cooperados em espectadores.
Qual é a importância do cooperativismo no Brasil?
O cooperativismo possui reconhecimento constitucional no Brasil. O artigo 174 da Constituição determina que a legislação deve apoiar e estimular o cooperativismo e outras formas de associativismo.
A principal norma geral do setor continua sendo a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas e definiu a Política Nacional de Cooperativismo.
De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, com dados referentes a 2024, o país possuía:
- 4.384 cooperativas registradas;
- 25,8 milhões de cooperados;
- 578 mil empregos diretos;
- Presença em 3.586 municípios;
- R$ 757,9 bilhões em ingressos;
- R$ 51,4 bilhões em sobras.
O número de cooperados correspondia a 12,14% da população brasileira.
Os dados mostram que o cooperativismo não ocupa uma área marginal da economia. Ele está presente na produção de alimentos, no sistema financeiro, na saúde suplementar, no transporte, na energia e em diferentes serviços.
Quais são os ramos do cooperativismo brasileiro?
A classificação atual do Sistema OCB organiza as cooperativas em oito ramos, conforme a atividade econômica principal. Essa divisão tem finalidade de representação e planejamento e não determina, por si só, o regime tributário ou sindical da organização.
Agropecuário
Reúne produtores rurais, pescadores, aquicultores e extrativistas. As cooperativas podem oferecer insumos, assistência técnica, armazenagem, beneficiamento e comercialização.
Consumo
Organiza pessoas interessadas em comprar produtos ou contratar serviços coletivamente.
Crédito
Oferece serviços financeiros aos associados. As cooperativas de crédito são instituições financeiras autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central.
Infraestrutura
Atua em áreas como energia, telecomunicações, irrigação, habitação, saneamento e outras estruturas de uso coletivo.
Saúde
Reúne profissionais ou usuários para organizar serviços médicos, odontológicos, psicológicos e outras atividades relacionadas à saúde.
Seguros
Formado por cooperativas que oferecem produtos e serviços securitários aos associados em ambiente regulamentado.
O ramo foi criado depois da aprovação da Lei Complementar nº 213, de 2025, que ampliou as possibilidades de atuação das sociedades cooperativas no mercado de seguros.
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Reúne trabalhadores e produtores que prestam serviços especializados ou produzem bens coletivamente. Inclui atividades como educação, tecnologia, mineração, reciclagem e artesanato.
Transporte
Organiza transportadores de cargas ou passageiros que possuem ou utilizam os veículos empregados na atividade. Inclui cooperativas de táxi, vans, ônibus, caminhões, transporte escolar e outras modalidades.
Quem pode ser cooperado?
Pode ingressar quem atende aos critérios estabelecidos pela legislação e pelo estatuto da cooperativa.
Antes de se associar, a pessoa deve procurar saber:
- Qual serviço a cooperativa oferece;
- Quanto deverá integralizar no capital social;
- Quais são seus direitos e obrigações;
- Como funciona a retirada;
- Como são realizadas as assembleias;
- Quem administra e fiscaliza a organização;
- Como são destinadas as sobras e perdas;
- Quais riscos estão envolvidos;
- Se a cooperativa possui registro e autorizações necessárias.
Entrar em uma cooperativa não equivale apenas a contratar um serviço. Significa tornar-se membro de uma organização coletiva.
O cooperado é cliente ou dono?
Ele pode ser os dois.
Numa cooperativa de crédito, por exemplo, o associado utiliza serviços financeiros, mas também integra o quadro de proprietários.
Em uma cooperativa agropecuária, o produtor pode entregar sua produção, comprar insumos e participar das decisões.
Em uma cooperativa de trabalho, o profissional é associado e realiza atividades por meio do empreendimento coletivo.
Essa relação dupla exige uma postura diferente da relação tradicional entre empresa e consumidor. O cooperado precisa avaliar os serviços, mas também acompanhar a administração, votar e fiscalizar.
O cooperativismo funciona em qualquer situação?
Não necessariamente.
Antes de criar uma cooperativa, o grupo precisa verificar se existe:
- Necessidade econômica comum;
- Número suficiente de interessados;
- Confiança entre os participantes;
- Viabilidade financeira;
- Mercado para os produtos ou serviços;
- Lideranças preparadas;
- Capital inicial;
- Regras claras;
- Disposição para participar;
- Capacidade de administrar conflitos.
Uma cooperativa não deve ser criada apenas para obter benefícios fiscais, participar de um edital ou atender a uma exigência temporária.
Quando falta identidade entre os associados, o empreendimento pode existir formalmente, mas não funcionar como organização cooperativa.
Afinal, o que define o cooperativismo?
O cooperativismo é definido menos pelo discurso e mais pela maneira como o poder, a propriedade e os resultados são organizados.
Existe cooperativismo quando:
- As pessoas aderem voluntariamente;
- Os associados controlam a organização;
- A atividade econômica atende às necessidades do quadro social;
- O capital funciona como instrumento, e não como centro exclusivo do poder;
- Os dirigentes prestam contas;
- Os resultados retornam ao desenvolvimento da cooperativa e aos associados;
- A organização preserva sua autonomia;
- Educação e participação fazem parte da gestão;
- A comunidade é considerada nas decisões.
Portanto, cooperar não significa abandonar a competição ou ignorar o mercado. Significa criar uma empresa na qual as pessoas enfrentam o mercado de forma coletiva, sem abrir mão da participação democrática.
Perguntas frequentes sobre cooperativismo
É um modelo no qual pessoas se unem para criar uma empresa de propriedade conjunta, administrada democraticamente e voltada às necessidades dos próprios associados.
É uma sociedade de pessoas constituída para prestar serviços aos associados por meio de uma atividade econômica organizada.
A assembleia geral dos cooperados é a autoridade máxima. Ela elege representantes, aprova contas e decide sobre os assuntos estratégicos.
Nas cooperativas singulares, a regra geral é um cooperado, um voto, independentemente da quantidade de capital integralizado.
Sim. A cooperativa pode contratar empregados para executar atividades administrativas, técnicas e operacionais. O empregado, porém, não se torna automaticamente cooperado.
O resultado positivo das operações cooperativas é chamado de sobra. A assembleia define sua destinação, respeitados os fundos e as obrigações legais.
São sete: adesão voluntária, gestão democrática, participação econômica, autonomia, educação, intercooperação e interesse pela comunidade.
Atualmente, são oito: Agropecuário, Consumo, Crédito, Infraestrutura, Saúde, Seguros, Trabalho, Produção de Bens e Serviços e Transporte.
Referências acadêmicas e documentais
- BIALOSKORSKI NETO, Sigismundo. Um ensaio sobre desempenho econômico e participação em cooperativas agropecuárias. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 45, n. 1, 2007.
- DAVIS, Peter; BIALOSKORSKI NETO, Sigismundo. Governança e gestão de capital social em cooperativas: uma abordagem baseada em valores. Economia Solidária e Ação Cooperativa, 2010.
- FERREIRA, Paulo Renato. O campo da educação cooperativista e sua relação com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo. Interações, 2018.
- FRANTZ, Walter. Educação e cooperação: práticas que se relacionam. Sociologias.
- ALIANÇA COOPERATIVA INTERNACIONAL. Declaração sobre a Identidade Cooperativa.
- ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Recomendação nº 193 sobre a Promoção das Cooperativas.
- BRASIL. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971.
- SISTEMA OCB. Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025.
Coopbook explica o que é o cooperativismo
Recentemente lançada, a obra é dividida em 23 capítulos distribuídos em 200 páginas seguindo a sequência das letras do alfabeto. Isso porque cada verbete explica um conceito fundamental do cooperativismo, desde os sete princípios que regem todas as cooperativas do mundo até noções que todo cooperado precisa conhecer, como quotas e sobras, mergulhando na história do movimento e lançando um olhar para o futuro. Desse modo, tudo em linguagem acessível e fácil de ler.
“O cooperativismo é a mais justa e equilibrada engrenagem produtiva que existe. Sobretudo por tirar a sua força no coletivo, ao mesmo tempo em que respeita a liberdade individual e distribui a riqueza de acordo com a participação de cada um. É uma alternativa viável para a solução de equações econômicas atuais”, destaca Martins. “Apesar da contemporaneidade do movimento, quem está fora do universo das cooperativas nem sempre compreende como elas funcionam e o poder que têm de transformar a comunidade”, acrescenta o autor que é CEO da Unicred União, cooperativa de crédito com atuação em Santa Catarina e no Paraná.
Apesar de atuar em uma cooperativa de crédito, Martins faz questão de afirmar que o Coopbook – Cooperativismo de A a Z é dirigido a cooperados de todos os ramos e a quem quer entender melhor o movimento. A apresentação é do médico Antônio Moacyr Azevedo. Trata-se do , presidente da primeira Unicred do país no final da década de 1980, e o prefácio é do pensador e escritor Sandro Magaldi.
Este é o segundo livro de Marcelo Vieira Martins. Entretanto, em 2020, o autor contou a história da primeira agência virtual do cooperativismo de crédito do país na obra Feito à Mão – As pessoas no centro das transformações. O livro aprofunda o conceito de atendimento humanizado a distância, vendeu mais de 7 mil exemplares e inspirou a criação de agências online dentro e fora do Sistema Unicred.
Serviço:
Coopbook – Cooperativismo de A a Z
Marcelo Vieira Martins
Vigia Editora
Onde comprar: https://www.amazon.com.br/dp/658921901X
Livraria Blulivro, em Blumenau
Agências da Unicred União
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