O cooperativismo brasileiro acaba de ganhar um novo e promissor território para explorar: o setor de seguros. Com a publicação da Lei Complementar nº 213/2025, surge o 8º ramo do cooperativismo nacional — o Ramo Seguros. A princípio, a novidade pode soar como mais uma entre tantas mudanças legislativas. Mas, na prática, ela representa uma guinada significativa rumo à inclusão, à justiça econômica e à ampliação do acesso à proteção financeira.
Seguros com sotaque cooperativista
Até bem pouco tempo, as cooperativas podiam atuar apenas em segmentos bastante específicos: seguros agrícolas, de saúde e acidentes do trabalho. Agora, com a nova legislação, elas passam a ter liberdade para operar em qualquer modalidade de seguro privado — exceto as que forem, futuramente, explicitamente vedadas por norma complementar.
E isso muda tudo.
Afinal, estamos falando de um mercado que movimenta bilhões de reais por ano, com impacto direto na vida de milhões de brasileiros. Nesse contexto, as cooperativas surgem como uma alternativa mais humana, transparente e democrática para quem busca proteção contra riscos. Como quem troca um guarda-chuva furado por uma cobertura sólida, feita a muitas mãos.
OCB em campo: plano de ação em cinco frentes
Para não deixar o novo ramo à deriva, o Sistema OCB entrou em campo com um Plano de Ação estratégico, dividido em cinco eixos: Comunicação e Divulgação, Regulação, Capacitação, Adequação Institucional e Fomento. Cada uma dessas frentes está sendo trabalhada com afinco para que o cooperativismo de seguros não seja apenas uma boa ideia no papel, mas uma realidade robusta e funcional.
Por exemplo, no eixo da regulação, já houve reuniões com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), buscando garantir que as futuras normas estejam em sintonia com a lógica cooperativista — proporcionalidade, autonomia e isonomia são palavras de ordem nesse processo. Afinal, seria injusto exigir das cooperativas o mesmo que se espera de grandes conglomerados financeiros.
O mercado de Seguros
Se o mercado de seguros é um terreno complexo, com regras e riscos próprios, a preparação é essencial. Por isso, um dos braços do plano da OCB é voltado à formação. Um memorando de entendimento foi assinado com a Escola de Negócios e Seguros (ENS), a fim de promover programas educacionais específicos para quem deseja atuar no ramo. Assim, os futuros agentes cooperativistas do setor não apenas entrarão em campo, mas entrarão bem treinados.
Comunicação com propósito: o “Se Liga”
Em tempos de desinformação, comunicar com clareza é quase um ato de militância. Pensando nisso, o Sistema OCB lançou uma edição especial do programa “Se Liga”, explicando os diferenciais do cooperativismo de seguros e convidando o público a refletir: por que pagar caro por um seguro engessado, se é possível ter um serviço mais justo, transparente e participativo?
Do Brasil para o mundo — e vice-versa
Inspirado por experiências internacionais de sucesso — como as dos Estados Unidos, Japão, França e Alemanha, onde o modelo cooperativo já representa mais de 40% do mercado segurador — o movimento brasileiro busca repetir a façanha. E a comparação é animadora. Afinal, se lá fora a lógica mutualista funciona tão bem, por que aqui seria diferente?
Além disso, a OCB já traduziu documentos de referência internacional, como o Guia Prático da ICMIF (Federação Internacional de Seguros Cooperativos e Mútuos), que servirá de bússola para o desenvolvimento do setor no Brasil.
Próximos passos: o jogo está só começando
Simultaneamente às ações já em curso, novas etapas estão previstas. Traduções de manuais internacionais, rodadas de reuniões com a Susep, articulações com entidades argentinas e participação em eventos estratégicos como a Conseguro 2025 integram o calendário da OCB.
Logo que as cooperativas de seguros forem efetivamente regulamentadas, será possível ver, com mais clareza, os impactos concretos da mudança. Mas uma coisa é certa: o modelo cooperativista avança, como um rio que encontra novo leito, contornando obstáculos e irrigando campos antes secos de oportunidade.
Como disse certa vez Peter Drucker, “o melhor modo de prever o futuro é criá-lo”. Pois bem: o cooperativismo de seguros brasileiro está fazendo exatamente isso.




























