Costuma-se dizer que um bom azeite faz a diferença, tanto no prato quanto na saúde. No Brasil, essa percepção tem ganhado força também no campo, onde pequenos e médios produtores rurais vêm encontrando na produção artesanal uma oportunidade de agregar valor, conquistar novos mercados e mostrar a diversidade da agricultura nacional.
Expovitis destaca alimentos artesanais
Esse movimento está em evidência na Feira Nacional de Viticultura, Enologia e Enoturismo, a Expovitis, realizada de 25 a 27 de junho, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF. Durante o evento, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promove uma série de ações voltadas à valorização dos alimentos artesanais brasileiros, entre eles o azeite de oliva.
A programação inclui a presença de produtores participantes do Prêmio CNA Brasil Artesanal, a comercialização de produtos rurais e a realização de júris populares com degustação de azeites e doces de leite finalistas da edição deste ano. A proposta é aproximar produtores e consumidores, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade de alimentos que carregam tradição, identidade regional e qualidade.
Júri popular e avaliação dos azeites
No caso do azeite, a etapa de avaliação popular ocorre neste sábado, 27 de junho, a partir das 16h. Os participantes avaliam os produtos sem identificação dos rótulos, medida adotada para garantir imparcialidade. A análise do público complementa o julgamento técnico feito por especialistas.
Azeite Sabiá ganha destaque internacional
Entre os finalistas está o Azeite Sabiá, marca brasileira que chega à Expovitis embalada por uma conquista internacional de peso. No EVO International Olive Oil Contest 2026, realizado na Calábria, Itália, o azeite premium extravirgem Sabiá da variedade Coratina recebeu o prêmio máximo como Melhor do Hemisfério Sul.
A competição reune 786 amostras de 32 países, sendo 115 brasileiras. Além do reconhecimento principal, as quatro amostras enviadas pela marca conquistaram medalhas de ouro: os monovarietais Coratina, Picual e Koroneiki, além do Blend de Terroir.
“Estes reconhecimentos confirmam que estamos no caminho certo e celebram um trabalho construído com paixão, dedicação, conhecimento e qualidade. Por trás de um grande produto, há um processo rigoroso: a colheita cuidadosa, a higiene impecável e o transporte rápido até o lagar são os verdadeiros segredos da nossa excelência”, afirmam Bia Pereira e Bob Costa, fundadores e produtores do Grupo Sabiá.
Trajetória e crescimento da marca
A presença do Sabiá entre os finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 reforça a evolução da olivicultura brasileira. A marca concorre na categoria Blend e participa, pelo segundo ano consecutivo, da fase final do prêmio. Na edição anterior, o Sabiá Blend foi eleito o melhor blend do Brasil.
A trajetória da marca começou em 2014, quando Bia Pereira e Bob Costa se apaixonaram pelo universo da olivicultura. A primeira safra comercial foi lançada em 2020. Em seis anos, o Sabiá acumulou 186 prêmios internacionais e passou a ser reconhecido mundialmente pela qualidade de seus azeites.
A produção ocorre em duas regiões: Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, e na Serra do Sudeste, no RS. Porém, a operação gaúcha é conduzida pelo sócio e agrônomo Emanuel De Costa. Desde 2024, a marca também conta com a consultoria dos italianos Nicolangelo Marsicani, conhecido como o “poeta dos azeites”, e Micheli Siniscalchi, que acompanham o período de extração no Brasil.
Incentivo aos produtores e alimentos artesanais
Para a CNA, iniciativas como o Prêmio Brasil Artesanal fazem parte de uma estratégia maior de fortalecimento dos alimentos artesanais e tradicionais. O programa busca incentivar pequenos e médios produtores rurais, estimular a agregação de valor aos produtos do campo e ampliar as oportunidades de mercado para empreendimentos rurais.
Durante a Expovitis, a Confederação também reservou um espaço exclusivo para 20 produtores participantes dos concursos do Programa CNA Brasil Artesanal. No local, o público pode encontrar queijos, salames, geleias, molhos de pimenta, chocolates, vinhos e outros produtos.
A programação inclui ainda o lançamento do livro “O Ofício do Sabor — As Histórias dos Vencedores do Prêmio CNA Brasil Artesanal”. A obra reúne trajetórias de 58 produtores premiados entre 2019 e 2024. Incçlusive com relatos de famílias, tradições, saberes transmitidos entre gerações e iniciativas de empreendedorismo rural.
Impacto no cooperativismo e no agro brasileiro
Para o cooperativismo, o avanço dos alimentos artesanais tem um significado especial. Ainda que nem todos os produtores estejam organizados em cooperativas, o crescimento desse mercado dialoga diretamente com princípios como valorização do trabalho no campo, organização produtiva, acesso a mercados, identidade territorial e desenvolvimento local.
No caso do azeite, o reconhecimento de marcas brasileiras em concursos nacionais e internacionais mostra que a produção rural do país avança para além da escala. Hoje, qualidade, origem, manejo cuidadoso e apresentação ao consumidor fazem parte de uma nova etapa do agro brasileiro.
Assim, o azeite deixa de ser apenas um ingrediente sofisticado na mesa. Ele passa a representar sobretudo o conhecimento, inovação, empreendedorismo e a capacidade dos produtores brasileiros de competir em alto nível com países tradicionais na olivicultura.


























